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Justiça francesa confirma prisão perpétua de Carlos

A justiça francesa confirmou esta quinta-feira a terceira pena de prisão perpétua contra o terrorista venezuelano Ilich Ramírez Sánchez, conhecido como Carlos, por um atentado cometido em 1974 numa galeria comercial de Paris que causou duas mortes e 34 feridos.

23/09/2021  Última atualização 21H41
© Fotografia por: DR

O Tribunal Criminal de Paris voltou a pronunciar esta sentença, como já o havia feito há três anos, depois de o Supremo Tribunal de Justiça ter ordenado a revisão da punição, considerando que um dos crimes não poderia ser tido em conta.

Apesar disso, por recomendação do Ministério Público, não reduziu a pena contra o autoproclamado "revolucionário profissional” que, com esta nova pena, terminou a sua jornada legal em França, onde está preso desde que, em 1994, foi detido pelos serviços secretos franceses no Sudão. 

Quase a completar 72 anos, Carlos aproveitou os dois dias de audiência para negar a sua participação nos factos e para denunciar "uma justiça corrupta” que montou o caso para lhe atribuir o ataque.  Após a leitura da sentença pediu para cumprir a pena na Vnezuela, seu país de origem.

De camisa branca, casaco azul-claro e lenço no pescoço, Carlos, também conhecido por "Chacal”, reconheceu ter matado 83 pessoas durante a sua vida, "muitas, mas não o suficiente”, num contexto de guerra e de luta revolucionária.

No entanto, evitou assumir a responsabilidade pelo atentado por que estava a ser julgado, considerando "traidores” os que revelaram os atos cometidos no âmbito de uma organização, no caso a Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP). 

"Alguém me viu a atirar aquela granada?”, perguntou Carlos, que considerou o caso "uma vergonha para a França” e interrompeu frequentemente a acusação com gritos "é falso”.

O procurador considerou que o atentado em 1974 "inaugurou uma era de ataques às cegas”, porque, defendeu, foi dirigido pela primeira vez contra anónimos.  

Muito combativo durante os dois dias do processo, Carlos chegou a interromper a sua advogada, Isabelle Coutant-Peyre (que também é sua mulher, pois casaram-se na prisão), que o repreendeu várias vezes. 

"Se quiser, pode apelar, mas eu perco a concentração se me interromper", disse a advogada, visivelmente contrariada com o cliente e marido. 

Na declaração final, Carlos afirmou sentir-se "orgulhoso da jornada revolucionária” que viveu, mas negou que existam provas que o incriminem neste caso e acusou as "forças sionistas” de terem falsificado a acusação.

"A França é um grande país, mas há quem continue a colocar dinheiro para acusar gente como eu”, concluiu Carlos, figura central na luta armada comunista das décadas de 1970 e 1980. 

Ilich Ramírez Sánchez já fora condenado à pena máxima permitida pelos tribunais franceses em duas ocasiões anteriores: em 1997, pelo assassínio de dois agentes dos serviços secretos franceses e de um informador, e, em 2011, por quatro ataques cometidos entre 1982 e 1983, nos quais 11 pessoas morreram e quase 200 ficaram feridas. 

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