Opinião

Julgamento de Zé Maria

Acompanho com algum interesse o julgamento do general Zé Maria, antigo chefe do serviço de inteligência militar, e uma das particularidades desse caso judicial tem a ver com a forma como o mesmo o está a gerir, a julgar pelas intervenções que lhe são atribuídas.

19/11/2019  Última atualização 09H32


 Depois de tudo, acho que o mais importante já aconteceu, terem conseguido levá-lo a sentar-se na cadeira de um tribunal.
Acho que, independentemente de ser ou não condenado, o general Zé Maria, atendendo ao seu perfil, já está a merecer o que lhe cabia. Acho que, a ser verdade, a afirmação de que o general reclamou a titularidade dos documentos sobre a Batalha do Cuito Cuanavale, está-se perante um acto de excessiva presunção e, como alguém escreveu num dos sites de informação, autêntica falta de respeito para com a memória dos que lutaram naquela batalha e perderam as suas vidas.
Como escrevi acima, acho que uma das coisas importantes que sucede agora com o general Zé Maria é o facto de lhe terem feito saber que quem “manda no país” não quer ser visto a alimentar casos de impunidade ou ser encarado como estando a proteger gente que se julga acima da lei. E ainda bem que assim é porque, de outra maneira, estaríamos a rasgar a Constituição que aprovámos em 2010. Espero que casos semelhantes tenham o mesmo tratamento para que, no futuro, não assistamos mais casos de militares ou civis que deem a entender que são intocáveis.
Acho que parece ser esse o compromisso do Presidente João Lourenço, lutar para que a impunidade seja coisa do passado. Para terminar, espero apenas que o general Zé Maria tenha uma condenação, se vier a ser condenado, justa e que se faça justiça.
Pedro Magalhães|Sambizanga


Preços dos bens
A subida galopante dos bens e serviços não se justifica, independentemente de estarmos numa economia de mercado em que as forças que nela actuam é que acabam por determinar o curso dos acontecimentos.
Embora haja liberdade, na verdade, não concordo que se deixe as forças de mercado determinarem o curso dos acontecimentos. Há denúncias de comerciantes gananciosos que fazem subir os preços de forma abusiva, facto que precisa de ser contornado com a intervenção das entidades competentes. Não faz sentido que mesmo sendo previsto por lei em que percentagens o comerciante deve ganhar, muitos comerciantes, ainda assim, exageram na aplicação da margem de lucro.
E acho que as entidades competentes deviam desdobrar-se, com a ajuda do Inadec e dos consumidores em geral, para desempenharem o papel que se espera. Não podemos ter um sistema de economia em que os comerciantes sejam livres de fazer os preços que julgam que podem fazer.
É verdade que quando a procura é maior, quem comercializa bens e serviços tende a aumentar os preços que pratica, mas não sei até que ponto esses preços podem ser ao bel-prazer do comerciante.
Não pode ser ao gosto do comerciante na medida em que ele tem de ter as limitações legais para não aumentar os preços de qualquer maneira.
Inclusive os produtos com os chamados “preços vigiados” são alvo da fúria gananciosa dos comerciantes sem que se faça nada para contrariar o presente momento de pura especulação.
Felizarda Costa |Cazenga

 

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