Política

João Lourenço aponta caminhos para tornar economia do país mais forte

Yara Simão

Jornalista

O presidente do MPLA reafirmou quarta-feira, em Malanje, que o partido está a trabalhar para desenvolver o país, sobretudo, na necessidade de cuidar e fazer de Angola uma nação economicamente forte, através da diversificação de fontes de rendimento em todos os ramos.

11/08/2022  Última atualização 06H10
Presidente do MPLA anunciou projectos para o desenvolvimento da província de Malanje © Fotografia por: Dombele Bernardo | Edições Novembro

João Lourenço, que discursava no acto político de massas, na cidade de Malanje, destacou que a diversificação da economia não se deve limitar apenas um ou só na indústria extractiva, "mas todos os outros ramos”, particularmente, a Agricultura.

Considerou que Angola é essencialmente um país agrícola, por enquanto, tendo sublinhado que é hora de aspirar a industrialização, embora reafirme que, mesmo quando se tornar em gigante, jamais será abandonada a Agricultura.

"A Agricultura deverá estar sempre presente. E esta província de Malanje é uma província que não tem apenas potencialidades para desenvolver Agricultura. E a falar de Agricultura não me estou a referir apenas à Agricultura de subsistência, para que as pessoas possam comer no dia-a-dia, mas estou a referir-me, sobretudo, àquela Agricultura em grande escala que produz excedentes para comercializar, excedentes para exportar, se for o caso disso”, ressaltou.

Nesta perspectiva, o líder do MPLA disse que é importante ter-se essa ambição e acreditar que, com Malanje e com outras províncias que têm o mesmo potencial, se conseguirá atingir esse objectivo de ter excedentes de produção agrícola e exportar. "Malanje produz, praticamente, tudo o que o ser humano consome. Praticamente tudo! Aquelas culturas consideradas tropicais, que são características dos nossos climas, Malanje produz”, frisou.

João Lourenço particularizou e reconheceu o esforço dos camponeses e dos agricultores de Malanje, pelo facto de estarem a prestar atenção, sobretudo, a duas culturas que se devem destacar sobre as demais, justificando que "as demais já são tradicionais, toda a gente cultiva, toda gente produz”.

Lembrou que o mesmo não se passa, por exemplo, em relação ao arroz e ao algodão. Neste particular, o candidato do MPLA a Presidente da República disse que Malanje tem sabido responder, de forma positiva, à necessidade de produzir mais arroz, no sentido de atingir a  auto-suficiência na produção de arroz e de outros cereais, como do milho e do trigo.

Segundo o político, não são muitas as províncias que têm essa capacidade e características de poderem produzir arroz, apontando que as do Leste sim, Malanje também, porém, poucas. Por isso, apelou que continuem nesse esforço de produzir cada vez mais arroz e felicitou todos  que tiveram a coragem e tomaram a decisão de iniciar a produção do arroz.

 

Produção do algodão

Destacou, igualmente, Malanje por estar a apostar na produção do algodão, numa resposta ao apelo feito quando inaugurou as três indústrias têxteis: a de Luanda, a do Dondo e a de Benguela, que arrancaram com matéria-prima importada. Recordou que, nessa altura, solicitou aos camponeses e aos agricultores angolanos que se dedicassem à produção do algodão, matéria-prima importante para que se possa produzir tecidos.

"E é com bastante agrado que ontem o senhor governador nos informou que Malanje já está a produzir algodão e que, nos próximos dias, começarão já a fazer a primeira colheita para ser entregue às indústrias têxteis das localidades que eu acabei de citar”, reforçou João Lourenço, antes de enaltecer a população local pelo facto de ser a responsável "pelo sucesso do programa denominado MOSAP,  que já teve o MOSAP I, MOSAP II e que agora vai entrar para o MOSAP III”.

De acordo com o presidente do MPLA, este é um programa que ajuda as famílias a terem rendimento, o que significa que é um projecto, no fundo, de combate à pobreza, de combate à miséria: "Encorajamos as populações de Malanje, que já abraçaram o programa MOSAP, a darem continuidade, de forma a que possa abranger um número cada vez maior de cidadãos na província (…)”.

Neste quadro de garantir a renda às famílias, sobretudo às mais pobres, João Lourenço anunciou um outro programa que também está a ter sucesso em Malanje. Trata-se do Programa de Transferências Monetárias, denominado Kwenda. "Este Programa está a ajudar as famílias mais vulneráveis a saírem do ponto crítico e conseguirem alimentar as suas famílias, bem como fazerem mesmo pequenos investimentos, no sentido de rentabilizar os recursos que recebem no quadro do Kwenda”, observou.

