Entrevista

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João Saveia: “A pandemia da Covid-19 veio reforçar a importância da actuação do psicólogo”

João Saveia, professor, investigador e um dos mais destacados especialistas em Psicologia Organizacional e do Trabalho, acompanha com algum entusiasmo a necessária actuação dos seus colegas. Além da consciencialização das comunidades sobre os efeitos da doença e os cuidados a ter, estão a dar “suporte psicológico aos indivíduos, famílias e aos próprios profissionais de Saúde.

27/08/2020  Última atualização 01H41
Edições Novembro

A pandemia está a mudar tudo. E o trabalho não é excepção. Como tem acompanhado essas transformações?

A pandemia da Covid-19 exigiu, dos vários Estados, respostas como quarentena e confinamento prolongados, encerramento de instituições, isolamento social, tendo provocado mudanças abruptas no quotidiano organizacional. Repentinamente, milhares de pessoas tiveram as suas rotinas alteradas de forma substancial. O trabalho remoto precisou de ser adoptado, sem, no entanto, a necessária preparação. As casas não estavam preparadas para o efeito e, como tal, não comportam as demandas advindas das organizações. O espaço doméstico passou a ser também espaço de trabalho, tornando confuso o tempo de trabalho e o tempo do não-trabalho, isto é, o tempo para a família e para o lazer. Quando o trabalho e o espaço doméstico se sobrepõem, perspectivas negativas do trabalho são salientadas, principalmente para as mulheres.

Uma gestão difícil...?

As actuais jornadas de trabalho de muitas pessoas, ao serem exercidas em casa, têm exigido adaptação a novas formas de execução do trabalho e de gestão do tempo, obrigando-as a lidar com questões psicológicas e estruturais. Em relação ao mercado de trabalho, todos os dias deparamo-nos com situações de demissão de trabalhadores e de redução de salários e suspensão de contratos, em, praticamente, todos os sectores. Há um aumento exponencial do desemprego. Situação crítica também é vivida no sector informal da economia, onde mesmo antes da pandemia boa parte dos que aí ganham o seu pão já o faziam em condições precárias e com remunerações muito baixas, o que, de certa forma, reflecte as desigualdades vivenciadas no país, que vêm agravando neste período da Covid-19.

Se, por um lado, aumenta o desemprego, por outro, é notável ou se prevê um aumento da precariedade nas relações laborais. Que respostas sugere para minimizar esse quadro?

A pandemia veio agravar a crise financeira e aumentar os níveis de desemprego no país, sendo que tudo indica que resultará num aumento exponencial da precariedade das relações laborais. A tendência é que cresça o número de trabalhadores por conta própria e na informalidade. A ausência de políticas de amparo dos trabalhadores e das pessoas mais vulneráveis deixa-nos numa situação delicada. A pandemia veio mostrar-nos a fragilidade dos nossos sistemas de segurança social e de saúde, fundamentais para enfrentarmos situações como as que estamos a viver. Logo, como país, precisamos de trabalhar seriamente para o fortalecimento destes sistemas e trazer para a mesa de debate temas como a criação de legislação que garanta saúde e segurança social para os trabalhadores em condições de informalidade. Em outras palavras, é necessária a transformação da actual situação, de tal forma que possam ser minimizados os efeitos negativos sobre a vida dos trabalhadores mais desfavorecidos. Aproveitamos este espaço para apelar aos empregadores a abandonarem a instrumentalização do medo, isto é, deixarem de fazer uso do medo que têm trabalhadores de perder o emprego, como mecanismo indutor e fundamentador de práticas violentas de controlo social, colocando os trabalhadores em situação de mendicância, com medo de perderem os seus empregos, almejados por exércitos de desempregados.

Apesar de tudo, e para combater a Covid, há redução das horas de trabalho e equipas que agora se revezam. Esse benefício psicológico de ter horas livres durante a semana laboral é expectável que permaneça mesmo depois da pandemia?

