Cultura

Iris Chocolate cria instalação inspirada na obra de Agualusa

Matadi Makola

A artista plástica Iris Chocolate fez recurso à obra literária “Estação das Chuvas”, título homónimo da autoria do escritor angolano José Agualusa, para criar a instalação “Tudo aquilo de que não nos lembramos”, patente na galeria Jahmek Contemporary Art, em Luanda. Sob curadoria da crítica de arte Suzana Sousa, a exposição foi aberta ao público na passada sexta-feira, 22, e se estende até 27 de Agosto.

30/07/2022  Última atualização 11H40
Iris Chocolate dentro da instalação em que destaca o valor da cor azul © Fotografia por: Luis Damião

Segundo a artista, o livro de Agualusa não foi toda a base criativa  do processo da instalação. Em parte, pontua, resultou de uma obra a convite da Imago Mundi Collection, feita com tiras de papel e pintada com tinta artesanal na cor azul real.

"Observei o resultado e comecei a reflectir sobre a força que é preciso para rasgar algo, face ao dano que deixa, a fragilidade do papel fino das bordas. Quando tive à procura de um título, lembrei-me do livro que tinha acabado de ler, o meu subconsciente ligou a leitura com o que produzi, ampliado em grande escala na instalação”, sustentou artista.

Formada em designer  acumula uma diversa experiência em diferentes partes do mundo. A instalação é coberta por manto azul, que a artista aponta com uma tonalidade mais forte e intensa, que trabalha a energia, aguça a intuição, eleva e expande a consciência, permitindo uma compreensão melhor das situações da vida.

"O significado espiritual da cor azul é tranquilidade, serenidade, harmonia e espiritualidade e  está associada à frieza, monotonia e depressão. Simboliza a água, o céu e o infinito. O azul transmite e favorece a compreensão. É a cor do bem-estar e do raciocínio lógico. É a única que tem poder de desintegrar energias negativas, favorecendo a paciência, a amabilidade e a serenidade”, observa.

A obra de Iris Chocolate provoca e remete à memória, à lembrança, e justifica o título da exposição  "às vezes o que não nos lembramos diz mais sobre nós do que as coisas de que nos lembramos”. No geral, aponta que se trata de uma reflexão sobre a vida em geral, para honrar os ciclos e não apenas viver, espelhando as estações em mudança, mas compreender que somos natureza; seguimos os seus fluxos.

Para curadora Suzana Sousa, a artista  traz um trabalho que exige de quem  observa a imersaão que remete para o seu interior e para uma memória  do nascimento das pessoas.

"Momentos ao nascer em que estamos profundamente ligados a algo maior que nos protege, a uma mulher, mãe, que é até́ então, apenas imaginada, ouvida, tocada. Essas saão as dimensõ̃es que essa obra explora; a imaginação e os sentidos permitindo-nos interagir com ela de várias maneiras e inundando-nos de azul”, detalha a curadora.

Alemã residente em Angola

Iris Buchholz Chocolate nasceu em 1974, na Alemanha, vive e trabalha em Luanda. Obteve seu BA da Merz Akademie, University of Applied Art, Design and Media, Stuttgart em 1998. De 1999 a 2005,trabalhou como assistente artística e Directora Executiva de Camouflage Brussels — European satellite of the centre of contemporary art of Africa, onde foi co-curadora de uma importante colecção de arte contemporânea africana. Participou, com Paula Nascimento, na 17th International Architecture Exhibition – La Biennale di Venezia 2021.

Participou em importantes exposições colectivas em África, na Trienal de Luanda, Bienal de Luanda: Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz, Rele Gallery Lagos, Nigéria, Abuja Art Week Digital, Abuja, Nigéria; nos EUA, no Jewish Museum Nova York; na América Latina na 11a Bienal do Mercosul, Porto Alegre, Brasil; Bienal de Montevidéu, Uruguai; na Á́sia no Museu Nacional de Singapura. Realizou três grandes exposições individuais em Luanda, no Museu de História  Natural , 2013, MAAN, 2016, e Jahmek Contemporary Art, 2019. Seu trabalho vai do desenho à videoarte, passando pela instalaçã̃o, objectos e fotografia. Manifesta particular interesse em trabalhar com artesãos angolanos para desenvolver uma narrativa poética que reúna diferentes tempos e questione como eles interferem e se tornam parte da memória colectiva e individual.

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