 

Vias de comunicação

Segundo o líder do MPLA, a Agricultura é essencial, mas ela só é importante se os produtores agrícolas, os camponeses, os fazendeiros que produzem levarem os produtos para o mercado, se conseguirem vender. "Nas zonas de produção produz-se, mas depois é preciso transportar a produção para os mercados de consumo, que ficam às vezes relativamente próximo, mas às vezes ficam mais distantes”, assinalou.

E para que isso seja possível, João Lourenço, referiu que, para além do meio de transporte, é preciso que haja vias de comunicação, estradas de todo o tipo, desde nacionais, secundárias e terciárias, para que se possa escoar a produção do campo para os grandes centros de consumo que, regra geral, são as cidades menores ou maiores.

"E é assim que o Executivo angolano tem vindo a prestar atenção a nível de todo o país, não apenas aqui em Malanje. Há necessidade de termos as vias em perfeito estado de utilização. Se elas existem, é para serem usadas, mas elas só serão bem usadas se tiverem condições de serem usadas. E sabemos que, em muitos casos, isso não acontece. As estradas existem, mas numa distância, num percurso que o utilizador pode fazer em duas horas, às vezes leva seis, oito horas, a fazer o mesmo percurso”, reconheceu.

Disse que o Executivo angolano, no caso concreto de Malanje, durante este mandato que termina, concluiu a intervenção na estrada Cacuso/Malanje, considerada uma via importante que liga as outras províncias, nomeadamente, a vizinha Cuanza-Norte, e a capital do país, Luanda.

Apontou a conclusão das vias Lucala/Cacuso, Caculama-Talamungongo, Mussolo/Dumba-Cabango, o troço Talamungongo/Cambundi-Catembo, além da intervenção, num troço curto, mas de grande importância, que é o acesso ao Instituto Agroalimentar, inaugurado há relativamente pouco tempo e que já está a servir os jovens da província.

 

Troço Malanje/Caculama vai ser inaugurado em Dezembro

O presidente do partido que governa Angola informou que está em curso a reparação da via Malanje/Caculama e que poderá ser concluída e entregue aos utilizadores, aos cidadãos da província e do país, já em Dezembro do corrente ano, além de anunciar outras inaugurações, como o troço Malanje/Caculama, Caculama/Lui (previstas para Abril de 2023).

Devido à influência no fluxo rodoviário, decorrem trabalhos na Estrada Nacional 230, cuja conclusão está prevista para o próximo ano:  "É importante para Malanje, mas é importante também para Luanda, Cuanza-Norte, Lunda-Sul, Lunda-Norte e Moxico, obviamente. (…) Todas essas províncias são servidas pela Estrada Nacional 230, e a partir desta Estrada Nacional há bifurcações para outras províncias, para além daquelas que eu acabei de citar”.

De acordo com João Lourenço, "a importância da 230 é muito grande. Ela é extensa, tem um tráfego diário de camionagem pesada, todos os dias e todas as horas, sobretudo, devido aos projectos diamantíferos do Leste do país, da Lunda-Sul e da Lunda-Norte, para além de outra camionagem que, no fundo, é a logística para o abastecimento às populações”.

 

Apelo ao sector privado

João Lourenço apelou, também, a que outros actores continuem a apostar neste mercado de habitação, nomeadamente, o sector privado, cooperativas e aos próprios cidadãos a não desistirem de construir casas. Para o presidente do MPLA, o sector  privado constrói casas para vender e arrendar, o cooperativo idem e os cidadãos, individualmente,  constroem as próprias residências no regime de autoconstrução.

"Se todos nós, o Estado mais os privados, as cooperativas e os cidadãos, individualmente, construirmos casas, vamos nos próximos anos ver esse problema da habitação, senão resolvido, mas pelo menos parcialmente resolvido”, disse, reconhecendo que sozinho o Estado dificilmente atingirá o objectivo de satisfazer as necessidades de habitação.

  Nova centralidade vai ter 2.500 casas

O candidato a Presidente da República pelo MPLA anunciou, ontem, para os próximos tempos, a construção de uma nova centralidade em Malanje, com 2.500 casas.

João Lourenço, que discursava num acto político de massas, no quadro da campanha eleitoral, justificou a construção da nova centralidade com o facto de a da Carreira de Tiro estar, há bastante tempo em construção e por ter um número reduzido de casas. 

 "Essa Centralidade está com atraso na conclusão, pelo facto de - ao contrário do que acontece com outras centralidades que estão a ser financiadas com uma linha de crédito -, esta de Malanje, lamentavelmente, tem sido construída com Recursos Ordinários do Tesouro", esclareceu o líder do MPLA, garantindo que, ainda assim, ela também será concluída.

Segundo João Lourenço, o número de habitações dessa Centralidade não é grande, não chega a 300 casas, o que, reconhecidamente, para Malanje, não é nada. "Não satisfaz as necessidades da juventude e das populações desta província”, reconheceu.

