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Islâmicos sofrem derrota nas eleições de Marrocos

Depois de mais de uma década à frente do Governo, o Partido Islâmico Moderado Justiça e Desenvolvimento (PJD) sofreu uma pesada derrota nas eleições legislativas de quarta-feira em Marrocos.

10/09/2021  Última atualização 06H05
Partido de Aziz Ajanuch conquistou a maioria no Parlamento © Fotografia por: DR
A vitória eleitoral, noticiou ontem a Efe, pertence ao liberal RNI (National Rally of Independents), liderado pelo bilionário Aziz Ajanuch, que conquistou 97 dos 395 lugares na Câmara dos Representantes. O PJD, que governa o país desde 2001, obteve 12 assentos na Câmara dos Representantes (câmara baixa do Parlamento marroquino), caindo do primeiro (com 125 deputados) para o oitavo partido mais votado.

O RNI liderado pelo ministro da Agricultura e Pescas, o bilionário Aziz Ajanuch, amigo do rei Mohamed VI, foi o vencedor das legislativas de quarta-feira que decorreram juntamente com as eleições regionais e municipais. O segundo lugar é ocupado pelo Partido da Autenticidade e Modernidade (PAM, liberal) – fundado em 2008 por Ali Fual el Himma que é actualmente o principal conselheiro do monarca - com 82 lugares, o Partido Istiqlal (PI, nacionalista) foi a terceira força política mais votada (78). Segue-se a União Socialista das Forças Populares com 35 lugares, o Movimento Popular com 26, o Partido do Progresso e Socialismo (20) e a União Constitucional (18).

A votação decorreu sem grandes incidentes, além das queixas do PJD e de outro partido minoritário, o Partido Socialista Unificado (PSU), sobre práticas ilegais de compra de votos e suborno de eleitores.

O RNI será agora obrigado a formar Governo de coligação, como acontece desde 2011. Em Marrocos, não há nenhuma instituição cujo poder possa ser equiparado ao do rei, apesar de o monarca ter reduzido ligeiramente os seus poderes depois da Primavera Árabe. Os chamados "Ministérios da soberania”, do Interior, Negócios Estrangeiros e Assuntos Religiosos, continuam a depender directamente do Palácio Real.

A nomeação do novo Chefe do Governo está agora nas mãos do rei, uma vez que a coligação já foi negociada. O bilionário Azis Ajanuch não concorreu como candidato à liderança, mas sim como presidente da Câmara de Agadir. No entanto, a Constituição permite ao monarca colocá-lo à frente do Executivo.

Ajanuch é, desde 2007, ministro da Agricultura e Pescas, um órgão fundamental em Marrocos nas relações com a União Europeia.
As eleições foram realizadas sob fortes medidas sanitárias, já que Marrocos está sob uma terceira vaga da pandemia da Covid-19 e recolher obrigatório em todo o país, tendo restringido a campanha a eventos ‘online’ e a caravanas de carros nas ruas. Estas são as terceiras eleições desde a aprovação da nova Constituição de Marrocos, em 2011, nascida durante a chamada 'Primavera Árabe' e que deu mais poderes legislativos, numa monarquia constitucional onde o rei ainda possui um grande poder.

Nos programas eleitorais, os partidos apresentaram propostas para superar a crise económica e sanitária, mas não incluíram avanços nos direitos individuais, como a descriminalização de casos extraconjugais, homossexualidade, aborto ou quebra do jejum no Ramadão.

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