Creio que permanecerá, em alguns casos, a flexibilidade de horário e o trabalho remoto, mas não a diminuição de trabalho e muito menos o aumento de horas livres. Os empregadores vão percebendo que é possível as organizações terem produtividade sem a presença física permanente dos trabalhadores, mas não abrem mão das horas que devem ser dedicadas ao trabalho, nem da produtividade, onde quer que o trabalhador esteja. Todas estas hipóteses de flexibilidade de horário de trabalho e de trabalho remoto, no entanto, devem ser devidamente programadas. Conciliar demandas do trabalho, domésticas e pessoais, num mesmo espaço faz aumentar o gasto de energia e pode elevar os riscos de adoecimento mental e físico. Diante disso, é importante que os empregadores não olhem apenas para a redução dos custos com a implementação do teletrabalho, mas que também criem condições para a sua implementação, protegendo os trabalhadores dos riscos de adoecimento e capacitando-os para lidarem com esta nova forma de organização do trabalho.

As horas de trabalho a que muitos se dedicam não representam, efectivamente, a produtividade, aliás, ficam muito abaixo, se comparadas com os países da região Austral. Empresas notam agora que, com pessoal reduzido, a actividade mantém-se, sem sobressaltos...

É possível falarmos em duas realidades. Numa primeira, mais próxima de alguns organismos da Função Pública, onde de facto há muitos trabalhadores a fazerem pouca coisa, e noutra realidade, mais próxima do sector privado da economia, onde temos poucos trabalhadores a produzirem bastante. Se, na primeira realidade, a redução da mão-de-obra pode não ter tanto efeito assim, na segunda terá um efeito severo para os trabalhadores, na medida em que serão obrigados a trabalhar o dobro para manter os níveis de produtividade da empresa. O que na verdade está a acontecer, em muitos casos, é a redução do pessoal no espaço físico da organização, mas com quase todos os colaboradores a trabalharem no domicílio e de forma mais intensa. Logo, devemos ter algum cuidado ao afirmar que as empresas mantiveram a mesma produtividade com menos trabalhadores.

Estamos a trabalhar com elevada ansiedade, fruto das incertezas da pandemia. Como reduzir as consequências desse mal no trabalho?

Numa recente entrevista, fizemos questão de referir que, diante da situação de pandemia, algumas reacções emocionais são esperadas, como, por exemplo medo, stress, frustração, culpa, raiva, exaustão, ansiedade, desamparo, desesperança, tristeza, irritabilidade, fadiga, insónia, alteração do apetite e uso abusivo do álcool. Além disso, como as pessoas estão a conviver mais em família, o que poucas vezes acontece, em muitos lares têm surgido conflitos de relacionamento, sendo graves em alguns casos. Temos também profissionais da “linha da frente”, das actividades consideradas essenciais, como os da saúde, da segurança pública, dos bombeiros, da Comunicação Social, da limpeza, etc., que seguem as rotinas, apesar do distanciamento social. Estes têm o sofrimento agravado; sofrem os efeitos psicológicos do medo do contágio e do medo de contagiar os seus familiares.

Como reduzir esse medo, como lidar com a situação?

O que podemos dizer é que tudo isso são reacções esperadas em situações como as que estamos a viver, mas temos de superar, se necessário, buscando ajuda profissional. Logo, o primeiro conselho que podemos dar é reconhecer que sentir medo, sentir-se stressado, confuso, amedrontado, com raiva, são reacções típicas do momento que estamos a viver. Não somos os únicos a desenvolver tais reacções e não precisamos de buscar desenfreadamente automedicação. Em segundo lugar, e considerando o facto de que boa parte das reacções emocionais acabam por ser provocadas pela informação que vamos recebendo de várias fontes, recomendamos que se escolha um meio de informação que seja confiável. Ainda neste sentido, recomendamos que evitem ficar muito “presos” aos órgãos de informação, às constantes notícias. Em terceiro lugar, recomendamos a prática de exercícios mentais e físicos, envolvendo a família. Em quarto lugar, recomendamos evitar o consumo de álcool, de cigarros e de medicamentos não prescritos por especialistas. Por estarmos mais tempo em casa, estamos mais próximo destas drogas e mesmo o consumo moderado pode desembocar em mais e depois perdermos o controlo. Finalmente, recomendamos que reservem um tempo só para si, um tempo para meditação, um tempo para nos “desligarmos de tudo”.

Formas de organização de trabalho
propensas ao adoecimento mental

Em 2015, o senhor publicou um estudo sobre a formação e exercício profissional dos psicólogos no país. Hoje, como vê a regulamentação da profissão e o seu impacto na sociedade?

