Política

Jovens querem definição de estratégias para os principais anseios

Várias são as expectativas levantadas pelos jovens à volta do segundo Encontro de Diálogo, que o Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, mantém, hoje, com representantes de organizações juvenis e outras individualidades.

26/11/2020  Última atualização 14H20
© Fotografia por: DR
Entre as expectativas, os jovens esperam que o encontro tenha como fim o estabelecimento de mecanismos, estratégias e metodologias que sirvam de "bússola” orientadora para os próxi-mos anos. O coordenador do Movimento de Voluntários de Angola, Massangano Domingos, enalteceu a decisão do Titular do Poder Executivo, de convocar este encontro de diálogo com a juventude, num momento em que o país atravessa problemas de vária ordem.
Segundo o responsável, a expectativa desse encontro é que se aflore com verdade e realismo todos os problemas que os jovens enfrentam. "Mais do que se aflorar os problemas é pensar nas suas soluções, que devem contar com o contributo dos jovens e não só”."O país enfrenta problemas de vária ordem, mas também há que se encontrar a solução mais viável e consentânea, com vista a se promover a coesão, unidade e o bem-estar de todos, cientes de que temos liberdades, direitos e responsabilidades”, reconheceu.

Massangano Domingos acredita que só através de um pacto entre o Governo e a juventude, por via do diálogo, será possível criar e resgatar o sentimento patriótico e de cidadania nos jovens. Sublinhou que os problemas que o país enfrenta, em particular nos domínios da educação, segurança, êxodo rural, emigração e desemprego, têm-se traduzido no adiamento do sonho de muitos jovens que não conseguem visualizar uma luzinha de esperança.

"O maior problema do país está no sector social, que deve merecer sempre uma atenção especial do OGE para que as condições disponíveis possam impactar na vida dos jovens”, disse, para sublinhar que "resolver os problemas dos jovens é resolver os problemas da nação, por serem a maioria, a força viva e produtiva do país. É por via dos jovens que se faz a transformação do país”.
Encontro com o PR
O coordenador do Movimento de Voluntários de Angola, Massangano Domingos, disse que o segundo Encontro de Diálogo acontece num mo-mento não muito oportuno por causa da pandemia, o que obriga ao distanciamento entre os participantes. Ainda assim, destacou, devido aos problemas que o país enfrenta, o Presidente da Re-pública teve a coragem de promover uma reunião com a juventude.

Do nosso ponto de vista, prosseguiu, essa iniciativa vem um pouco tarde, porque, logo após à sua investidura, o Presidente da República estabeleceu vários encontros com a sociedade, e esperava-se mais encontros com os jovens, em 2018 e 2019. "Mas, para resolvermos os problemas do país nunca é tarde demais para dialogar”, sustentou.

Massangano Domingos espera que o encontro produza resultados fiáveis, que o Presidente tenha o foco de manter os jovens cada vez mais ocupados. "Por exemplo, se o jovem não estuda e nem trabalha, que faça negócios ou outra actividade que o compense económica e socialmente”, opina.Licenciado em Engenharia Informática, Massangano Domingos defende que as políticas ligadas à  juventude devem abranger os jovens de todos os estratos sociais, nas cidades, bairros, comunas e aldeias, sem precisarem estar filiados em qualquer organização juvenil ou partidária.

  Políticas para a juventude

 A directora do Centro de Animação Artística do Cazenga (ANIMART), Felismina Sebastião, espera que o encontro sirva de esclarecimento sobre as políticas definidas para a juventude angolana. "É notório o nível de descontentamento dos jovens. Muitos nem sequer estão a par das políticas gizadas pelo Executivo, para satisfazer as suas necessidades e anseios."Esperamos que neste encontro seja possível fazer esse esclarecimento, e os jovens saiam de lá mais aclarados, porque tem-se notado que o nível de descontentamento só é maior quando os jovens não se sentem esclarecidos”, aludiu.

De acordo com a responsável, o que falta às vezes é um certo esclarecimento, uma luz verde sobre os reais problemas que afligem a juventude, e mostrar que hoje, talvez não seja possível materializá-los, mas  no futuro, seja possível criar as condições necessárias para que os jovens se sintam melhor integrados na sociedade.Felismina Sebastião frisou que, mais do que apontar o dedo para os problemas, os jovens precisam parar para ouvir aquilo que o Presidente da República tem para dizer, apresentar soluções, sugestões, e com isso chegar-se a um meio-termo.

"A juventude é a força motriz de uma sociedade e, por isso tem muito para dizer, não apenas reclamações, mas apresentar diversos pontos de vista”, disse, acrescentando: "neste encontro de diálogo, o Presidente da República vai ouvir os problemas que apoquentam os jovens, e a partir daí espera-se que sejam traçadas medidas capazes de dar soluções às preocupações apresentadas”.A directora do ANIMART reconhece ser difícil resolver todos os problemas de uma só vez, mas reconhece ser esta a melhor via para que a sociedade angolana e o Governo caminhem em sintonia. Disse que, apesar dos anseios e preocupações, há jovens que são movidos pelo espírito do imediatismo, e quando isso acontece não se consegue encarar as coisas tal como elas são.

Diálogo franco e aberto

Para o representante das Universidades Privadas de Angola, uma das questões que deve merecer igual atenção do Executivo e que pretende expor no encontro, tem a ver com os problemas no subsistema do ensino superior nacional. Joaquim Costa disse que as instituições de ensino superior privado atravessam momentos difíceis, tendo em conta que muitos jovens abandonam a vida académica devido aos valores exorbitantes das propinas, situação agravada com o surgimento da pandemia da Covid -19.

"Muitos jovens perderam o emprego e deixaram de estudar. É uma fase atípica e as condições que as universidades oferecem, com as aulas online, pagamento de propinas e outros emolumentos, aulas presenciais em dias alternados, tudo isso tem criado um ambiente desagregador no seio dos jovens universitários”, explicou.

Enalteceu a iniciativa do encontro e a abertura que o Presidente João Lourenço concede aos jovens angolanos, em particular os universitários. "Nunca tivemos esse privilégio. Hoje temos essa oportunidade e achamos que desta forma o Presidente toma uma decisão positiva, de dialogar com os jovens para encontrar soluções exequíveis dos problemas que o país enfrenta. Por isso esperamos que neste encontro o Presidente João Lourenço, além de nos ouvir, dê respostas significativas aos anseios e necessidades dos jovens universitários, e não só”, finalizou.

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