Reportagem

Júri preocupado com fraca adesão ao Prémio SADC de Jornalismo

André Sibi

Jornalista

Até à presente data, apenas três candidatos apresentaram trabalhos para concorrer ao Prémio SACD de Jornalismo-2022, disse ao Jornal de Angola Anastácio de Brito, o presidente júri do concurso.

15/02/2022  Última atualização 07H30
Anastácio de Brito, presidente júri do Prémio de Jornalismo © Fotografia por: DR
O responsável detalhou que, das três candidaturas apresentadas, duas são da categoria de Rádio e um trabalho de Televisão. Acrescentou que as candidaturas continuam abertas   a todos os jornalistas angolanos, até 28 de Fevereiro próximo, nas disciplinas de Rádio, TV, Imprensa e Fotojornalismo.

Anastácio de Brito explicou que os concorrentes devem submeter trabalhos que abordam a promoção da integração regional da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), nos sectores das Infra-Estruturas, Economia, Águas, Energia, Agricultura, Pecuária, Cultura, Turismo, Desporto, entre outros, publicados entre 1 de Janeiro e 31 de Dezembro de 2021.


Precisou que devem ser trabalhos publicados em meios de comunicação social públicos e privados, incluindo sítios de Internet, e podem ser entregues no Centro de Imprensa Aníbal de Melo, em Luanda, ou por via whatsApp, nos endereços que se seguem ao longo do texto.

Em relação à premiação, o presidente do júri fez saber que o primeiro classificado de cada categoria recebe 2.500 dólares e o segundo tem direito a 1000 dólares. Os montantes são entregues durante a 41ª Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da SADC.

O objectivo do concurso, disse Anastácio de Brito, é reconhecer o melhor trabalho de Jornalismo e divulgar informações sobre a SADC, para promover o processo de cooperação e a integração regional.


Regulamento

Segundo o regulamento do concurso, para a categoria de Imprensa, são necessárias, no mínimo, um texto de cem palavras e, no máximo, duas mil palavras. Já no Jornalismo Radiofónico, o material deve ter pelo menos um minuto e no máximo 30 minutos, submetidos em CD e USB, acompanhados de um texto no formato word, transcrito electronicamente,  para efeitos de tradução.

Para o Jornalismo televisivo, a peça deve ter duração mínima de um minuto e máxima de 45 minutos, submetidos em CD e USB, acompanhados de transcrição electrónica, em word, para efeitos de tradução.
A disciplina de Fotojornalismo compreende uma fotografia legendada ou galeria visual com até 20 fotografias, no máximo, publicadas dentro do período orientado pelo concurso, acompanhado de um jornal original, no qual tenham sido publicados os textos e as fotos em referência.
 
ELEVAÇÃO DO DEBATE

Aristides Kito, quadro da Rádio Nacional de Angola no Cuando Cubango, um dos mais premiados no concurso, disse que já concorreu seis vezes, das quais ganhou três.
O jornalista contou que, na primeira vez, venceu o concurso com uma reportagem sob o título "Mbanza Kongo na rota do Património Mundial”, em 2020". Na segunda ocasião, concorreu com um trabalho jornalístico sobre a "célebre Batalha do Cuito Cuanavale", já na terceira ficou em terceiro, com a reportagem sobre casamento na comunidade khoisan, em 2010.

Este ano Aristides Kito vai submeter uma reportagem sobre a "praga de gafanhotos nos países da SADC", disse. O jornalista apelou aos colegas a participarem do concurso, porque engrandece o jornalismo angolano.

O escritor, professor universitário e jornalista José Luís Mendonça, já reformado, venceu o prémio SADC de jornalismo na edição 2021. Concorreu com um artigo (opinião) sobre a promoção da integração regional apenas na perspectiva cultural e civilizacional. Ao mesmo tempo, questiona o mapa geopolítico da SADC, que, no seu entender, vive uma crise de comunicação cultural, ao incluir regiões linguísticas de matriz europeia. 

José Luís Mendonça disse que o prémio representa uma oportunidade ímpar para levar ao debate as questões candentes da região e da comunidade, enquanto conjunto de povos e culturas.
O jornalista reformado lamentou o isolamento cultural que a região vive e solicitou maior engajamento das autoridades, para mudar o quadro prevalecente.

Contou que, o ano passado, concorreu pela primeira vez e venceu, com 79.5 pontos, numa contagem global que vai até 100 pontos. Este ano não vai concorrer: "Tenho de esperar, até identificar um tema de peso para voltar a concorrer", justificou.

José Luís Mendonça assegurou que o Prémio constitui uma estratégia para internacionalizar o Jornalismo angolano, que conta com uma tradição de luta e de foco no homem e que não pode ser entregue à sua sorte.

Apelou aos colegas de profissão a se candidatarem ao Prémio, que, para si, constitui uma oportunidade ímpar para regionalizar o trabalho.
Às novas gerações, exortou a consultar o trabalho, assim como o legado dos precursores do Jornalismo angolano, especialmente José de Fontes Pereira e a geração da Voz de Angola Clamando no Deserto, sem descurar os mais recentes.

Por outro lado, solicitou ao Arquivo Histórico Nacional que conserve as obras dos precursores da história do Jornalismo angolano, bem como a leitura dos próprios jornais onde trabalham.
Lamentou a fraca leira e o desconhecimento da História de Angola e do continente, assim como a nossa literatura, para acumular Cultura Geral e domínio da palavra.


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