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Joana Lina e o Huambo!

Algumas semanas atrás, nas redes sociais, comecei a receber mensagens negativas sobre a governadora do Huambo, a Senhora Joana Lina. Mandavam-me mensagens e depois perguntavam por que razão eu não estava a escrever nada sobre ela. Estava perante um truque antigo: no passado, lançavam-se fofocas para ricochetear em Lisboa e falava-se logo de fontes portuguesas, etc. Neste caso, alguém estava à espera que eu fosse dar eco a calúnias, infundadas, contra a governadora Joana Lina para depois alistar-se o meu nome numa campanha contra ela meio-espirituosa e enganosa.

08/03/2019  Última atualização 07H09

Os dois argumentos duvidosos no cerne do sussurro desagradável contra a governadora é que ela não gosta dos sulanos e que a província do Huambo deve ser liderada por alguém que é da província. Naturalmente, se alguém do Huambo fosse indicado para ser governador do Uíge, Malange ou Cabinda não haveria tal bruaá. Lá vamos: as duas medidas de sempre!
Sempre acreditei no federalismo, porém, na constituição actual, o governador provincial é um representante do Presidente da República. Se o governador falha, o Presidente pagará nas eleições. Não hesitei em afirmar publicamente no passado que a indicação do governador Kundi Paihama como governador do Huambo tinha sido mal orientada. O reinado do General Kundi Paihama no Huambo foi caracterizado por uma severidade injustificável e contra-produtiva. O mesmo, certamente, não se pode dizer da governadora Joana Lina.
Estive recentemente no Huambo e falei com várias pessoas que vêm as coisas com mais sobriedade do que os disfarçados por trás da campanha contra ela. Há, sim, várias iniciativas para superar os problemas do Huambo. É só visitar a cidade alta do Huambo para se notar as obras que estão a ser efectuadas para melhorar as infra-estruturas. A governadora Joana Lina viaja constantemente pela província para interagir com o povo e dar impulso às várias iniciativas provinciais. A inércia do passado, que vigorava em muitos municípios, agora é plenamente inaceitável.
Já me encontrei duas vezes com a governadora Joana Lina na Aldeia Camela Amões. No almoço colectivo, tive a oportunidade de conversar com ela e achei-a bastante inteligente e com um senso de humor atraente. Falamos do jornalismo, do escritor Justin Pearce, dos vários problemas do Planalto, como o efeito nefasto do uso do adubo e as práticas da agricultura tradicional, que agora podem ser impróprias com o aumento das populações. Falamos também, claro, do grande projecto da Aldeia Camela Amões.
Aqui na Aldeia Camela Amões, a governadora tratou todas as pessoas com respeito, fez perguntas altamente pertinentes. Via-se que a governadora estava permanentemente a ver como é que o fenómeno Aldeia Camela Amões poderia ser replicado não só no resto da província do Huambo, mas também em todo o país. A Camela, ela afirmou, era da Nação Angolana - de todos nós. Quanto a mim, partindo do ponto de vista panafricanista, a Aldeia Camela Amões é um projecto que deve ser emulado por todo o continente africano.
O eleitorado angolano é cada vez mais jovem e mais informado. Em 2003, quando passei pelo Bom Pastor, bairro do Huambo em que vivia antes de sair de Angola em 1976, não havia parabólicas; eram poucas as pessoas naquele bairro que viam televisão. Agora há parabólicas por todo o lado. Na semana passada estive no Bom Pastor à noite e notei que tudo parava quando era a hora do noticiário. Na nobre campanha contra a corrupção a todos os níveis, está mais do que claro que pertencer a uma área nunca inibiu os governantes sem escrúpulos de desviar os fundos públicos.
Na política africana, as elites fazem muita questão da representatividade etnolinguística porque a política é muitas das vezes a única fonte de recursos e ascensão social. Em muitas partes do nosso continente, muitos com um instinto apurado de empreendedorismo acabam na política. Na Nigéria, por exemplo, os políticos são em muitos casos os mais ricos - e não os empresários. Governar é orientar e servir, enaltecendo a lei e as instituições. É isto que conta.
Antes de escrever está crónica, ontem de manhã, estive com um jardineiro aqui na Aldeia Camela Amões que me impressionou bastante pela criatividade. O senhor disse-me que aprendeu a arte em Luanda, nos Ramiros, de onde ele é oriundo. Cá estava um luandense a partilhar os seus conhecimentos com os seus compatriotas do Planalto. Aqui na Aldeia Camela Amões conheci angolanos vindos de Cabinda ao Cunene: o seu contributo resultou em algo que nos orgulha, incluindo, claro, nós os filhos desta área. Quando se acredita seriamente em trabalhar, passamos a ser menos tacanhos. Tudo está interligado; um Huambo próspero vai ajudar outras províncias angolanas a florescer.
Os jovens eleitores do Huambo vão analisar, em 2022, o balancete e verificar como o que foi prometido pelo Presidente João Lourenço compara com o que foi implementado. Se houver activos de peso no balancete, a província do Huambo e Angola em geral vai beneficiar. O que se quer é ver a província a avançar, a reproduzir várias Camelas Amões. Certamente que acredito mais na governadora Joana Lina, que está dedicada a desenvolver a província do que nos fofoqueiros, mesmo se forem da família política dela (eu sou da UNITA) que se sentem órfãos por causa da nova cultura de governação.

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