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Jornalistas detidos por talibãs por cobrirem protestos

Dois jornalistas afegãos ficaram com feridas e hematomas, depois de espancados e detidos durante horas, por combatentes dos talibãs. Tudo porque estavam a fazer a cobertura de protestos em Cabul, capital do Afeganistão.

10/09/2021  Última atualização 09H20
Dois jornalistas afegãos ficaram com feridas e hematomas © Fotografia por: DR
Os dois foram detidos durante uma manifestação, na quarta-feira, e levados para uma esquadra da polícia, em Cabul, onde dizem ter sido agredidos e espancados com cassetetes, cabos eléctricos e chicotes, após terem sido acusados de organizar o protesto.

"Um dos talibãs colocou o pé na minha cabeça, esmagou o meu rosto contra o cimento. Deram-me pontapés na cabeça. Pensei que me iam matar”, disse o fotógrafo Nematullah Naqdi, à AFP.

Na quarta-feira à noite, os talibãs declararam as manifestações ilegais, a menos que fosse dada permissão pelo Ministério da Justiça. Naqdi disse que foi abordado por um combatente dos talibãs, assim que começou a tirar fotos. "Disseram-me: ‘não pode filmar’”, relatou. "Prenderam todos os que estavam a filmar e apreenderam os telefones”, contou à AFP.

Disse ainda que o elemento dos talibãs tentou agarrar a sua câmara, mas conseguiu entregá-la a alguém que estava na multidão.
No entanto, três combatentes dos talibãs conseguiram detê-lo e levaram-no para a esquadra onde terá sido agredido. As autoridades talibãs não responderam aos repetidos comentários da AFP.
"O talibã começou a insultar-me, a dar-me pontapés”, disse Naqdi, acrescentando que foi acusado de ser o organizador da manifestação.

O jornalista pretendeu saber a razão pela qual estava a ser espancado, apenas para ouvir: "tem sorte de não ter sido decapitado”.
Naqdi acabou por ser levado para a cela que estava cheia, onde encontrou o seu colega Daryabi, que também tinha sido preso e espancado. "Sentíamos tanta dor que não nos podíamos mexer”, disse Daryabi.
Poucas horas depois, a dupla de jornalistas foi libertada sem explicação, mas com vários insultos pelo meio. Para Taqi, os talibãs consideram os jornalistas inimigos.

Os talibãs alegaram que iriam apoiar a liberdade de imprensa - de acordo com princípios islâmicos não especificados -, embora os jornalistas sejam cada vez mais perseguidos por fazerem a cobertura de protestos em todo o país.

Nos últimos dias, dezenas de jornalistas relataram ter sido espancados, detidos ou impedidos de fazer a cobertura dos protestos, uma demonstração de resistência impensável, tendo em conta o último regime dos talibãs na década de 1990.

Os protestos estão a ser um teste inicial para os talibãs, que, após assumirem o poder, a 15 de Agosto, prometeram um Governo mais tolerante e que vão trabalhar pela "paz e prosperidade do país".

Zaki Daryabi, chefe do jornal Etilaat Roz, disse que as palavras dos talibãs soaram vazias. "Este discurso oficial é totalmente diferente da realidade que se pode observar no terreno", disse à AFP.

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