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Junta no poder inicia ronda de negociações com partidos

A Junta Militar que tomou o poder na República da Guiné e os partidos políticos iniciaram, ontem, negociações para a formação de um Governo, noticiou a comunicação social.

16/09/2021  Última atualização 06H30
Junta Militar, tomou o poder na República da Guiné © Fotografia por: DR
Estas negociações, que deverão terminar na sexta-feira, visam a obtenção de consenso para um apaziguamento entre os militares e as forças civis de modo à criação de um período de transição, não se sabendo ainda qual o formato de um eventual Governo para os próximos dias.

Por outro lado, a família e dirigentes do partido do deposto Presidente da Guiné, confirmaram que Alpha Condé "está bem, embora cansado” e exigiram a sua libertação imediata, alegando que o golpe de Estado é "inconstitucional”.  Enquanto isso, alguns guineenses pedem que a justiça prevaleça e pressionam para que o Presidente deposto seja processado.

Analistas consideram que a Junta Militar que actualmente governa a Guiné, enfrenta neste momento uma escolha difícil: manter Alpha Condé detido, ignorando os apelos internacionais por clemência, ou libertar um líder poderoso que poderia procurar vingança.

 As forças especiais lideradas pelo tenente-coronel Mamady Doumbouya rebelaram-se a 5 deste mês, atacando o palácio presidencial e capturando o Chefe de Estado, de 83 anos. Rapidamente dissolveram o Governo e instalaram uma junta militar, citando abusos de direitos humanos alegadamente cometidos durante a Presidência de Alpha Condé.

 Mas, acrescentam, a verdade é que o golpe gerou uma grande indignação diplomática e levou a apelos pela libertação imediata de Condé, incluindo das Nações Unidas, da União Africana e do bloco da África Ocidental, CEDEAO.

 Os oponentes políticos de Alpha Condé parecem querer que ele continue preso, desconfiando da sua reputação feroz e de ligações estreitas com alguns líderes africanos. "Achamos que o Sr. Alpha Condé deveria, a princípio, ficar com a junta, por razões de segurança - para a Guiné, mas também para si mesmo”, disse Abdoulaye Oumou Sow, porta-voz da coligação da oposição, FNDC. "Todos nós sabemos da amizade que ele tem com alguns Chefes de Estado da sub-região. Sabemos que ele é rico e tem todos os meios para querer voltar ao poder”, acrescentou.

 O ex-Primeiro-Ministro e figura da oposição, Cellou Dalein Diallo, também disse à AFP que libertar Condé pode ser problemático. "Conhecendo o antigo Presidente e não tenho a certeza de que ele consiga manter a calma”, acrescentou.

 Uma equipa da CEDEAO que esteve em Conacry na passada sexta-feira, após o golpe, visitou Alpha Condé e garantiu que o dirigente estava bem de saúde. Foi a primeira notícia sobre o estado do ex-Presidente desde o dia do golpe, quando um vídeo mostrava um Presidente amarrotado, sentado num sofá, de calças jeans e camisa meio desabotoada, cercado por soldados.

 Após a visita da delegação da CEDEAO, o ministro das Relações Exteriores da Guiné Conacry, Fanta Cisse, falou num "acordo de princípio” para libertar Alpha Condé.

Disse que era "difícil responder de imediato a um pedido de libertação do ex-Presidente”, mas que "o princípio é reconhecido”. O assunto é delicado e levanta questões sobre o que acontecerá com Condé depois dele ser solto e se ficar no país. Um funcionário próximo da delegação da CEDEAO disse que Condé insistiu na convicção de que "ainda é o Presidente” e que deve, por isso, ser reintegrado.
 
Ontem, o  representante da ONU para a África Ocidental e o Sahel, Mahamat Saleh Annadif, anunciou em Conacri a disponibilidade da instituição que representa para acompanhar o regresso à estabilidade na Guiné, depois do golpe de Estado do passado dia 5. O diplomata pronunciou-se sobre o assunto, no termo de um encontro com o chefe dos golpistas, coronel Mamady Doumbouya.
Para tentar atenuar essas pressões, a junta militar resolveu abrir todas as fronteiras terrestres.

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