Política

Kabangu, Ngonda e Nimi a Simbi juntos na campanha da FNLA

Bernardino Manje

Jornalista

Ngola Kabangu e Lucas Ngonda, antigos líderes desavindos na FNLA, decidiram unir-se em torno do novo líder, Nimi a Simbi, na campanha com vista às eleições gerais de 24 de Agosto.

29/06/2022  Última atualização 09H13
Antigos líderes da FNLA reforçam o apoio ao presidente Nimi a Simbi na pré-campanha © Fotografia por: DR

Para provar que o compromisso é sério, os três políticos apareceram, na sexta-feira, na sede do partido, para gravarem spots que vão servir para a campanha eleitoral, com a qual pretendem ter um resulta-do melhor que o de 2017, quando o partido conseguiu eleger apenas um deputado, no caso o então líder, Lucas Ngonda.

O acto de sexta-feira tratou-se da primeira reaparição pública de Ngola Kabangu, que esteve ausente da cena política durante alguns anos, por questões de saúde.

Kabangu, 79 anos, liderou o partido desde a morte do fundador, Holden Roberto, em Agosto de 2007, até ao ano de 2010, quando Lucas Ngonda assumiu o cargo, na sequência de um congresso que o elegeu.

Tratou-se de um congresso bastante polémico não reconhecido pela ala próxima a Kabangu. Em função disso, a FNLA ficou dividida, situação que praticamente o colocou na letargia.

Em Setembro do ano passado, o partido realizou o último congresso, no qual Lucas Ngonda, na altura com 81 anos, pretendia ser reeleito. Contra a maioria das expectativas, Nimi a Simbi, muito próximo a Kabangu, foi o eleito.

O também professor universitário elegeu como um dos desafios do seu mandato a unificação de todas as sensibilidades do partido. O reencontro entre Nimi a Simbi, Ngola Kabangu e Lucas Ngonda é só um exemplo do que se prometeu no congresso, disse, ontem, ao Jornal de Angola, o secretário-geral da FNLA, Aguiar Laurindo. "O acto de sexta-feira foi apenas a consolidação das decisões saídas do último congresso", afirmou.

De resto, Aguiar Laurindo mostrou não estar surpreendido com a reunificação entre os antigos dirigentes do partido. "Quer o irmão Lucas Ngonda, quer o irmão Ngola Kabangu, são membros da direcção do partido", razão pela qual devem trabalhar juntos.

O secretário-geral da FNLA acredita que, com essa reaproximação, o partido parte mais forte para as próximas eleições, onde pode ter um resultado melhor que o do último pleito, quando se encontrava dividido.

A FNLA é uma das oito formações políticas que apresentou a candidatura às eleições de 24 de Agosto junto do Tribunal Constitucional. O líder do partido, Nimi a Simbi, é o candidato a Presidente da República, enquanto Benjamim da Silva, antigo chefe do grupo parlamentar, é o nº 2 da lista pelo círculo nacional.

Para preencher os dez primeiros lugares da lista por aquele círculo estão o professor universitário João Roberto Soki, Aguiar Laurindo, Lino Massaqui Ucaca, Daniel Afonso, António Nvula, Diamvutu Bento, Gongo Pedro e Ngola Kabangu, naquele que seria o regresso a uma casa (Parlamento) que bem conhece.

Outras figuras de proa do partido também integram a lista pelo círculo nacional, como são os casos de Carlito Roberto, filho do fundador do partido, com o nº 27, Ferraz Neto (28), o porta-voz, Ndonda Nzinga (29), João da Silva Bengui Vindo (31), Laíz Eduardo (39) e Joveth de Sousa (45).

Na maior praça eleitoral, Luanda, a FNLA tem como candidatos a deputados Xavier Bunga, Alberto Luvunga, António Kinanga Pedro, Delfina das Neves Michel e Garcia José.

No Zaire, terra natal do fundador da FNLA e onde o partido tem alguma fa-lange de apoio, são candidatos António Nginamau, António Makiese, Eduardo Kiala, Manuel Tandu e Daniel Kiampe.


A saída de Ngonda do Parlamento

A cerca  de uma década como deputado, Lucas Ngonda, 82 anos, pediu a direcção do partido para não constar na lista de candidatos para a próxima legislatura.

O também professor universitário justificou a decisão com a necessidade de dar lugar aos mais jovens.

Instado pelo Jornal de An-gola para tecer um comentário sobre a decisão de Ngonda, o secretário-geral da FNLA considerou que se trata de um posicionamento que deve ser respeitado.

Aguiar Laurindo disse que se trata de uma opção que qualquer pessoa poderia tomar, sobretudo quando já se está na Assembleia Nacional há dez anos.

"Ele queria dar oportunidade aos outros e julgo ser algo que devemos respeitar", referiu.

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