Em termos de formação, estamos entre as áreas mais ministradas no país, sendo um curso ofertado por muitas instituições de ensino superior. Porém, como todas as outras áreas de formação, ainda não existem normas gerais curriculares e as competências que devem ser passadas não estão claramente definidas. No exercício profissional, ainda nos deparamos com problemas no que diz respeito à regulamentação da profissão, o que enfraquece a actuação dos profissionais, ao mesmo tempo que abre espaço para que o seu exercício, em muitos casos, seja feito de forma pouco profissional, com práticas sem validade científica. Por outro lado, temos profissionais que não são formados em Psicologia a utilizarem técnicas próprias da Psicologia, o que é grave. Em termos de impacto, é cada vez mais evidente a importância do psicólogo para a sociedade. A pandemia da Covid-19 veio reforçar a importância da actuação deste profissional, quer na clínica, como no hospital, na escola, nas cadeias, nas organizações de modo geral e nas comunidades.


Ao lado dos médicos, estão psicólogos na resposta à pandemia, pelo menos na altura da comunicação do resultado positivo aos que são testados...

A Covid-19 potencializa o sofrimento psíquico, em parte pela facilidade de contágio e risco de morte, mas também pelo isolamento social e mudança drástica do estilo de vida. Este “desastre” mundial não é apenas um problema sanitário, é um problema que se repercute em todas as esferas da vida social e implica todas as pessoas, como se tem dito. Como era de esperar, os psicólogos, em todos os países, ingressaram na fileira dos profissionais da “linha de frente” no combate à Covid-19, quer seja na consciencialização das comunidades sobre os efeitos da pandemia e os cuidados a ter, como no suporte psicológico aos indivíduos, famílias e aos próprios profissionais da Saúde, muito afectados emocionalmente. Os psicólogos mobilizaram-se rapidamente, inclusive com a criação de serviços de atendimento online, disponibilizando o seu arcabouço teórico e prático. Nós estamos a unir forças com outros profissionais da Saúde para juntos tentarmos travar a contaminação e superar as consequências do adoecimento pessoal, emocional e social provocados pela pandemia.

Voltando à oferta dos cursos de Psicologia; refere, no estudo, que o maior número de formandos (40%) está na área organizacional e de trabalho, que é a sua especialidade. O que é que falta para que isso tenha impacto na saúde dos trabalhadores e das organizações?

Se dependesse só de nós, as organizações seriam lugares bem mais humanizadas. Temos estado a fazer a nossa parte, mas não basta a nossa vontade, é necessário que os gestores das organizações percebam a importância do nosso trabalho e das próprias pessoas para o desenvolvimento das organizações. O discurso dos gestores em relação aos recursos humanos é muito bonito, mas a prática, infelizmente, se tem distanciado muito. Os nossos trabalhos de consultoria e a nossa produção científica têm sido desenvolvidos no sentido de mostrar o papel e a importância do nosso fazer para as organizações. Convido os gestores a lerem as nossas obras, nelas encontrarão um suporte para a gestão dos seus recursos humanos.

Para amenizar os efeitos negativos da organização do trabalho, num dos seus livros, dá o exemplo de Carlos, que recorre ao álcool e o leva ao distúrbio psíquico. Nos diagnósticos que tem feito, que outros recursos e sintomas graves tem analisado?

No caso que apresentamos no livro “Psicologia Organizacional e do Trabalho”, um caso verídico, o distúrbio psíquico não advém do consumo de bebidas alcoólicas, mas sim da organização do trabalho a que estava submetido o trabalhador. Como o Carlos, muitos profissionais estão submetidos a formas de organização de trabalho propensas ao adoecimento mental. Em função das características que apresenta, o trabalho pode conter um carácter patológico, essencialmente quando se apresenta de forma repetitiva, “desumanizante”, humilhante e alienante. Em relação aos transtornos mentais que têm estado associados ao trabalho, destacamos a depressão, stress, burnout, ansiedade, fobias, esgotamento mental, dificuldade de concentração, distúrbios do sono, irritabilidade e alcoolismo.

Com esse quadro que apresenta, como ter a tão desejada e recomendável qualidade de vida no trabalho?

