Política

João Lourenço anuncia construção de barragens e apoio ao sector pecuário

Garrido Fragoso

O líder do MPLA anunciou este sábado, na cidade do Lubango, a construção, na província da Huíla, das barragens da Arimba, Onompombo e Embala dos Reis (nos Gambos), no quadro do combate ao fenómeno da seca cíclica que afecta as regiões do Centro e Sul do país.

14/08/2022  Última atualização 06H27
© Fotografia por: Santos Pedro| Edições Novembro

O anúncio da construção destes empreendimentos socioeconómicos foi bastante aplaudido pelos militantes, simpatizantes e amigos do MPLA, presentes no comício,  orientado pelo presidente do partido, no largo adjacente ao Complexo Turístico da Nossa Senhora do Monte, no quadro da campanha para as Eleições Gerais de 24 deste mês.

João Lourenço disse que, com a construção das três barragens, o Executivo procura encontrar "soluções definitivas” para o problema da seca que todos os anos ceifa a vida de pessoas e animais nas províncias da Huíla, Namibe e Cunene. Salientou que os três empreendimentos socioeconómicos vão armazenar "bastante água” para o consumo humano, animal e promoção da agroindústria na província da Huíla.

O presidente do MPLA considerou ainda os empreendimentos "estruturantes e de grande envergadura”, salientando que quando forem concluídos e inaugurados, dentro de poucos anos, o país poderá "respirar fundo e dizer missão cumprida”.

O líder da maior organização política do país disse, contudo, que o Executivo elaborou no quadro do combate à seca no Sul do país um programa "ambicioso”, com vários projectos, que durará seis a sete anos a ser executado na plenitude, para beneficiar as províncias do Cunene, Huíla e Namibe.

Lembrou a construção, em dois anos, do Canal do Cafu, na província do Cunene, com uma extensão de 165 quilómetros, que já minimiza o sofrimento das pessoas e do gado na região assolada pela seca. Referiu que mais dois canais do género do Cafu estão em construção no Cunene, onde o Executivo perspectiva erguer outros em ambas margens do Rio Cunene, para o benefício das populações locais.

 

Construção de troços rodoviários é prioridade

João Lourenço anunciou a construção, de raíz, do troço rodoviário Quipungo-Kuvelai- Matala- Freixiel, assim como da estrada Caconda-Chicomba-Kuvelai. Prometeu ainda a construção de uma nova estrada entre os municípios de Caconda-Chipindo e Cuvango.

Citou as obras em curso da circular do Lubango, para evitar o tráfego de viaturas pesadas no Centro da cidade. Sublinhou que obras com a mesma finalidade foram, igualmente, projectadas para  as cidades do Sumbe (Cuanza-Sul), Benguela e Ndalatando (Cuanza-Norte). Falou ainda das obras de conservação do troço Matala-Dongo (município da Jamba Mineira) e Lubango-Matala.

As obras paralisadas da estrada que liga a comuna da Huíla, no Lubango, até ao desvio da Palanca (na Humpata) entre o desvio da Huíla-desvio da Palanca (na Humpata), também, serão retomadas, além da reabilitação anunciada do troço rodoviário Dongo-Cuvango e Cuima-Cusse.

João Lourenço prometeu estancar as ravinas na Huíla, que ameaçam engolir alguns empreendimentos públicos, como o Estádio Nacional da Tundavala, nos arredores da cidade do Lubango.

Crédito de 300 milhões para criadores de gado

Ao convidar os habitantes da Huíla a engajarem-se na produção agropecuária como forma de garantir a auto-suficiência alimentar na região, João Lourenço anunciou a atribuição de um crédito de 300 milhões de dólares, através do BDA, para apoiar as cooperativas de criadores de gado do Sul, Centro, Norte e Leste do país.

Disse que o montante será atribuído aos criadores em três anos. Precisou que até 2025 será depositado nas contas das cooperativas para o fomento da produção de gado e carne diversa. Por considerar a Cooperativa do Sul de Angola uma "mais forte”, elegeu-a para funcionar como alavanca para as demais.

Lembrou o recente lançamento do Programa de Fomento da Produção de Grãos como milho, arroz, feijão, trigo e a soja, essenciais para o consumo humano. Para viabilizar o comércio e a distribuição de mercadorias, João Lourenço anunciou a construção da Plataforma Logística da Arimba, no município do Lubango.