Disse ser, por isso, que foi decidido iniciar-se a construção de uma nova centralidade que vai ter perto de dez vezes mais o número de casas que tem a da Carreira de Tiro. "Ou seja, Malanje terá uma centralidade com 2.500 casas”, clarificou.

Ainda relativamente ao sector da Habitação, lembrou que existe o projecto das 500 casas, em fase de conclusão e que em breve vão ser entregues às populações. "O que falta é muito pouco. Das informações que tenho, é que precisamos apenas de fazer a ligação da água, para que o projecto fique concluído. Portanto, em breve, entregaremos esta importante infra-estrutura”, perspectivou.

  Caminho-de-Ferro de Luanda

Malanje é servida pelo Caminho-de-Ferro de Luanda. Esse caminho-de-ferro não está a funcionar como devia. A propósito, o presidente do MPLA disse que não está a funcionar como seria de desejar. "Não está a servir convenientemente, quer às populações, quer à economia destas três províncias que atravessa:  Luanda, Cuanza-Norte e Malanje, por enquanto”, frisou.

Considerou necessário atacar e resolver o problema: "Não podemos só lamentar. Sabemos que, anos atrás, houve a reabilitação do Caminho-de-Ferro de Benguela em toda a sua extensão, mas igualmente a reabilitação deste Caminho-de-Ferro de Luanda. Com a diferença de que, em pelo menos 215 quilómetros deste Caminho-de-Ferro, que vai do Zenza a Cacuso, ou não foi feita a intervenção ou, se foi feita, foi de má qualidade”.

João Lourenço acredita que, num período de tempo que não será longo, este problema ficará resolvido e o Caminho-de-Ferro de Luanda vai servir melhor esta ligação Luanda/Malanje. Segundo o líder do MPLA, o país precisa dos seus cidadãos para trabalharem e têm o direito de viver saudáveis.

Entre outras soluções e factores, indicou maior aposta aos sectores da Saúde, na formação do Homem, dos profissionais da Saúde, na admissão para que possam fazer parte do Sistema Nacional de Saúde, quer na criação de boas condições de infra-estruturas hospitalares para o conforto, quer dos profissionais, quer também dos utentes.

Com os recursos do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios, disse que estão a ser  construídas infra-estruturas nos municípios e nas comunas, próximo das comunidades: "Vamos construir, aqui em Malanje, a Plataforma Logística do Lombe para garantir o comércio, não apenas dos produtos agrícolas, mas do comércio em geral, que vai circular ou que já circula, entre várias províncias aqui da região, entre Luanda, Cuanza-Norte, Cuanza-Sul, Lunda-Sul, Lunda-Norte, fazendo, digamos, a sincronia entre os vários tipos de transporte de carga: Caminho-de-Ferro e a camionagem”.

  Energia eléctrica

Referiu que é missão levar essa mesma energia às 18 províncias: "Vamos levar a energia de Malanje ao Sul de Angola e ao Leste de Angola. Este é o próximo desafio do Executivo angolano no próximo mandato. Já estamos a trabalhar nesta direcção. Dentro de algum tempo, toda Angola vai consumir energia produzida em Malanje. Portanto, vocês vão ser os donos da energia que vai ser consumida no Cunene, na Huíla, no Moxico e em toda Angola”.

Antes de tudo, realçou que é aposta agora levar a energia aos 14 municípios da província de Malanje, cuja linha de transporte já foi construída de Malanje para Kalandula. Em Outubro do corrente ano, Cangandala vai ter energia, mas ainda este mês de Agosto vai ter água em quantidade e em qualidade. Referiu que o projecto de reforço da capacidade de distribuição de água para Cangandala termina este mês e vai beneficiar mais de 10 mil habitantes.

Reiterou que Malanje, a capital da província, também para este mês, conclui o projecto de reforço da capacidade de abastecimento de água às populações da cidade para beneficiar cerca de 160 mil habitantes. "Kiwaba-Nzoji já beneficiou desse reforço do sistema de água. Cerca de 3.300 habitantes de Kiwaba-Nzoji já estão a beneficiar deste investimento do Executivo angolano”, disse.

João Lourenço apelou que na hora da decisão não haja dúvidas, nem hesitação:  "O voto é no MPLA, o voto é no candidato do MPLA, o voto é no 8”. "Se fizermos isso, podemos estar certos de que a esmagadora maioria dos eleitores angolanos vai votar no MPLA, vão votar no oito, vão votar no candidato do MPLA e, com isso, o país vai sair a ganhar, porque, além do que já fizemos, de tudo quanto fizemos neste mandato, deixamos aqui a garantia de que vamos fazer muito mais no mandato que nos espera nos próximos cinco anos”, concluiu.

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