É necessário que as organizações implementem Programas de Qualidade de Vida no Trabalho, entendendo que estes têm como objectivo criar organizações mais humanizadas, mediante maior grau de responsabilidade e de autonomia no trabalho, aumento constante de feedback sobre o desempenho, maior variedade e adequação de tarefas e ênfase no desenvolvimento pessoal. Além disso, os programas de Qualidade de Vida no Trabalho procuram encorajar e apoiar hábitos e estilos de vida que promovam saúde e bem-estar entre todos os trabalhadores e suas famílias. Procuram ajudar os trabalhadores a modificar os seus estilos de vida em direcção a um óptimo estado de saúde, entendendo este como condição necessária para o alcance da qualidade e produtividade.

Refere que o crescimento de oferta de formação não acompanha a qualidade, sendo a mesma marcada por uma dissociação entre o ensino, a pesquisa e a prática, concluindo que “o país não está a formar profissionais capazes de construir a Psicologia, mas apenas de repeti-la”. Como corrigir isso?

Muitos profissionais da área ainda usam técnicas e concepções pouco conhecidas e de validade incerta, sem a necessária base científica. A actuação dos profissionais da área ainda é muito limitada. Apenas alguns, e muito timidamente, tentam ultrapassar o recrutamento e a selecção, mas param na formação e na avaliação de desempenho, deixando de contribuir mais efectivamente para a resolução dos problemas que envolvem as pessoas no mundo do trabalho. Algumas iniciativas, no entanto, vêm contrariando essa tendência. Uma dessas iniciativas é o Programa de Preparação para a Reforma (aposentação), que vem sendo desenvolvido por nós há nove anos. Para ultrapassarmos estes problemas, torna-se necessário que os profissionais da área tenham uma formação que contemple não apenas aspectos específicos da ciência psicológica, mas que forneça conhecimento abrangente sobre gestão, sobre organizações e sobre o ambiente no qual as organizações estão inseridas, com destaque para a cultura e as transformações do mundo do trabalho. Outros aspectos fundamentais são a prática de investigação científica e a realização de estágios durante o processo de formação. Estes últimos devem ser vistos como eixo central da articulação entre a teoria e a prática, entre a teoria e a realidade angolana.


Reforma: a recomendável condução de forma digna
e menos traumática

Desenvolve há nove anos o Programa de Preparação para a Reforma, que criou no seu “Centro de Estudos e Pesquisas”. Sabendo que há cada vez mais relatos que apontam para dificuldades de as organizações reformarem os seus trabalhadores, como é que essa iniciativa tem apoiado?

Em razão da importância do trabalho, ao passarem para a reforma, muitas pessoas ficam desorientadas, deprimidas, desestruturam-se emocionalmente, sentem-se inúteis e com a percepção, aliada a sentimentos, de que não têm contribuições úteis que possam dar. Assim, ao desenvolvermos o Programa de Preparação para a Reforma (PPR), partimos do pressuposto de que a transição que ocorre no processo de reforma pode ser em muito facilitada quando são promovidas situações ou vivências no contexto organizacional, enquanto a pessoa ainda executa as suas actividades de trabalho. Os PPRs são imprescindíveis, pois levam as pessoas a adquirirem novas informações, percepções e sentimentos mais próximos da realidade que agora se configura. O desafio é fazê-las descobrir, aceitar e assumir novas actividades e novos significados para a vida.

Portanto, uma reavaliação...

Como psicólogos, avaliamos que tais programas podem ser considerados verdadeiros antídotos para a depressão e insatisfações de um tempo ocioso, pois favorecem a incorporação de novas opções de identidade social e de reforço da auto-estima. Ao desenvolvermos estes programas, trabalhamos também com os gestores das organizações e dos recursos humanos, no sentido de os levar a perceber que o processo de reforma deve ser conduzido de forma digna e menos traumática para aqueles que se reformam. O que temos estado a constatar, em muitas organizações, são processos de reforma mal conduzidos, geradores de sofrimento mental para aqueles que durante anos derem muito de si para o desenvolvimento da organização. Fruto da experiência dos vários anos de trabalho na implementação de Programas de Preparação para a Reforma, neste mês de Agosto, lançamos o livro “Qualidade de Vida e Bem-Estar no Pós-Carreira”, no qual abordamos todas estas questões. Na ocasião, lançamos também o livro “Olimpíadas Científicas”, uma obra que apresenta um diagnóstico do Sistema de Ensino em Angola, com destaque para o segundo ciclo do ensino secundário. Convido todos a lerem estas obras.

