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Irão: Ocidente quer aproveitar situação para impor políticas ao Líbano

O Irão defendeu hoje que os países ocidentais não devem aproveitar a explosão da semana passada em Beirute, que matou 177 pessoas e feriu cerca de 6.000, para impor políticas ao pequeno país árabe.

14/08/2020  Última atualização 18H57
DR © Fotografia por: Ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Mohammad Javad Zarif

As declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Mohammad Javad Zarif, foram feitas em Beirute, onde se encontra um representante do Governo dos Estados Unidos e o ministro da Defesa de França.

A explosão de 4 de Agosto de 2.750 toneladas de nitrato de amónio que estavam guardadas no porto de Beirute aumentou a raiva popular contra a corrupção oficial, a má administração e a incerteza política, tendo o Governo do Líbano acabado por se demitir no início desta semana, estando já a decorrer negociações entre os partidos para substituir Hassan Diab como primeiro-ministro.

A substituição do Governo no Líbano é uma questão que também interessa aos líderes ocidentais, que têm garantido o envio de ajuda ao povo libanês e a injecção de milhões de dólares no país para que sejam feitas grandes reformas no sistema. 

Durante uma visita a Beirute, na semana passada, o Presidente francês, Emmanuel Mácron, encontrou-se com líderes políticos do Líbano, propondo-lhes criar uma "nova ordem política".

A imprensa libanesa noticiou que os Estados Unidos querem que o novo Governo do Líbano exclua o poderoso grupo Hezbollah, apoiado pelo Irão e considerado uma organização terrorista por Washington e pelos seus aliados. Posições contra as quais o Irão se debate, tendo Zarif sublinhado hoje, depois de um encontro com o seu homólogo libanês, Charbel Wehbi, considerar "que deve ser o Governo e o povo do Líbano a decidir isso [a exclusão do Hezbollah]".

"Nenhum país estrangeiro deve tirar vantagem das actuais condições catastróficas do Líbano para impor ditames que são do seu interesse", afirmou. Zarif descreveu as tentativas dos Estados Unidos de impor um Governo ao Líbano, deixando de fora as principais facções políticas libanesas, como "desumanas" e acrescentou que também ofereceu ao seu homólogo libanês ajuda e cooperação para a reconstrução de Beirute e para a melhoria do decadente sector eléctrico do Líbano.

O Líbano é um país "soberano e livre" e deve ser responsável pela investigação da explosão, "mas outras partes podem ajudar e estamos prontos para ajudar se isso nos for pedido", acrescentou. Entretanto, o Presidente do Líbano, Michel Aoun, encontrou-se hoje com o subsecretário de Assuntos Políticos dos EUA, David Hale, a quem garantiu que a prioridade do novo Governo será adoptar reformas e combater a corrupção.

Na quinta-feira, Hale disse que o FBI se irá juntar a investigadores libaneses e internacionais na investigação da explosão de Beirute.

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