Opinião

Jornalismo de Investigação, a predisposição para escavar

O Jornalismo de Investigação surge nos Estados Unidos, após a Segunda Guerra Mundial. Nessa altura, os jornalistas norte-americanos passaram a exercer uma postura crítica perante o Governo dos Estados Unidos.

23/04/2022  Última atualização 07H25

As reportagens de Seymour Hersh sobre a Guerra do Vietname (1970), bem como o caso dos Pentagon Papers (1971) e a célebre cobertura do caso Watergate (1972) marcam uma nova época no jornalismo de investigação. É sobretudo a partir deste momento que se começa a falar efectivamente de Jornalismo de Investigação.

Na sua essência, tem por objectivo alcançar uma sociedade melhor, garantindo o apuramento isento de factos, pois "a verdade não prescreve”, conforme afirma Alexandra Borges, que tem dedicado a sua carreira ao jornalismo de investigação. No fundo, "o que separa o jornalista quotidiano do jornalista de investigação é a predisposição para escavar”.

Esta forma de fazer jornalismo pressupõe a análise minuciosa dos factos, durante o tempo necessário, até esclarecer todos os meandros, possíveis ângulos, pontos de vista e possíveis envolvidos. O Jornalismo de Investigação é também conhecido por "Jornalismo de Precisão”, uma vez que implica informações precisas, sem distorções, com a utilização exacta dos termos cuidadosamente selecionados e sem citações fora de contexto. Conforme afirmou Gabriel García Márquez: "A ética deve acompanhar sempre o Jornalismo, tal como o zumbido acompanha o besouro.”

Atrevo-me a dizer que o Jornalismo de Investigação só é possível quando é protagonizado por profissionais de grande coragem, que não temem consequências, nem represálias decorrentes dos casos que trazem à luz da verdade imparcial, isenta, sem condicionantes, nem deturpações. Neste grupo, temos bons jornalistas e queremos mais Jornalismo de Investigação, porque acreditamos que pode fazer toda a diferença no Estado de Direito.

O Jornalismo de Investigação promove uma sociedade mais justa, mais ética, mais verdadeira e com esperança num futuro melhor. Uma sociedade onde se respira melhor, sem corrupção e onde se respeitam integralmente os direitos humanos.

Em jeito de conclusão, cito Cláudio Abramo: "o Jornalismo é, antes de tudo e sobretudo, a prática diária da inteligência e o exercício quotidiano do carácter.”


 Marco Galinha |*

*Presidente do Conselho de Administração da Global Media Group.

Texto publicado no jornal Diário de Notícias.

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