 

Realizações na Huíla

João Lourenço disse que, apesar da crise económica e financeira mundial, agravada pela pandemia da Covid-19, o Executivo fez muito. Para a Huíla, destacou a conclusão da primeira fase das infra-estruturas integradas da cidade do Lubango e anunciou que a segunda etapa -  compreende a zona periférica da cidade - arranca em breve.

Em curso, acrescentou, está o projecto das infra-estruturas externas da Centralidade da Quilemba (8 mil habitações). Decorre a bom ritmo e será concluído brevemente.

 

Unidades hospitalares e instituições de ensino

Quanto às províncias da Huíla e do Huambo, que possuem quatro a seis instituições de Ensino Superior, mas que funcionam em condições inadequadas, João Lourenço disse que tudo está a ser feito para que tudo seja concluído.

No sector da Saúde, reconheceu que na província da Huíla e não só foram feitos investimentos, quer em infra-estruturas, quer na formação de profissionais. Informou que 1.763 profissionais de Saúde foram integrados no Sistema Nacional da Saúde ao longo do mandato prestes a terminar, frisando que as autoridades locais vão admitir mais 367 até ao final deste ano.

 

PIIM

Depois de tecer breves considerações com os ganhos obtidos com o Plano Integrado de Desenvolvimento dos Municípios (PIIM), o líder do MPLA disse que na Huíla todos os municípios, com excepção de Caluquembe, possuem hospitais municipais.

Indicou que em Caluquembe as obras do Hospital Municipal decorrem a bom ritmo, pois o Executivo está, igualmente, a contribuir na reabilitação do Hospital Missionário, que ao longo dos anos vem assistindo as populações da região e das províncias vizinhas do Huambo e Benguela.

Falou ainda da conclusão, na cidade do Lubango, do Hospital Central, onde foram instalados serviços de hemodiálise, evitando que doentes continuem a procurar atendimento noutras regiões do país.

Destacou a reabilitação completa da Maternidade Irene Neto, localizada no Centro da cidade do Lubango. Ainda não foi colocada ao serviço dos cidadãos por falta de equipamentos adequados, já encomendados. A previsão é antes do final deste ano.

Para o município do Lubango, também anunciou a construção do Hospital Materno-Infantil, uma obra em carteira a ser executada em prol da mãe e da criança.

 

Energia e águas

Ao considerar a energia eléctrica como bem essencial às comunidades, disse que decorre a reabilitação da Central Hidroeléctrica da Matala, que depois de concluída em Dezembro deste ano vai produzir 41 Megawatts para acrescer aos 50 da Central Térmica do Lubango, cuja capacidade actual é "insuficiente”.

Com pensamento no futuro, João Lourenço perspectiva ainda a interligação da província da Huíla à Rede Nacional a partir do Huambo. As linhas de transporte têm o objectivo de levar para o Sul do país a energia produzida na Bacia do Rio Kwanza, pelas Barragens de Capanda, Laúca, Cambambe, incluindo, dentro de pouco tempo, a de Caculo Cabaça.

 

Projecto na Jamba Mineira 

O presidente do MPLA anunciou para breve o surgimento, na localidade da Jamba Mineira (Huíla), de uma indústria de exploração de minério de ferro. "Vamos retomar aquilo que já existia na era colonial e que por razões do conflito armado (o projecto) ficou destruído”, afirmou, pois "com o empreendimento sócio-económico o país deixará de exportar o ferro em bruto, passando a ser transformado em aço na cidade do Namibe”.

Indicou que em Moçâmedes está a ser erguida a Siderurgia, para transformar o mineiro de Cassinga em aço, para alimentar as obras públicas e indústrias do país. A partir do Porto do Namibe, o mineiro será exportado em forma de aço e não em minério de ferro, como acontecia.

O projecto, segundo João Lourenço, é privado, cabendo ao Estado a responsabilidade de garantir energia eléctrica suficiente, quer para as minas de exploração de minério, quer para a siderurgia na cidade de Moçâmedes.

 

Água potável

No domínio do abastecimento de água potável, João Lourenço disse que o município da Jamba Mineira beneficiou de um novo sistema para alimentar e servir cerca de 116.700 habitantes, enquanto no município da Cacula foi instalado um sistema para beneficiar 4.600 habitantes.

Está em curso a construção de furos de água na Nossa Senhora do Monte (na cidade do Lubango), a serem concluídos no decurso deste mês. Para beneficiar 7.500 habitantes, destacou ainda a conclusão, até Outubro deste ano, de um novo sistema de abastecimento de água ao município da Matala.