O senhor está desde o início da sua formação ligado à docência, tendo ocupado cargos de direcção na UTANGA e na UMA. As dificuldades que apresentou sobre o trabalho em casa também se aplicam ao ensino não-presencial?

Para os pais e encarregados de educação em teletrabalho, o ensino à distância dos filhos vem tornar a situação mais complexa, pois além da sobreposição das tarefas profissionais e domésticas, somam-se as actividades escolares. Vivi e vivo esta situação e confesso que não é fácil. Por outro lado, muitos destes trabalhadores também são estudantes e poderão estar num regime à distância. Para piorar, no ensino, diferente do mundo do trabalho, a responsabilidade pela criação de condições tecnológicas acaba por ficar quase exclusivamente sob a responsabilidade dos pais e estudantes. No entanto, sendo esta uma realidade com a qual teremos de lidar, alguns cuidados devem ser tomados. Aula sem os colegas é algo que exige uma maior motivação, organização, disciplina e proactividade. Procurar ambientes calmos e confortáveis torna-se fundamental para se evitar distracções que possam ser provocadas pela conversa de outras pessoas ou pelo barulho da televisão, rádio e telefone. Este espaço deve ter a identidade do estudante, em termos de arrumação e organização. A construção de rotinas de estudo é essencial para que se mantenha o controlo da organização das actividades diárias. Finalmente, o estudo deve ser considerado como parte valiosa do dia. Há muito mais para se falar, mas por hora creio ser o suficiente.

Sabendo que a pandemia poderá levar alguns anos até ao seu controlo, como vê os receios sobre o regresso às aulas?

Os receios justificam-se, pela gravidade da doença e pela ausência de condições no ambiente escolar. Se for ler um dos livros que publicamos recentemente, “Olimpíadas Científicas”, terá uma noção das condições a que está submetida boa parte dos estudantes, professores e trabalhadores administrativos em muitas das nossas escolas, especialmente nas públicas. Muitas instituições de ensino privadas criaram as condições necessárias, mas, por conta das insuficiências das instituições públicas, acabam por ser prejudicadas.

Como alguém que tem conseguido dedicar-se à investigação na sua área de formação, como avalia a produção científica nas nossas instituições de ensino superior?

A produção científica está presente em pouquíssimas instituições. Na maior parte, não existem condições internas, nem recursos financeiros. São poucos os profissionais com habilidades e interesse para tal; faltam financiamentos e incentivos por parte do Executivo. Enfim, no país, lamentavelmente, não existe clima para a investigação científica. Para algumas áreas, como a nossa, a situação é mais crítica, pois os poucos recursos financeiros que vão surgindo são destinados essencialmente às áreas das Engenharias e das Ciências da Saúde e Biológicas. Toda a minha produção científica é feita com recursos próprios. Parte significativa dos recursos financeiros advindos das actividades de consultoria que desenvolvo são destinados à produção científica e à participação em eventos científicos no país e no exterior.

Perfil

JOÃO SAVEIA

Formado em Psicologia pela Universidade Federal do Brasil, mestre em administração pela Universidade Federal de Minas Gerais e doutor em Psicologia pela Universidade Federal da Bahia, João Manuel Saveia Daniel Francisco, de seu nome completo, assumiu diferentes cargos em instituições públicas e privadas, entre outras, o de vice-reitor da Universidade Técnica de Angola e reitor da Universidade Metodista de Angola.

Atendendo às restrições impostas pela pandemia, João Saveia apresentou no início deste mês a reedição de algumas das suas publicações nas plataformas digitais. Trata-se das obras “Psicologia Organizacional e do Trabalho” , “Psicologia: Formação e Exercício Profissional em Angola”, “Qualidade de Vida e Bem-Estar no Pós-Carreira” e “Olimpíadas Científicas: A Experiência da Olimpíada Caça Talentos Angola 40 Anos”

 

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