Política

José Cola: A estrela que fazia a fotografia brilhar!

Alberto Quiluta

Jornalista

As lágrimas invadiam o rosto da pequena Priscila Cola, de 12 anos, quando descrevia a relação que manteve com o pai, o fotojornalista José Figueira Cola, falecido domingo, por doença, e sepultado, ontem, no Cemitério de Sant’Ana.

17/09/2021  Última atualização 07H35
© Fotografia por: DR
Em meio a soluços, a menina referiu ser difícil falar do pai, mas considerou-o uma bênção e a estrela que Deus tinha colocado em sua vida. "Só Deus o saberá explicar”, disse Priscila Cola.

Apesar dos percalços da pouca experiência que teve com o progenitor, a garota manifestou-se grata por Deus ter colocado José Cola no seu caminho e assumir a missão terrena de ser o melhor pai que podia ter.

"Em 12 anos, aprendi tudo de melhor para ser o que sou hoje, pois, ensinaste-me a viver e nada na vida começa por acaso. E, se aconteceu porque Deus colocou um propósito dentro da minha vida e de todos nós”, salientou Priscila, que não resistia aos choros enquanto lia a sua mensagem de despedida ao pai.

"Amo-te pai. E, com o tempo, saberás que temos um grande amor por ti que nunca se apagará”, confessou a menina Priscila Cola, no fim da sua mensagem fúnebre, lida diante familiares, amigos e colegas do profissional, considerado um dos melhores da sua área de actuação.

E, foi nesse ambiente de tristeza, consternação e inconformismo que o corpo do fotojornalista José Cola, da Edições Novembro, editora do Jornal de Angola, Jornal dos Desportos e de outros títulos, conheceu uma nova morada. Aliás, a sua última morada.Antes desse momento doloroso, uma série de mensagens foram lidas, em que se enalteceram as qualidades profissionais de José Cola, cujo percurso ficou marcado pela honestidade, transmissão de valores e grande dedicação à família e ao trabalho.

É o caso do Vice-Presidente da República, Bornito de Sousa, que endereçou uma mensagem de condolências, onde considerou que "a morte do fotojornalista deixa um insuprível vazio no seio familiar, em particular à esposa e filhos, e entre colegas e companheiros da Edições Novembro.O Vice-Presidente realçou que o infortúnio também abala profundamente a classe dos profissionais do fotojornalismo angolano, da qual o malogrado foi um dos mais destacados impulsionadores através da ARIA.  

Para os trabalhadores da Edições Novembro, na voz do jornalista Faustino Henriques, Zé Cola é considerado um profissional que revolucionou a fotografia no Jornal dos Desportos e contribuiu para um novo modelo de fecho da edição diária.

Sublinhou-se que a dimensão fotográfica de José Cola atingiu fóruns de uma verdadeira instituição, na medida em que deixou as marcas de vários trabalhos, com realce para a capa do célebre livro "Trumunu”, produto da lente de Zé Cola.A Edições Novembro reconheceu que se perdeu um grande profissional, que formou várias gerações, muitos desses a "dar cartas” ao nível do Jornal de Angola, Jornal dos Desportos, Angop e TV Zimbo.

Ao recordar José Cola como membro activo da Associação dos Jornalistas Desportivos, Faustino Henriques concluiu que o fotojornalista representou o país em várias actividades oficiais e não oficiais, bem como ganhou distinções, com destaque para o Prémio Maboque de Jornalismo, Prémio Nacional de Jornalismo, Prémio de Jornalismo Coca-Cola, entre outros.Os amigos do Sambizanga descreveram Cola como uma pessoa de trato fácil e batalhador. "Não acreditamos que partiste para eternidade nem o porquê desta ida eterna de forma prematura”.

Nessa mensagem, também, foi lembrado Zé Cola, como era conhecido pelos mais próximos, como um exímio jogador de futebol. Para homenageá-lo e provar essa paixão pelo desporto, os amigos do Sambizanga expuseram fotografias do Girabairro, com imagens captadas pelo próprio homenageado.
 Impulsionador incansável

Miquéias Machangongo, em representação das associações profissionais, o também membro da Associação dos Repórteres de Imagem de Angola (ARIA), reconheceu a dimensão humana de um camarada que dificilmente pensou em desistir dos sonhos.Acrescentou que "foi com a mestria de José Cola que ajudaram que a ARIA fosse reconhecida a nível nacional e internacional, com destaque para países como Portugal, Brasil e Cabo Verde”.

Machangongo referiu que Cola foi um mestre para muitos e prometeu que seus ensinamentos continuarão a ser tidos em conta.Pela Comissão da Carteira e Ética, o jornalista Honorato Silva lembrou José Cola como um fotógrafo avantajado, que permitiu alcançar os melhores ângulos da fotografia.

António Muachilela, da Federação Angolana de Futebol (FAA), disse que foi com estado de consternação e tristeza que a direcção dessa organização tomou conta do falecimento do categorizado fotojornalista da Edições Novembro.Referiu que Zé Cola era reconhecido pelo trabalho profissional, daí ter merecido inúmeras condecorações e vencer muitos prémios. "Fazia-nos chegar as imagens que tinham um olhar que ajuda a construção de uma realidade. São, afinal, imagens que não se apagarão”.António Muachilela explicou que a FAF orgulha-se de possuir inúmeras imagens captadas, ao longo da carreira de José Cola, tanto a nível do Girabola como de outras competições, com realce para o CAN, realizado em Angola.
  "Ele era a alegria radiante” 

Na mensagem lida pela família, Zé Cola foi apresentado como um homem de mil facetas, que dispensava apresentações e elogios. "Com defeitos, tal como todos nós, ele nunca deixou ofuscar a sua grande figura, que, por onde quer que passasse, transbordava alegria, pela sua forma de ser brincalhão, chato, teimoso, mas, acima de tudo, amigo dos seus e um verdadeiro companheiro”.

José Figueira Cola ingressou aos quadros da Edições Novembro, em 1997, com a categoria de fotógrafo de terceira. Antes de ser fotojornalista era fotógrafo amador. Teve ainda experiência de docência no ensino primário, no Distrito do Sambizanga, durante mais de 20 anos. Nascido, em Calandula, província de Malanje, no dia 5 de Setembro de 1971, José Cola terminou o ensino médio na Escola Garcia Neto, em Luanda, entre 1993 e 1994.

Até à data da sua morte era estudante do 4º ano do curso de Comunicação Social da Universidade Privada de Angola.O funeral do fotojornalista José Figueira Cola, que deixa viúva e 12 filhos, foi antecedido de uma missa de corpo presente, no Velório da Polícia Nacional, em que participaram familiares, amigos e colegas.


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