Política

João Lourenço promete voos de ligação entre Uíge, Cabinda e Kinshasa

Garrido Fragoso

Até Dezembro deste ano, a companhia aérea angolana de bandeira (TAAG) vai implementar voos de ligação entre as cidades do Uíge, Cabinda e Kinshasa (República Democrática do Congo), anunciou ontem, o líder do MPLA, sendo ovacionado pela população que o acompanhava atentamente. Ouvia-se, entre gritos e assobios, que era uma boa "notícia".

07/08/2022  Última atualização 06H20
João Lourenço garante continuar com as acções de desenvolvimento no novo mandato © Fotografia por: Dombele Bernardo | Edições Novembro

João Lourenço discursava para uma moldura humana "considerável”, no Largo da Independência, arredores da cidade do Uíge, durante o acto político de massas, no quadro da campanha eleitoral para as Eleições Gerais de 24 deste mês, tendo indicado que as referidas ligações aéreas terão como ponto de partida terra do Bago Vermelho: a emblemática cidade do Uíge.

Ao lembrar que a província ficou durante 23 anos privada de ligação aérea com o resto do país, situação que foi corrigida ao longo do seu primeiro mandato de governação, João Lourenço sublinhou que a concretização do referido projecto deve-se, sobretudo, ao facto de a TAAG ter aumentado a capacidade de transporte, com a recepção de mais meios aéreos inter-provinciais.

"Os habitantes do Uíge vão, a partir desta província, voar directamente para Cabinda e, de igual forma, para Kinshasa", disse João Lourenço, realçando que a ligação com a capital congolesa vai fortalecer ainda mais as relações de amizade e o comércio entre os dois países e povos.

E, por falar em terras do "bago vermelho", o candidato do MPLA, João Lourenço, sublinhou a importância do café não apenas para a província do Uíge, mas, também, para todos os países do mundo, uma vez que é de grande consumo, tendo marcado uma época. Para a satisfação dos produtores, João Lourenço encorajou a sua produção e elogiou o esforço dos cafezeiros, deixando, nas entrelinhas, que o país conta com o contributo das suas acções.       

Nova universidade

Outra notícia bastante aplaudida e bem acolhida pelos militantes, simpatizantes e amigos do partido na província do Uíge, tem a ver com anúncio pelo candidato do MPLA, da construção, de raiz, de uma universidade, no próximo mandato, para acolher da melhor forma os docentes e discentes da região.

Referiu que a única universidade actualmente existente na província, "Kimpa Vita”,  funciona em instalações que não são condignas. Ainda a pensar na juventude local, João Lourenço anunciou, também, a conclusão, na cidade do Uíge, da Mediateca e da Casa da Juventude. Sem avançar datas, o líder do MPLA referiu apenas que a Mediateca será o empreendimento social a ser colocado ao serviço dos jovens.

 

Estradas, luz e água potável

O líder do MPLA deu a conhecer que será executada, em breve, a requalificação do troço de 36 quilómetros, que liga a sede da província ao município de Negage, bem como da estrada entre as localidades de Sanza Pombo e  Buenga, cujas obras iniciam depois das eleições.

Referiu-se aos projectos para a electrificação dos 16 municípios que compõem a província do Uíge, e lembrou que, ao longo do mandato, se deu início a construção de uma central hídrica com capacidade de 5 Megawatts, beneficiando mais de 3 mil habitantes de Sanza-Pombo.

Anunciou para o início do segundo mandato, a implementação de um  projecto para electrificação de seis localidades da província, através da rede nacional, salientando que recursos financeiros estão a ser mobilizados para permitir o arranque dos trabalhos.

O candidato do MPLA, João Lourenço, disse, ainda, que a partir de Dezembro deste ano, o município de Maquela do Zombo beneficiará de reforço no abastecimento de água potável. Projecto idêntico será, igualmente, executado no município da Damba.

Para o município sede (Uíge), João Lourenço prometeu, para o próximo ano, ligações domiciliárias de água potável, que vão beneficiar 40 mil habitantes.

 

Mais profissionais de saúde

O Presidente do MPLA anunciou, ainda, para o decurso deste ano, a admissão de 270 profissionais no sector da Saúde (entre médicos, enfermeiros e técnicos), na província do Uíge, que se vão juntar aos 1.134 admitidos desde 2018.

Com os recursos do PIIM e não só, João Lourenço indicou que foram concluídos os hospitais municipais de Quimbele, Maquela do Zombo e da Catapa, que já se encontram ao serviço das populações.

Referiu, igualmente, que em fase de construção encontram-se os  hospitais municipais do Ambuila, Bembe, Kangola e Milunga, que serão colocados à disposição dos cidadãos nos próximos tempos. O líder do MPLA lembrou, a propósito, que a ministra da Saúde procedeu, há poucos dias, ao lançamento da primeira pedra para a construção do Hospital Geral do Uíge, de 200 camas, e será equipado com os melhores meios de diagnóstico e tratamento.

Segundo João Lourenço, os cidadãos, que vencerem os próximos concursos de admissão na província, terão o privilégio de trabalhar na referida unidade hospitalar. Ainda no capítulo da saúde, João Lourenço falou do Laboratório de Biologia Molecular, instalado na província, no quadro da luta contra a pandemia da Covid-19.

