Cultura

Jorge Mulumba participa em residência artística

Analtino Santos

Jornalista

O músico e pesquisador cultural Jorge Mulumba participou, de 19 a 31 do mês passado, numa residência artística, na cidade de Brindis, Apúlia, Sul da Itália, que resultou em dois concertos.

08/08/2022  Última atualização 10H42
Jorge Mulumba (segundo à direita) transmitiu a sua experiência em residência artística © Fotografia por: DR

Já em Luanda, desde sábado, o instrumentista falou em exclusivo, ao Jornal de Angola, sobre a experiência vivida na Itália.

Jorge Mulumba reconheceu que "a residência artística foi fruto da bolsa de mobilidade  no âmbito do Procultura, programa para empregabilidade artística que é subvencionado pela  Fundação Calouste Gulbenkian e o Instituto Camões IP, numa parceria com a plataforma cultural Laboratório Quintal de Itália, coordenada por Nina Baratti.  Nela desenvolvi uma residência com intercâmbio ligado à música tradicional de Angola e da Itália durante duas semanas”.

Quanto aos concertos disse que foram realizados dois, sendo o primeiro no dia 24 de Julho, na cidade de Zollino, com o músico e percussionista Alessandro Chiga e o baixista acústico Giuseppe Spedicato. O segundo, o último concerto, aconteceu a 27 de Julho, no Museu de Arqueologia Castro Mediano, com o músico percussionista Geovani Martello e o sanfoneiro Cláudio Prima. Ambos concertos tiveram a participação dos jovens da Gâmbia, um grupo de refugiados, e o maestro do saxofone Alberto.

O artista angolano considera positiva a experiência porque encontrou músicos profissionais e comprometidos com a pesquisa de novas sonoridades. "Eles são artistas que já passaram por África e têm até trabalhado com a música do continente africano”.

Em relação à continuidade do projecto, Jorge Mulumba afirmou que "agora estamos a trabalhar e evidenciar esforços com a Embaixada da Itália em Luanda para possíveis apoios para que estes artistas possam vir a Angola e partilhar experiências com colegas angolanos”.

Recentemente nomeado embaixador em Luanda para a plataforma cultural Laboratório Quintal, Jorge Mulumba está a trabalhar no processo de intercâmbio cultural, por forma a garantir a sua continuidade.

Falando da participação de Nina Baratti, etnomusicóloga italiana, uma das responsáveis do Laboratório do Quintal, o instrumentista angolano salientou que "foi ela que quando sugeri a minha residência lá na Itália, depois da Fundação Calouste Gulbenkian financiar a residência, pôs logo a questão na mesa para acontecer na Itália”.

Nina Baratti tem trabalho em pesquisas sobre instrumentos musicais angolanos e colabora em projectos como os Meninos da Fubu e o grupo  tradicional Nguami Maka.

O artista tem participado em várias residências artísticas e formações internacionais, sendo as mais recentes no Brasil e África do Sul. Jorge Henrique Mulumba, hoje herdeiro cultural do seu tio Kituxi, do grupo folclórico Kutuxi e seus acompanhantes, notabilizou-se no seu grupo Nguami Maka, uma espécie de ala juvenil do grupo Kituxi, onde actualmente é o líder. Canta, compõe e toca puíta, hungu, dicanza, ngoma, caixa, quissanje e outros instrumentos de matriz angolana. Tem participado em vários projectos musicais e acompanhado referências na música nacional como Bonga, Paulo Flores, Yuri da Cunha e experimentando sonoridades como o jazz e outras tendências internacionais.

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