Sociedade

Jovens estudantes exibem criações na Expo Mulher

Alexa Sonhi

Jornalista

São muitas as mulheres que, apesar da pouca idade que têm e terem concluído recentemente o segundo ciclo do ensino secundário, expõem criações originais, como se de profissionais da área se tratassem. Maioritariamente finalistas de vários institutos públicos do país, fomos encontrá-las na Expo Mulher, que decorre, desde segunda-feira, em Luanda.

11/08/2022  Última atualização 07H05
© Fotografia por: Rafael Tati | Edições Novembro

Anair Diogo, 19 anos, finalista do curso de Electrónica e Telecomunicações no Instituto de Telecomunicações de Luanda (ITEL), levou à Expo Mulher o protótipo de uma bengala inteligente, cujo função é auxiliar a mobilidade de pessoas cegas, tornando-as mais independentes. 

A bengala inteligente criada por Anair Diogo é electrónica, possui um auricular e uma pulseira vibradora, que enviam informações à pessoa que estiver a usá-la, dando orientações caso se aproxime de algum obstáculo, pavimento molhado e inclusive se estiver perdida. 

A criação faz parte do projecto de final de curso que Anair Diogo apresentou no ano lectivo passado, tendo como média 17 valores. O dispositivo electrónico não leva pilhas. É carregável com energia eléctrica, minimizando, assim, os custos das pessoas portadoras de deficiência visual.   

Anair Diogo contou que teve a ideia de criar este projecto para ajudar dois vizinhos cegos, que têm muitas dificuldades de se movimentar quando os seus guias não estão perto. "A partir do segundo ano, fui pensando em como desenvolver algum projecto electrónico para ajudar pessoas cegas a ganharem independência, mesmo com as limitações visuais", sublinhou a estudante. 

Apesar do protótipo da bengala inteligente mostrar a todos que Anair Diogo seria uma excelente engenheira electrónica, a jovem estudante quer fazer o curso superior de Ciências de Computação, por ser esta, na verdade, a sua verdadeira paixão.       

"Gosto de criar programas informáticos e acho que terei mais sucesso nesta área, mas, se não der, a minha segunda opção será mesmo electrónica, para melhorar o projecto da bengala inteligente e ajudar o maior número de pessoas com deficiência visual".   

A nossa reportagem conversou, também, com Vitória Mampasse, de 20 anos, finalista do ITEL, que criou um projecto para fechar portas de condóminos e cofres, para garantir segurança máxima.  

Deu a conhecer que o seu projecto prevê duas portas, sendo a primeira para dar acesso ao parque de estacionamento de um determinado condómino e a segunda para a área residencial. "A primeira porta deve ser aberta com um código de acesso, contendo cinco dígitos, e só depois de estar fechada será possível abrir a segunda, usando, igualmente, um código de segurança. Caso o morador seja incentivado por um bandido a abrir a porta do condomínio ou cofre, com o seu código, pode accionar o número de emergência, que alertarão os seguranças". 

Vitória Mampasse teve a ideia de criar este projecto depois de um assalto ocorrido no condómino fechado onde vive com a tia, que a deixou bastante transtornada, devido à fragilidade do sistema de segurança do referido complexo habitacional.  

Tal como Anair Diago, Vitória Mampasse também teve 17 valores, no final da apresentação do seu trabalho no ITEL. Acrescentou que, incentivada pelos professores, decidiu levar o projecto à Expo Mulher, para mostrar ao público que é possível mulheres muito jovens desenvolverem projectos ambiciosos e em áreas técnicas.     

 

Mecânica e construção  

Luísa Joaquim Morais conta que decidiu-se pelo curso de mecânica para fazer a diferença e mostrar que não é apenas para homens. Acrescentou que estudou mecânica industrial na escola 17 de Dezembro, núcleo do Instituto Politécnico Industrial de Luanda (IPIL), terminando a formação técnica média com 18 valores, o que fez com que fosse convidada para trabalhar na área de mecânica da Empresa Pública de Águas de Luanda (EPAL).  

"Quando entrei na EPAL era a segunda mulher na área de mecânica industrial e não era muito bem encarada pelos colegas, porque era muita nova e achavam que não tinha competência, mas, como fui bem instruída da escola, demonstrei tudo aquilo que aprendi", sublinha Luísa Joaquim Morais, que hoje é tida como uma das melhores mecânicas na EPAL, sendo solicitada para executar muitos trabalhos complexos, que muitos colegas não conseguem.
 

  Meninas estão também com as atenções viradas à construção civil

Além das áreas de tecnologia e mecânica, muitas mulheres estão também com as atenções viradas para a construção civil. Na Expo Mulher encontrásmos seis estudantes finalistas da Universidade Metodista de Angola (UMA), com um projecto de construção de uma barragem hidroeléctrica, tarefas antes executadas apenas por homens. 

O projecto, trabalho de final de curso, fez com que cada finalista obtivesse 18 valores, segundo Vánia Campos, que falou em nome do grupo. 

Mulheres estão igualmente envolvidas no combate às alterações climáticas, apostando na produção de energias renováveis. 

Finalistas da Universidade Metodista de Angola pretendem apresentar, em 2024, um carro movido a hidrogénio, numa aposta séria ao desenvolvimento sustentável. 

Eva Masques, representante do grupo de estudantes finalistas da UMA, disse que, no próximo ano, o país terá a primeira placa de hidrogénio e de amónio, para que, em 2024, se construam carros movidos a hidrogénio. 

Mas, para que as mulheres consigam alcançar as metas preconizadas têm de ter boa saúde. E é a pensar nisso que outros estudantes do ITEL criaram um aplicativo para detectar doenças, como a malária. 

Maria Alves, de 18 anos, estudante do curso de Telecomunicações, explicou que o paciente chega na máquina e ao colocar o dedo acende-se uma luz vermelha, dando início ao estudo dos globos vermelhos e ao diagnóstico rápido da doença, ainda em fase de encubação.  

Na Expo Mulher/2022, os visitantes não foram esquecidos, quem entra pode ter a sorte de receber tratamento estético antes de sair, com produtos naturais e nacionais. 

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