Economia

Jornalistas melhoram noções sobre reportagem económica e financeira

Um grupo de jornalistas angolanos de diferentes órgãos de comunicação social participou, em Maputo, Moçambique, numa acção de formação sobre “Reportagem Económica e Financeira” promovida pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), onde mantiveram importantes debates sobre a cobertura e divulgação de notícias.

06/10/2019  Última atualização 11H11
Cedida © Fotografia por: Jornalistas angolanos e moçambicanos absorvem conhecimentos para lidar com os mecanismos de comunicação do FMI

No seminário, que foi orientado por técnicos da Reuters Foundation, parceira do FMI nessa acção, juntou profissionais angolanos e moçambicanos, representando uma oportunidade para a melhoria da abordagem de questões macroeconómicas e financeiras internacionais.

Em sessões de oito horas, durante quatro dias, grupos mistos (angolanos e moçambicanos), submeteram-se a vários exercícios sobre “Ângulos de notícias na cobertura económica”, “Economia: principais indicadores”, “Da expansão à contracção: construção de um ciclo”, “Consolidação orçamental e política monetária”, seguidos de exaustivos debates gerais, que se estenderam às manchetes e títulos.
A mesma metodologia foi usada no debate sobre a “Gestão de recursos naturais e política orçamental”, “Credibilidade jornalística” e “Como compor uma história utilizando dados”.
Houve debates particularmente “acesos”, com contribuições do representante do FMI em Moçambique sobre “Mercados de capitais – Moedas e obrigações” e “Reestruturação de dívida”. Com uma grande riqueza de conteúdos, o seminário foi, também, um espaço para a necessária troca de experiências entre moçambicanos e angolanos.

Comunicação do FMI

Os jornalistas aprenderam sobre a estratégia de comunicação do FMI que, com o Banco Mundial, faz parte das instituições fundadas em 1945 em Bretton Woods, Estados Unidos. Uma apresentação resumida, feita pela assessora sénior de Comunicação do Fundo Monetário Internacional, Lucie Mboto Fouda, uma antiga jornalista dos Camarões baseada na sede do FMI, em Washington, serviu para desconstruir a imagem “fechada” que se tinha da instituição.
Os profissionais foram, assim, “municiados” sobre os canais de comunicação do FMI com a media, até aí muito complexas para a maioria. Nada mais enganador: os jornalistas têm um vasto volume de informações sobre assuntos que incluem, por exemplo, a supervisão, os empréstimos e a assistência técnica que a instituição presta aos países-membros.
Essa temática foi seguida “muito atentamente” durante a acção de formação que contou com a assistência logística do Banco de Moçambique, que pôs à disposição dos jornalistas uma confortável sala, incluindo um impecável serviço de tradução. Explicado até a exaustão, foi o mecanismo de acesso dos jornalistas ao World Ecocomic Outlok (WEO), que o Fundo Monetário publica com periodicidade trimestral.
O WEO incide a sua abordagem nas estimativas e projecções sobre o PIB (Produto Interno Bruto) das principais economias, para os próximos dois anos, previsões sobre o crescimento do comércio global, preço das commodities e da inflação da taxa Libor (Lond Interbank Offered Rate).
Trata-se de uma taxa diária, calculada com base nas taxas de juro oferecidas para grandes empréstimos entre bancos que operam no mercado de Londres, cuja versão definitiva data de 1986.
As observações do Conselho de Administração do FMI sobre o “exame da saúde” anual das economias dos países-membros e condensadas num comunicado de imprensa são outras das actividades de supervisão da instituição que podem ter cobertura jornalística, ao lado dos relatórios sobre Perspectivas Económicas Regionais.

Assistência Técnica

Matéria muito questionada pelos jornalistas em Maputo foi sobre como o Fundo Monetário Internacional “cobra” dos países a aplicação das recomendações que resultam da assistência técnica que concede, no que foi explicado que as observações feitas pelo Conselho de Administração da instituição sobre o desempenho das economias dos 189 membros são resumidas num comunicado de imprensa, facilmente acessível pelo website da instituição.
Ouvir conceitos como “Carta de Intenções”, que resume as medidas propostas pelos Governos, os relatórios técnicos sobre as avaliações das economias, também disponíveis online, algo que facilita a consulta dos jornalistas, foi considerado de extrema valia pelos profissionais, durante quatro dias reunidos no 18º andar da sede do Banco de Moçambique.
Aos jornalistas económicos foi, também, garantida a cobertura de matérias condensadas num relatório sobre a estabilidade financeira mundial que disponibiliza uma avaliação dos mercados mundiais e examina o financiamento dos mercados emergentes e as perspectivas económicas das regiões e sua evolução.
Em média, cerca de mil jornalistas vão todos os anos a Washington para cobrir seminários e conferências de das duas instituições de Bretton Woods, sendo que, para os de países de baixo rendimento, há um programa específico.

Definição da actuação das instituições de Bretton Woods

O último dia do seminário foi dedicado a explicações detalhadas sobre o FMI e o Banco Mundial. O primeiro tem, na essência, a função de incentivar a cooperação monetária mundial, assegurar a estabilidade financeira, facilitar o comércio internacional e promover o emprego e crescimento sustentável e reduzir a pobreza.
O FMI também está centrado em conselhos de política económica, assistência técnica e ajuda financeira a curto e médio prazo (na forma de empréstimos), enquanto o BM privilegia a promoção do desenvolvimento económico a prazos alongados, redução da pobreza, construção de infra-estruturas e fornecimento de ajuda financeira (donativos e empréstimos a longo prazo).
As diferenças vão até ao recrutamento do seu pessoal, com o FMI a optar por economistas e o BM em especialistas nos mais variados sectores.
A formação sobre “Reportagem Económica e Financeira” permitiu um conhecimento mais elaborado da “máquina” que move o FMI a partir da sua sede, em Washington. No topo de pirâmide da instituição há um Conselho de Governadores, composto pelos ministros das Finanças dos países-membros, que se reúnem uma vez por ano.
Um grupo decisor do FMI, um Comité Monetário e Financeiro Internacional com 240 membros que se reúnem duas vezes e um Conselho de Administração, com igual número de membros, mas que se encontram três vezes todos os anos fazem parte dessa estrutura. Foi explicado que existe um sistema de quotas em função da pujança económica dos Estados, poder de voto e acesso ao financiamento.

 

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