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Jair Bolsonaro diz que Moro não sabe o que é ser Presidente

Jair Bolsonaro condecorou, sexta-feira(12), com o Grande Colar da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul quatro líderes do Médio Oriente, numa homenagem publicada no Diário Oficial da União, no mesmo dia em que o estadista brasileiro iniciou uma viagem para a região.

13/11/2021  Última atualização 08H20
Chefe de Estado brasileiro minimiza as capacidades de quem já foi seu ministro da Justiça © Fotografia por: DR
O Chefe de Estado brasileiro, Jair Bolsonaro, disse, ontem, que o ex-juiz e ex-ministro da Justiça Sergio Moro, que na véspera admitiu poder concorrer à Presidência do Brasil em 2022, não sabe o que é ser Presidente nem ministro.

"Não aprendeu nada. Um ano e quatro meses ali (no Governo), não sabe o que é ser Presidente nem ser ministro”, afirmou Bolsonaro para apoiantes em Brasília, um dia após Moro se filiar no partido Podemos, num evento em que foi apresentado e discursou como aspirante às presidenciais, embora não tenha confirmado que lançará a candidatura. "Vocês gostaram do discurso lido pelo cara (Sergio Moro) ontem? Eu assisti porque foi meu ministro, né. Leu o discurso, com dois teleponto lá”, acrescentou o Presidente brasileiro.

Moro, que ficou conhecido pela actuação como juiz na operação Lava Jato, sempre disse que não entraria na política. O ex-juiz condenou Lula da Silva em primeira instância em Julho de 2017 num processo sobre a posse de um apartamento de luxo no litoral de São Paulo, que levou o ex-Presidente a cumprir 18 meses de prisão, de Abril de 2018 a Novembro de 2019.

Embora tenha negado a  intenção de ocupar um cargo político, Moro aceitou ser ministro da Justiça e Segurança Pública de Bolsonaro na sequência das eleições, ainda em 2018.

Actualmente, Moro é apontado como candidato à Presidência do Brasil da chamada terceira via, grupo formado por candidatos que se auto-declaram de "centro”, e poderá disputar o cargo mais importante do Executivo num pleito contra Jair Bolsonaro e o ex-Presidente Lula da Silva, os dois primeiros posicionados nas sondagens.

"Se for preciso liderar esse projecto, meu nome estará sempre à disposição do povo brasileiro”, disse Moro durante a cerimónia em que se filiou no Podemos."Não vou fugir desta luta, mas sei que vai ser difícil”, acrescentou o ex-juiz que tentou ganhar a simpatia de eleitores conservadores no evento que lembrou a campanha presidencial de Bolsonaro em 2018.Sergio Moro renunciou ao Ministério da Justiça em Abril de 2020 numa conferência de imprensa em que denunciou uma alegada interferência do Chefe de Estado na Polícia Federal. A saída ruidosa do Governo fez com que se tornasse rival político de Bolsonaro principalmente na disputa por eleitores conservadores.Em Abril de 2021, o Supremo Tribunal Federal manteve uma decisão que classificou Moro como parcial no julgamento de corrupção que levou Lula da Silva à prisão, facto que restituiu os direitos políticos do ex-Presidente, que actualmente lidera as sondagens sobre as presidenciais brasileiras em 2022.Se não conseguir apoio suficiente para uma candidatura presidencial, Moro poderá concorrer ao Senado.
  Condecorados líderes do Médio OrienteForam condecorados o rei de Bahrein, Hamad Bin Isa Alkhalifa; o Emir de Dubai, Mohammed bin Rashid al Maktoum; o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Mohammed bin Zayed al Nahyan; e o Presidente dos Emirados Árabes Unidos, Khalifa bin Zayed al Nahyan.
O regulamento da condecoração, publicado no site do Ministério das Relações Exteriores, diz que ela é "destinada a galardoar as pessoas físicas ou jurídicas estrangeiras que se tenham tornado dignas do reconhecimento da nação brasileira”.

O regulamento ainda diz que o Grande Colar é destinado "exclusivamente a Chefes de Estado em circunstância que justifique esse especial agraciamento”.

Em 2019, Bolsonaro concedeu a honraria ao ex-Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Desde 1933, já foram condecorados personalidades que vão da Rainha Elizabeth II (1868) a Che Guevara (1961).

Bolsonaro viajou ontem para o Médio Oriente em visita aos Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Qatar com a intenção de estreitar os laços com esses países e atrair investimentos.Inicia a digressão pelos Emirados Árabes Unidos, amanhã, onde visitará a feira de aviação Dubai Airshow Expo 2020 e se encontrará com o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Mohamed Bin Zayed al Nahyane, para a assinatura de acordos.

No dia seguinte, deve encontrar-se com o Primeiro-Ministro dos Emirados Árabes Unidos, o xeque Mohammed bin Rashid Al-Maktoum.Seguirá viagem pelo Bahrein, onde vai inaugurar a Embaixada do Brasil na capital Manama e se encontrará com o rei Hamad ben Issa Al-Khalifa.

Em Doha, capital do Qatar, o Presidente encontrar-se-á com o emir Tamim ben Hamad al Thani e provavelmente visitará o Estádio Lusail, sede da final da Copa do Mundo de 2022.Bolsonaro esteve nos Emirados Árabes Unidos durante o primeiro ano da sua gestão, em 2019, quando assinou uma série de acordos de cooperação aduaneira, comércio, defesa e intercâmbio de informações.

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