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Jovens em Nova Iorque falam de sensação surreal, mas sem medo

Em 2001, Samantha Lee era uma menina de cinco anos que via pela janela da escola, em Queens, Nova Iorque, a fumaça do outro lado da cidade, onde os dois maiores prédios tinham caído depois de um ataque terrorista.

11/09/2021  Última atualização 05H00
© Fotografia por: DR
"No edifício da minha escola, todos os alunos estavam num patamar subido. Havia uma janela enorme, lembro-me de olhar e ver, de onde eu estava, em Queens, o fumo das Torres Gémeas”, recordou Samantha, em declarações à agência Lusa, em Nova Iorque.Quatro aviões comerciais, com centenas de passageiros a bordo, foram sequestrados por um grupo de 19 terroristas, no dia 11 de Setembro de 2001, e foram direccionados para Nova Iorque e Washington.

Dois aviões, separados por 18 minutos, colidiram com as duas Torres Gémeas em Nova Iorque, provocando uma explosão de grandes dimensões e matando 2.753 pessoas.A sede do Departamento de Defesa dos EUA, conhecida como Pentágono, em Washington, também foi alvo de ataque de um avião, num acidente em que morreram, segundo o Museu 9/11, 184 pessoas.

Outras 40 pessoas morreram no acidente do quarto avião, que caiu em Shanksville, no Estado da Pensilvânia. Em conjunto, com os 19 terroristas responsáveis pelo atentado, o total de pessoas vitimadas naquele dia foi de 2.996.Agora com 25 anos, Samantha não se lembra das Torres Gémeas, dois edifícios no World Trade Center (WTC) com 415 metros de altura e 110 andares, destruídos no atentado terrorista de 11 de Setembro.

Ao lado do centro financeiro WTC, onde sobressaem as cores e pinturas, os comércios, as lojas e os arranha-céus, o Memorial e o Museu dedicados ao 11 de Setembro com o lema "Never Forget” (Nunca Esquecer), forma-se um ambiente "muito solene” e "surreal” para Samantha.Inaugurado 10 anos depois dos ataques de 2001, o memorial tomou o lugar das antigas Torres Gémeas, com duas cascatas artificiais de nove metros de profundidade e 2.977 nomes das vítimas mortais inscritos em painéis laterais.

Vinte anos depois, mesmo sem que os professores tenham explicado muito sobre o ataque terrorista, para Samantha, trata-se de uma "lição aprendida”, que prefere interpretar como esperança para o futuro."Como nova-iorquina, saber que isto aconteceu a meras milhas da casa onde cresci, parece mesmo surreal. Estar aqui e saber quantas vidas se perderam no chão que pisamos”, comentou.

"Não me lembro de falar muito sobre o 11 de Setembro; havia conversas sobre a guerra no Iraque, mas muito disso era demasiado para o meu pequeno cérebro”, tentou recordar."Só posso esperar que os mais novos, nascidos depois do 11 de Setembro, possam vir cá, perceber o que aconteceu, crescer com isso e tomar melhores acções”, sublinhou Samantha Lee, rejeitando qualquer medo.

Naomi Ibrahim nasceu quatro anos depois do atentado, mas tem na consciência que foi uma das maiores tragédias nos Estados Unidos, porque a família fala todos os anos sobre os acontecimentos de 11 de Setembro de 2001."Sentamo-nos e temos uma conversa sobre onde é que eles (os membros da família) estavam quando isso aconteceu, como se sentiram na altura e como ficou Nova Iorque depois”, referiu Naomi, de 16 anos.

"Aprendi que, no meio da emergência, toda a gente se juntou, como nova-iorquinos”, acrescentou a jovem, e que muitos se voluntariaram para ajudar pessoas em necessidade ou para ajudar as autoridades nos trabalhos.

"A minha mãe, por exemplo, disse-me que viu muitos colegas de trabalho, mesmo os que não gostavam uns dos outros, a falarem e a reconciliarem-se. Todos vieram para ajudar. O avô de um amigo meu, que penso que era um polícia reformado, também veio cá abaixo para ajudar na recuperação de corpos ou de pessoas que estavam vivas”, exemplificou.Naomi Ibrahim revelou à agência Lusa que se sente segura. Declarou não ter medo, mas também não ter confiança total no que o futuro reserva. Por isso, reticente, sublinhou que é preciso estar alerta.

Ariel Mel, de seis anos, não sente uma pressão especial por estar no Memorial do 11 de Setembro, ao contrário da mãe, Anna Mel.Questionado pela Lusa sobre se sabe qual é o motivo por que a mãe as trouxe, ele e três outras crianças, ao Memorial do 11 de Setembro, Ariel disse achar que é um local para um bom passeio e para se divertir. Sobre os ataques de 2001, reconheceu que ainda não sabe bem o que aconteceu.Muito preocupado com o futuro, devido à pandemia de Covid-19, por ver muita gente doente, Ariel deixou bem claro que "a América é um grande país”.

