Economia

Jovem huilano aposta na agropecuária na zona da Palanca

Estanislau Costa | Lubango

Jornalista

A abundância de terras férteis e água dos rios Cunene e Caculuvar, além de outras fontes subterrâneos têm motivado, há 10 anos, a materialização de vários projectos do agro-negócio em vários pontos da província da Huíla, com garantias financeiras de instituições bancárias e afins.

13/08/2022  Última atualização 08H25
Arsénio Lopes, conta actualmente com 400 cabeças de gado © Fotografia por: Edições Novembro

Dezenas de jovens aderiram os projectos da Cooperativa dos Criadores de Gado do Sul de Angola (CCGSA) para materializarem muitos projectos, os quais permitiram, até ao momento, a implantação de fazendas, cujos resultados estão patentes na 18ª edição da Feira do Gado, realizada em alusão à edição 120 das Festas da Nossa Senhora do Monte.

O jovem Arsénio Lopes, 33 anos de idade, nato do Lubango, recorreu a vários financiamentos bancários do Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) para investir na compra de uma fazenda de 30 hectares na comuna da Palanca, município da Humpata.

Contou ao Jornal de Angola que, há 12 anos, teve ainda assim receios em apostar no sector agropecuário por causa dos custos e outros encargos para fazer face a aquisição e organização do espaço produtivo, plantas, animais, fertilizantes, equipamento veterinário, tractores, charruas e outros.

"A maior preocupação sempre foi a contratação de pessoal qualificado por ser oneroso. O mercado oferece muito pouco, somando às calamidades naturais, que têm surpreendido as potenciais zonas agrárias da Região Sul”, contou o jovem que se acha realizado por superar as barreiras psicológicas.

O agropecurista Arsénio Lopes explicou que com o primeiro financiamento de 12 milhões de kwanzas foi para adquirir 30 hectares de terras aráveis, vedar, criar condições para a actividade agrícola, criação de gado bovino, suíno e caprino, incluindo aves.

Segundo ele, movimentam, actualmente, a actividade da fazenda, 17 trabalhadores e nas épocas das colheitas são contratados dezenas de eventuais.

"Orgulha-me ser hoje o maior produtor de cenoura da Região Sul, que é escoada para os mercados da Huíla, Namibe, Cunene, Benguela e Huambo”, disse.

A Fazenda Palanca, referiu, está com um rebanho acima de 450 animais entre eles gado de raça melhorada, autóctone, caprinos, suínos e aves.

"Estamos empenhados para atingir em cinco anos um milhão de animais com realce para bois e porcos para abastecer as indústrias transformadoras”, referiu.

Enalteceu o apoio e acompanhamento prestado com regularidade pelo Ministério da Agricultura e Pescas por acompanhar a maioria dos jovens que está a apostar no sector agropecuário assim como auxiliar na superação de várias dificuldades que em muitos casos embaraçam a agricultura.

"Temos sido assolados por várias pestes, sobretudo por causa do frio que se regista com regularidade no município da Humpata, mas a pronta intervenção da direcção da veterinária da Huíla minimiza o problema da sanidade animal”, explicou.

Bons lucros a partir de Outubro

Segundo Arsénio Lopes, que participa no esperado Grande Leilão da Cooperativa dos Criadores do Sul de Angola (CCGSA), pretende comercializar 80 cabeças de gado de raça e comprar também animais das fazendas produtivas CD, Boi Verde, Mukalay, Maboqueiro, Mumba, Quintas da Cobra e outras.

Distinguido há dias com o prémio PRODESI, na categoria "Jovem Agro-Empreendedor” a nível nacional, Arsénio Lopes defende "o reforço da união entre os criadores de gado e produtores de cereais, entre outros produtos hortofrutícolas, com vista a tornar o país auto-sustentável”.

 

  VALORIZAÇÃO DA PRODUÇÃO NACIONAL
Baixos preços aumentam procura do feijão

Mais de 10 mil toneladas de feijão estão a ser escoadas para os diversos mercados formais e informais do Lubango, Namibe, Ondjiva (Cunene) e Benguela pelos agricultores dos municípios da Matala, Chicomba, Chipindo, Cacula, Caconda e Jamba, da província da Huíla, segundo os responsáveis do Gabinete de Desenvolvimento Económico Integrado.

O facto avançado pelos diversos responsáveis presentes na Expo-Huíla dá nota ainda de que a maioria dos comerciantes se deslocam aos municípios produtores da província da Huíla para a aquisição directa do feijão com a vantagem de comprar a preços mais acessíveis uma vez ir ao encontro da fonte.

Para o director municipal do Desenvolvimento Económico Integrado da Cacula, Henrique Januário, é de enaltecer a organização da Expo-Huíla, por dar a oportunidade de aproximar mais  os  produtos do campo aos consumidores e clientes, assim como estreitar mais os laços comerciais.

Henrique Januário enfatizou que não é apenas o feijão que regista muita procura no município em referência, mas também o milho, massango, massambala e o mel natural.

"A procura no local do cultivo tem a vantagem dos produtores não terem custos com transportação e outros encargos, assim como favorece ao cliente a adquirir a preços mais acessíveis”.

Já o director do Desenvolvimento Económico Integrado da Matala, Tomás Isaque, enalteceu as acções em curso no perímetro irrigado do município em referência, pois além de diversificar o cultivo à escala industrial, está a permitir o cultivo de arroz com qualidade reconhecida.

"As quantidades consideráveis de arroz produzidos há quatro anos por um grupo de empresários chineses têm sido escoados para os mercados de Lubango, Benguela, Huambo e Cuanza-Sul”, disse, para destacar que a cultura do feijão tem sido a mais procurada por compradores de vários pontos da Região Sul.

Tomás Isaque enalteceu as cooperativas produtoras dos largos espaços de lavoura do perímetro irrigado da barragem da Matala que apesar do canal carecer já de obras de requalificação, continua a fazer que a produção agrícola seja feita de forma ininterrupta devido à existência de água em todas as épocas.

 

Preços favoráveis

Urge referir que a procura pelo feijão e outros produtos do campo expostos na feira tem a ver com facto de os preços serem acessíveis com destaque ao feijão que está cotado a 350 kwanzas o quilograma, o milho, o massango e a massambala são comercializados a 170 kwanzas, respectivamente.

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