Cultura

Josephine Baker será a primeira mulher negra no Panteão francês

A célebre cantora e bailarina franco-norte-americana Josephine Baker passará, a 30 de Novembro, para o Panteão de Paris, tornando-se na primeira mulher negra nesse templo de grandes personalidades veneradas pela República Francesa.

24/08/2021  Última atualização 02H40
Panteão dos heróis franceses recebe a primeira mulher negra © Fotografia por: DR
O Le Parisien revelou do-mingo que o Presidente francês, Emmanuel Macron, decidiu distinguir a artista (1906-1975) ao responder afirmativamente em Julho ao pedido de autorização que lhe foi apresentado.

Segundo o Palácio do Eliseu - citado pelo jornal - o que determinou a entrada de Josephine Baker no Panteão foi o seu "compromisso" e o facto de ter decidido lutar pela França envolvendo-se na resistência à ocupação nazi durante a Segunda Guerra Mundial.

Igualmente contribuiu a sua participação na grande marcha de Washington, em 1963, em prol dos direitos civis dos negros juntamente com Martin Luther King, durante a qual se apresentou de uniforme militar e com as suas medalhas de guerra.
Trata-se de reconhecer o compromisso de uma mulher que foi ícone e uma militante em prol da liberdade e da igualdade, que se distinguiu pelo seu activismo na resistência francesa à ocupação nazi.

Na petição para reconhecer o excepcional da biografia de Josephine Baker recordava-se ter sido a primeira estrela internacional negra no mundo do espectáculo, musa de artistas cubistas, resistente com o Exército francês, que lutou nos Estados Unidos pelos direitos civis dos negros juntamente com Martin Luther King, mas também pela França.

Macron recebeu em 21 de Julho uma delegação dos defensores da entrada no Panteão de Josephine Baker, entre os quais o escritor Pascal Bruckner, a cantora Laurent Voulzy, a empresária Jennifere Guesdon e Brian Bouillon-Baker, um dos filhos adoptivos da artista.

A data para formalizar a entronização no templo dos "grandes homens” da República - segundo a inscrição gravada na pedra - foi feita para coincidir com a do seu casamento com Jean Lion (em 1947), o que lhe per-
mitiu obter a nacionalidade francesa.

Das 80 personalidades actualmente no Panteão apenas cinco são mulheres. A última a entrar, em 2018, foi Simone Veil, sobrevivente dos campos de concentração nazi e que como ministra foi quem impulsionou, em 1975, a legalização do aborto em França.

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