Viga que pertenceu às Torres está em Alverca do Ribatejo

Uma viga que pertenceu às Torres Gémeas, destruídas no ataque do 11 de Setembro de 2001, em Nova Iorque, permanece há 20 anos numa quinta particular em Alverca, Portugal, à espera de poder ser exposta num lugar público.A viga, com cerca de 2,5 toneladas, chegou a esta quinta situada no concelho de Vila Franca de Xira, no distrito de Lisboa, poucos meses depois do 11 de Setembro, pelas mãos do proprietário do espaço, que pagou o seu transporte de barco dos Estados Unidos para Portugal (cerca de oito mil euros).

Ernesto Cabeça, de 66 anos, vivia, em 2001, em Nova Iorque, mas estava já a preparar o seu regresso a Portugal, quando soube que estavam a oferecer aos países restos de materiais dos escombros das Torres Gémeas (World Trade Center).Foi junto a esta peça de ferro, exposta à entrada da Quinta do Barco, que Ernesto Cabeça, contou à Lusa, não hesitou em pedir um camião emprestado ao irmão para transportar a peça até ao barco, o mesmo que transportaria também o resto dos seus pertences.

"Já tem um simbolismo. Isto é para simbolizar os nossos portugueses. O sacrifício que nós tivemos. Quanto custa ser emigrante”, sublinhou.Ao longo destas duas décadas, Ernesto Cabeça estabeleceu vários contactos, nomeadamente com a Junta de Freguesia de Alverca, para tentar enquadrar esta viga, "pertencente ao piso 51 ou 52” das Torres Gémeas, num espaço público, mas tal ainda não se concretizou."Ela, para já, é minha e está aqui. Nem pus nada escrito por causa desta indecisão, se vai para aqui ou para ali. Então, estamos à espera. A peça está aqui e, se for preciso, está aqui mais 10 anos”, afirmou.

Contactado pela Lusa, o presidente da Junta de Freguesia de Alverca, Carlos Gonçalves, referiu que teve conhecimento da existência desta viga "há pouco tempo”, mas que a autarquia "está disponível” para encontrar um local público para expor a peça."Queremos efectivar isso brevemente. Podia ser colocada numa rotunda ou num jardim. Quem sabe no 11 de Setembro do próximo ano esteja a ser inaugurada”, perspetivou.>

Contudo, o autarca ressalvou que a Junta de Freguesia não dispõe de verba para ressarcir Ernesto Cabeça dos gastos que este teve com o transporte e manutenção da viga.Enquanto o dia de entregar a viga não chega, Ernesto Cabeça vai estruturando na sua cabeça uma ideia para valorizar e fazer o enquadramento histórico da peça.

"A minha ideia era fazer uma imagem em ferro e chapa das duas torres e pôr ela (a viga) no meio. Fazer um monumento. Tenho um arquiteto e já lhe transmiti isso”, atestou.

Blair considera que radicalismo islâmico continua a ser ameaça

O ex-Primeiro-Ministro britânico Tony Blair afirmou que o radicalismo islâmico ainda é uma "ameaça de primeira ordem” e pediu aos líderes mundiais que desenvolvam uma estratégia comum para lidar com a ameaça.

"Na minha opinião, o islamismo (radical), tanto ideológico como violento, é (um risco) de segurança de primeira ordem e, sem controlo, chegará até nós, mesmo se está longe de nós, como ficou demonstrado pelo 11 de Setembro (de 2001), vincou.

O ex-chefe do Governo Trabalhista (1997-2007) falava por ocasião do 20.º aniversário dos ataques de 11 de Setembro, em Nova Iorque, sobre o perigo dos extremistas no Royal United Services Institute (RUSI, por sua sigla em inglês) de Londres, um "think tank” dedicado à defesa e segurança.O ataque planeado pela organização ‘jihadista’ Al-Qaida há 20 anos contra as Torres Gémeas do World Trade Center e o Pentágono matou quase 3.000 pessoas. 

Blair disse que o radicalismo islâmico, com uma ideologia de "transformar a religião em doutrina política, apoiada se necessário pela luta armada, inevitavelmente levou ao conflito com sociedades abertas, modernas e culturalmente tolerantes”.O ex-Primeiro-Ministro, que enviou tropas para o Afeganistão após os ataques de 11 de Setembro, ressaltou que há o perigo de grupos radicais desenvolverem armas biológicas.

"A Covid-19 ensinou-nos sobre patógenos mortais. As possibilidades de bioterrorismo podem parecer algo de ficção científica, mas seríamos prudentes se nos preparássemos agora para o possível uso por actores não-estatais”, avisou.

Para Blair, o radicalismo islâmico opera "em muitas áreas e dimensões”, de modo que, "no final, a sua derrota acontecerá com o confronto da violência e da ideologia através de uma combinação de poder duro (militar) e brando (influência) ".

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