Pelo facto de a pandemia da Covid-19 no país estar "devidamente controlada”, João Lourenço referiu que o laboratório pode servir para diagnosticar outras doenças, lembrando que Uíge, pela sua localização geográfica, é vulnerável a pandemias provenientes de países vizinhos, apontando como exemplo os casos de Ebola e Marburg, que afectaram a região, a partir da RDC.

Valorizou a criação de laboratórios do género, argumentando que os mesmos ajudam as equipas médicas a tomarem decisões correctas. "Antes de ser instalado o referido empreendimento social no Uíge, as amostras tinham que ser enviadas para Luanda, procedimento que colocou em perigo a vida de muitos cidadãos”, afirmou João Lourenço, que também falou do centro ortopédico construído no município do Negage, que trata, não só, os cidadãos que perderam membros superiores e inferiores durante o conflito armado, mas também crianças e adultos que nos últimos tempos accionaram minas e outros explosivos, como consequência do longo período de guerra.

PIIM impulsionou as instituições 

O líder do MPLA destacou o facto de, ao longo do seu primeiro mandato de governação, muitas realizações terem sido feitas em benefício dos cidadãos e da economia, com recurso ao Orçamento Geral do Estado (OGE) e outros programas como o Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM).

Com os recursos do PIIM, o líder do MPLA indicou que estão a ser construídos cerca de 1.700 empreendimentos sociais, salientando que pouco mais de metade dos mesmos (infra-estruturas de proximidade) estão concluídos e colocados ao serviço dos cidadãos.

O presidente João Lourenço indicou que os investimentos de proximidade estão a ser feitos graças aos recursos do OGE, PIIM e demais programas criados pelo Executivo, com vista a resolução de problemas sociais das populações.

Considerou, por isso, despropositado, o facto de concorrentes que nunca quiseram que o Governo executasse o PIIM, serem os mesmos que, actualmente, nos seus discursos de campanha, também prometem construir unidades hospitalares de proximidade, justamente o mesmo que o Executivo já vem fazendo.

"Fizeram tudo para impedir a implementação do PIIM, porque sabiam que este programa vinha, justamente, ao encontro da satisfação dos interesses dos cidadãos”, afirmou. O líder do MPLA falou de um partido da oposição, que desde 1992, altura em que foi instituído o Parlamento multipartidário, nunca ter votado a favor da aprovação do OGE. "Quem em trina anos nunca votou a favor do OGE, quer resolver os problemas do povo?", questionou João Lourenço aos milhares de cidadãos presentes no acto político, que prontamente responderam "não”.

"Sem orçamento não pode haver salários, construção de estradas, escolas, hospitais, barragens, aeroportos e demais infra-estruturas económicas e sociais no país”, indicou o líder da maior organização política do país.

Ao considerar Uíge como uma província de gente habilidosa no futebol, João Lourenço anunciou a construção de um estádio, cuja primeira pedra para a sua edificação já foi lançada em Julho último, pela ministra da Juventude e Desportos.

Voto certo é no número 8

Aos cidadãos da província do Uíge, João Lourenço pediu que votem no MPLA e no seu candidato, por ser a força política que ao longo dos anos vem demonstrando ser amigo do povo angolano.

Destacou o facto de as realizações do país não serem levadas apenas a cabo pelo Presidente da República, de forma individual, mas por todo o elenco do MPLA. "Quando as pessoas dizem que JL está a falar está, a fazer, isso significa dizer MPLA está a falar e está a fazer”, indicou João Lourenço, acrescentando que se não existisse MPLA, não existiria João Lourenço.

O líder do MPLA convidou a população a votar de forma correcta no boletim, como forma de evitar a invalidação de votos. Apelou, por isso, aos cidadãos com experiência de votação nos pleitos anteriores, no sentido de ensinarem aos demais cidadãos a procederem de forma correcta no dia da votação.

Segundo João Lourenço, a forma correcta de se votar é colocar a cruz dentro do quadradinho que está defronte à fotografia do candidato, e nunca por cima da foto ou da bandeira. "Cada cidadão deve ser um professor da forma correcta de se votar no MPLA e no número 8”, referiu. Acrescentou que o MPLA vai para as Eleições Gerais de 24 deste mês com a certeza da vitória. "O povo angolano não é ingrato e não se deixa enganar por meia dúzia de pessoas”, indicou João Lourenço, para quem os angolanos amadureceram com as vicissitudes da guerra, e, por isso, devem fazer análises com base em factos.

 

Candidata a Vice-Presidente

Como é habitual nas províncias onde já efectuou discursos de campanha, João Lourenço apresentou à população do Uíge a candidata indicada pelo MPLA para assumir o cargo de Vice-Presidente da República, Esperança Costa, no quadro das eleições de 24 deste mês.

Durante largos minutos do seu discurso, o líder do MPLA dedicou rasgados elogios à capacidade das mulheres angolanas na sociedade, salientado que Angola já possui, actualmente, muitas mulheres capazes de desenvolver tarefas que só aos homens competia.

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