No presente mandato, foram feitas, no Lubango, 21 mil ligações domiciliares. Dado o crescimento exponencial da cidade, João Lourenço anunciou a construção de "grandes reservatórios de estocagem de água, até 2024”, para atenuar o défice na capital huilana.

 

Recursos minerais

João Lourenço falou da existência, no Lubango, do Laboratório Geo-Científico, que avalia a qualidade das amostras retiradas do solo, antes do início da extracção. As amostras dos recursos minerais, lembrou, eram, no passado, enviadas para Namíbia e África do Sul, procedimento que passou a ser feito no país.

"Para não sermos enganados, no momento da venda do granito e das rochas ornamentais exploradas na Huíla e Namibe, o Executivo optou pela criação do Centro de Valorização das Rochas Ornamentais”, referiu, para quem o empreendimento serve, também, para analisar o real valor do mármore e granito exportado.

 

Energias limpas

Para a cidade do Lubango, João Lourenço disse que está em curso a construção da central fotovoltaica para a produção de energia eléctrica, a partir de painéis solares, a exemplo do que foi feito nas localidades do Biópio e Baía-Farta, em Benguela.

Referiu que a central do Lubango vai produzir 100mwatts para alimentar 7.500 residências, acrescendo a energia eléctrica produzida no Baixo-Cuanza para o Lubango e Matala, a partir do Huambo. Com o aumento da capacidade de produção de energia eléctrica, através de fontes limpas, anunciou a desativação paulatina das centrais térmicas do país.

 

Integração social sem exclusão

O presidente João Lourenço afirmou que o MPLA defende e vai continuar a apoiar o princípio da não exclusão social. Contou que, ontem, recebeu dois cidadãos portadores de deficiência audiovisual, com os quais disse ter mantido uma conversa amena e solicitaram apoio para aquela franja da sociedade.

"Vamos atender aos pedidos que nos foram feitos”, disse João Lourenço, sem, contudo, mencionar o tipo de solicitações dos dois cidadãos. Informou que no país existem 80 mil cegos e a província da Huíla detém a maior fasquia.

"A nossa posição é de inserção de todas as minorias na sociedade. Ninguém deve ser discriminado por pertencer a um grupo minoritário. Todos os angolanos têm os mesmos direitos que constam da Carta Universal dos Direitos Humanos e da Constituição angolana”, esclareceu.

 

Sonhar com os mortos

Nos primeiros 30 minutos do discurso, João Lourenço criticou o posicionamento de certos concorrentes ao pleito eleitoral, sobretudo, aqueles que "sonham todos os dias com a fraude”. Ao reafirmar que a oposição não está preparada para as Eleições Gerais, disse que isso vai ao ponto de acharem "até que os mortos vão levantar-se das campas para votar no dia 24 deste mês”.

Segundo o político, "o morto até pode ter o nome no caderno eleitoral, mas não significa que vai votar ou que alguém votará por ele”. Explicou a impossibilidade de os mortos votarem, porque cada mesa de voto conta com a participação de delegados de todos os partidos concorrentes, com a missão de fiscalizar a lisura do processo.

"Se você, partido político concorrente, tem lá as pessoas da confiança que escolheu para evitar que haja batota, como é que tem receio que os mortos saiam do cemitério para votar?”, questionou João Lourenço, arrancando risos dos militantes, simpatizantes e amigos do MPLA. 

No seu jeito peculiar de expor os assuntos, acrescentou que "se o receio é assim tão grande que os mortos votem, o mesmo deveria existir com relação aos vivos que, por qualquer motivo, no dia 24 não vão se apresentar junto das mesas de voto”.

 

Campanha ordeira e pacífica

Ao lembrar os poucos dias que restam para a votação, João Lourenço reconheceu que a campanha decorre de forma ordeira e pacífica em todo o território nacional. Embora tenha admitido ter havido o arrancar de bandeiras do MPLA, enalteceu a atitude de todos os militantes dos partidos concorrentes que se mostraram tolerantes e comprometidos em manter a ordem e o respeito mútuo.

Reiterou o apelo aos apoiantes para a mobilização mínima de oito eleitores "indecisos” para votar no MPLA e depositarem a confiança a 24 deste mês no partido dos "camaradas”. Como tem sido habitual em comícios realizados noutras províncias, João Lourenço apresentou aos militantes a candidata a Vice-Presidente da República, Esperança Costa.  

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