Política

Jessica Hand termina missão de quatro anos

César Esteves

Jornalista

A embaixadora do Reino Unido em Angola, Jessica Hand, em fim de missão no país, apresentou, esta quinta-feira(18), cumprimentos de despedida ao Presidente da República, João Lourenço.

18/11/2021  Última atualização 08H20
Embaixadora do Reino Unido, Jessica Hand, reconheceu que houve avanços na cooperação © Fotografia por: DR
Em declarações à imprensa, no termo da audiência na Cidade Alta, a diplomata disse ter terminado a missão com o sentimento de dever cumprido. "É sempre um pouco triste terminar a missão, mas é um momento para pensar nos sucessos”, realçou.
Jessica Hand destacou os avanços registados na relação entre os dois países, durante quatro anos, tendo sublinhado a vinda a Angola do Príncipe Harry e os progressos nas ligações comerciais entre ambos os Estados. "Para nós, isso é fundamental, sobretudo, para o desenvolvimento, sucesso e prosperidade de Angola”, frisou, acrescentando que, além da cooperação na área dos petróleos, houve início de acções em outras áreas. 

Questionada sobre o que ficou por fazer na relação entre os dois países, Jessica Hand disse ser, sempre possível desenvolver algumas ideias, mas as principais passam por apoiar os objectivos de Angola. Para isso, prosseguiu, é necessário um diálogo muito estreito, a fim de se compreender, exactamente, essas prioridades.

Em entrevista ao Jornal de Angola, a embaixadora cessante do Reino Unido ressaltou que, quando chegou a Angola, as relações entre os dois países eram boas, porém, não eram amplas e profundas, facto que disse ter conseguido alcançar durante os quatro anos de missão, sobretudo, no alargamento das áreas de cooperação, aprofundamento do conhecimento entre ambos os países e desvendar novas formas de colaborar. 

"Agora temos uma colaboração crescente entre o British Council e o Ministério da Educação, que apoia a formação de Língua Inglesa, através da capacitação de professores de Inglês”, salientou a diplomata, para quem este é um aspecto que vai continuar a crescer.

No que diz respeito às empresas britânicas a colaborar em Angola, Jessica Hand disse já não serem  apenas a BP, sublinhando  que as áreas de colaboração transcendem a do petróleo e gás. "Agora colaboramos, também, nos serviços financeiros, mineração, energias renováveis, distribuição de energia. Temos empresas a construir hospitais, ou seja, estamos a trilhar novos caminhos para a colaboração presente e futura”, disse.

A diplomata reconheceu que o combate à corrupção, em curso no país, é uma prioridade fundamental e "muito corajosa” do Presidente João Lourenço, que, como sublinhou, "envia-nos” fortes sinais de que o Governo, a liderança do país e a população estão prontos para combater o problema, visando melhorar o futuro do país.

"Reconhecemos que não é nada fácil e sabemos que as situações que podem advir deste combate são bastante complexas. O desvio de fundos frequentemente envolve vários países e jurisdições, facto que faz com que o combate à corrupção seja um processo moroso e complicado”, aclarou. 

Lembrou que quando  em Março de 2018 chegou ao país, tinha a impressão de Angola era a de um país que estava num período de transição, com algumas incertezas sobre o futuro e o rumo que estava a seguir. 

Mas, depois, disse,  passou a ver um país onde a confiança é crescente e que está a tentar definir a sua identidade e propósito. "Angola está numa posição que pode escolher o rumo que pretende. Basta querer e fazer acontecer. Neste momento, Angola tem possibilidade de recriar-se e tornar-se no que quiser”, destacou.

A diplomata ressaltou o facto de o Governo estar a diversificar a economia e mudar o paradigma de que o país só gera renda a partir das vendas do petróleo e ter uma economia mais aberta, sustentável e inclusiva, fazendo com que as pessoas usem o seu talento e vocação para que a Angola se torne ainda mais influente na região da África Austral e no mundo. "O que mais me marcou é o ritmo acelerado em que as coisas estão a mudar em Angola”, reconheceu.

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