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Japão quer investir em portos e caminhos-de-ferro no continente africano

O Governo do Japão vai apresentar aos países africanos parceiros, durante a Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento de África (TICAD), que começa amanhã, em Yokohama, os desafios da instituição do Plano Indo-Pacífico, que vai garantir investimentos em infra-estruturas sociais, como caminhos-de-ferro e portos baseados em padrões e princípios internacionais.

27/08/2019  Última atualização 07H34
DR © Fotografia por: O Plano Indo-Pacífico vai garantir investimentos em infra-estruturas sociais, como caminhos-de-ferro e portos baseados em padrões e princípios interna

Muitos países africanos têm dívidas que excedem os limites de endividamento e capacidade de pagamento com outros países, por isso, o Governo nipónico espera, com isso, estabelecer a iniciativa Indo-Pacífica (entre continentes asiático e africano) na Declaração a ser aprovada na conferência de Yokohama, como uma directriz para a assistência a África.
Tal como acontece desde 1993 - na primeira TICAD a Declaração, que vai resumir o futuro caminho do desenvolvimento de África, deve ser adoptada na sexta-feira, no encontro em que o Chefe de Estado angolano, João Lourenço, fala dos desafios de desenvolvimento do país aos milhares de participantes.
O Chefe de Estado angolano, João Lourenço, desembarcou na madrugada de hoje em Yokohama (princípio da noite de segunda-feira em Angola), onde participa amanhã na TICAD 7.
Na última TICAD, realizada em Nairobi (Quénia), em 2016, o Primeiro-Ministro japonês, Shinzo Abe, apresentou a iniciativa Indo-Pacífica como uma estratégia diplomática apoiada na promoção da paz, estabilidade e prosperidade na região que liga os continentes asiático e africano com base no Estado de Direito e leis internacionais.
Nos dias que antecedem esta edição da TICAD, o Japão está a fazer ajustes finais para incluir a promoção de uma estratégia livre e aberta Indo-Pacífica dirigida pelo governo nipónico na Declaração da TICAD 7. A expectativa é que o Governo japonês assuma a iniciativa para fornecer assistência aos países africanos.
Nos últimos três anos, o Governo japonês apoiou o continente com cerca de 35 mil milhões de dólares no quadro desta parceria.
No encontro de Yokohama, os membros da TICAD devem confirmar a importância em manter ordem nos mares, não só da região Indo-Pacífica, mas também na do Atlântico. Em anos recentes, uma série de ataques piratas e pesca ilegal foram registadas na Região do Golfo da Guiné e noutras áreas.
Amanhã, o Presidente João Lourenço apresenta à TICAD os desafios do país, durante uma intervenção no painel denominado “Acelerar a transformação económica e melhorar o ambiente de negócios através da inovação e envolvimento do sector privado”.
A delegação que acompanha o Presidente João Lourenço, integrada pelos ministros das Relações Exteriores, Manuel Augusto, das Finanças, Archer Mangueira, da Economia e Planeamento, Manuel da Costa Neto, da Saúde, Sílvia Lutucuta, da Energia e Águas, João Baptista Borges, e dos Transportes, Ricardo de Abreu, desembarcou nos últimos dias na cidade de Yokohama.
No Centro de Convenções Nacional Pacífico, na nobre zona Minatomirai, são esperadas mais de 4.500 pessoas, entre Chefes de Estado e de Governo ou seus representantes, dignitários de organizações internacionais, países parceiros e doadores, do sector privado e representantes da sociedade civil.
A 7ª edição da TICAD é organizada em conjunto com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Comissão da União Europeia e com o Banco Mundial. A TICAD é um fórum multilateral inclusivo e aberto de Chefes de Estado africanos, organizações internacionais, países parceiros e doadores, sector privado e representantes da sociedade civil.
A primeira edição quinquenal, em 1993, em Tóquio, proporcionou uma oportunidade para recuperar a atenção global para a África na era pós-guerra fria. A última edição, já num formato periódico trienal, aconteceu em Nairobi (Quénia), pela primeira vez fora do Japão. Nesta edição, participaram 53 países africanos. A TICAD VI reuniu, em Nairobi, cerca de 11 mil participantes.

Autonomia das mulheres
A TICAD 7 tem na agenda de debates, até sexta-feira, em Nairobi, o reforço ou autonomia das mulheres.
Angola é um dos países africanos com um número considerável de mulheres nos órgãos de decisão, mas há realidades no continente em que a mulher é vítima de violência e de discriminação.
No continente africano, o recordista do equilíbrio de género é o Ruanda. Tem 61 por cento de mulheres no Parlamento. É a taxa mais alta do mundo graças a um sistema de quotas que os Estados africanos introduziram em 2003.
O “ranking” global sobre igualdade de género do Fórum Económico Mundial do ano passado coloca o Ruanda em 6º lugar entre 149 países avaliados. Nesta estatística, o Ruanda superou o Japão, criador da TICAD, que ficou no lugar 110.
A participação activa da mulher na sociedade terá sido tão decisiva que pode ter ajudado aquele país a alcançar o conhecido “milagre africano”, registando mais de 7 por cento no crescimento anual do Produto Interno Bruto. O continente regista a maior taxa de crescimento no mundo. África é, por isso, considerado “o último mega-mercado”.
A população actual de África é estimada em 1.3 mil milhões de pessoas e a previsão é de que cresça rápido para 2.5 mil milhões na metade deste século, perfazendo um quarto da população mundial.

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