Especial

José M. Neves promete ser um “árbitro imparcial”

Béu Pombal

Jornalista

O Presidente eleito de Cabo Verde, José Maria Neves, garante que vai ser o Presidente de todos os cabo-verdianos e assumirá o cargo com toda a serenidade e responsabilidade.

19/10/2021  Última atualização 05H20
© Fotografia por: DR
"Recebo esta victória  com grande humildade, que sempre me caracterizou, e assumo como missão servir Cabo Verde'', afirmou, na sede da sua candidatura, momentos depois das projecções dos resultados que o catapultaram para a Presidência da República.

Apoiado pelo partido PAICV, o novo Chefe de Estado, eleito na primeira volta, com 51,5 por cento dos votos, disse que está diante de "uma grande responsabilidade, que é presidir a nação cabo-verdiana". Realçou que a sua eleição é uma "grande victória do povo cabo-verdiano"

Na sua primeira intervenção pública, depois de eleito Presidente do país, José Maria Neves asseverou que vai ser um árbitro imparcial, um fiscalizador da acção governamental, um apaziguador de conflitos e um Presidente que irá colaborar com as autoridades locais e a sociedade cabo-verdiana, para juntos fazerem face aos desafios que o país tem pela frente.
"Serei um Presidente que irá sugerir, aconselhar, apoiar outros órgãos de soberania, particularmente, o Governo. Um Presidente que irá dialogar com todos, desde logo os partidos políticos e sindicatos, as fundações, as universidades e todas as instituições relevantes de Cabo Verde", prometeu.

O Presidente eleito assegurou, na mesma senda, "mobilizar todas as competências de Cabo Verde, enquanto uma Nação na diáspora transacional e transmigrante", para colocá-las ao serviço do país.

"Esta candidatura é transversal e, por isso, serei, precisamente por isso, um Presidente de todos", sublinhou, agradecendo o apoio que recebeu do PAICV, dos militantes, dirigentes e amigos de outros partidos que trabalharam para o seu triunfo.
Antigo Primeiro-Ministro, José Maria Neves já ocupou cargos relevantes no PAICV. Foi presidente do partido, militante há cerca de 40 anos, deputado nacional, presidente de câmara (Santa Catarina) e ministro.

Cabo Verde já teve quatro Presidentes da República, desde a independência de Portugal, em 1975, sendo o primeiro o já falecido Aristides Pereira (1975 - 1991), por eleição indirecta, seguido do também já falecido António Mascarenhas Monteiro (1991 – 2001), o primeiro por eleição directa. Em 2001 foi eleito Pedro Pires e 10 anos depois Jorge Carlos Fonseca.

As anteriores presidenciais em Cabo Verde, que reconduziram o constitucionalista Jorge Carlos Fonseca como Presidente da República, realizaram-se em 2 de Outubro de 2016 (eleição à primeira volta, com 74% dos votos).

Mais votos em branco do que em cinco dos sete candidatos

 Mais de  2%  dos eleitores cabo-verdianos votaram em branco nas eleições presidenciais de domingo, equivalente a 4.265 votos e a mais do que a votação obtida por cinco dos sete candidatos que se apresentaram a sufrágio, avança a Lusa.

Segundo os dados da Direcção Geral de Apoio ao Processo Eleitoral (DGAPE) e da Comissão Nacional de Eleições (CNE), José Maria Neves contabilizava 95.221 votos, com 99,4% das mesas apuradas, enquanto o principal opositor, Carlos Veiga, também antigo Primeiro-Ministro (1991 a 2000), voltou a falhar a eleição, pela terceira vez (2001 e 2006), garantindo 78.142 votos, equivalente a 42,4%.

Os votos em branco nesta eleição representaram 2,2% dos boletins em urna, votação que registou ainda uma taxa de abstenção de 52%, com 190.325 eleitores a votarem no arquipélago e na diáspora.

Professor universitário, José Maria Neves, 61 anos, contou nesta candidatura com o apoio do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição), que liderou e pelo qual foi Primeiro-Ministro cabo-verdiano de 2001 a 2016.

Nestas sétimas eleições presidenciais, o candidato Casimiro de Pina arrecadou 3.321 votos (1,8%), Fernando Rocha Delgado 2.514 votos (1,4%), Hélio Sanches 2.112 votos (1,1%), Gilson Alves 1.552 votos (0,8%) e Joaquim Monteiro 1.374 votos (0,8%).

Esta foi a primeira vez que Cabo Verde registou sete candidatos a Presidente da República em eleições directas, depois de até agora o máximo ter sido quatro, em 2001 e 2011.

Estas eleições encerram o ciclo eleitoral iniciado em 25 de Outubro de 2020, com as autárquicas, que prosseguiu em 18 Abril passado, com as legislativas, sempre com a aplicação de medidas de protecção sanitária, como a utilização de máscara e desinfeção obrigatória à entrada das assembleias de voto, devido à pandemia de Covid-19.

Estavam inscritos para votar nos 22 círculos eleitorais do país 342.777 eleitores, enquanto os 16 círculos/países no estrangeiro contavam 56.087 eleitores recenseados, totalizando assim 398.864 cabo-verdianos em condição de votar.
A estas eleições já não concorreu Jorge Carlos Fonseca, que cumpre o segundo e último mandato como Presidente da República.

As eleições presidenciais de Cabo Verde foram acompanhadas em todo o país por 104 observadores internacionais, sendo 30 da União Africana, numa missão liderada pelo diplomata e antigo ministro angolano Ismael Gaspar Martins, 71 da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e três da embaixada dos Estados Unidos da América na Praia.

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