Economia

Investimentos reduziram consumo de combustível

Em 2015 o país registava um consumo de 1,4 mil milhões de metros cúbicos de combustível para alimentar a produção de energia eléctrica. Em 2019, a demanda do sector foi de apenas 139 milhões de metros cúbicos, mesmo com um aumento de 14 por cento no consumo de energia em todo o país.

06/03/2020  Última atualização 06H49
Dr © Fotografia por: Conselho Consultivo decorre na barragem de Laúca (Malanje)

Esta realidade também garante benefícios ao nível da viabilidade económica do sector energético e da protecção do meio ambiente. A produção hídrica de ener-gia eléctrica é mais barata e muito menos poluente do que a térmica.

A avaliação foi feita pelo ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, durante o discurso de abertura do X Conselho Consultivo do Mi-nistério da Energia e Águas que decorre, desde ontem, no auditório do centro de formação do Aproveitamento Hídrico de Laúca, localizado no município de Cacuso, província de Malanje.
João Baptista Borges referiu que o nível de consumo à escala nacional é de 2.164 mega watts (MW), o que traduz um aumento de 14 por cento em relação ao ano de 2018, indicador que, segundo frisou, "reflecte os grandes aumentos na cobertura das necessidades, não só de Luanda, como do Cuanza Sul, do Huambo, Bié e Benguela". Estas províncias já se encontram ligadas ao sistema eléctrico nacional.
Entre as inquietações, o ministro sublinhou a fraca evolução na cobrança de dívidas, quer no sector eléctrico, quer nas águas."Não obstante o aumento da produção e do consumo não tem havido a mesma proporção no aumen-to das receitas", o que coloca um grande desafio de sustentabilidade aos dois sectores tendo em conta a inexistência de subsídios do Estado.
Baptista Borges aproveitou ainda para dizer que o impacto dos projectos já executados reflecte-se nas acções de investimento no país, com destaque para a electrificação de todos os municípios da província do Zaire, incluindo a longínqua localidade do No-qui, bem como do Waco Cungo (Cuanza Sul).
No que tange aos desafios futuros, o dirigente deu realce para a extensão da rede eléctrica nacional, cuja priorida-de recai para a interligação Huambo-Lubango-Namibe, assim como a electrificação das sedes municipais da Quibala e do Quitexe.
A expansão dos contadores pré-pagos, o reforço da capacidade de produção de energia eléctrica na região leste com a conclusão da central térmica de Saurimo, central hidroeléctrica de Luachimo e a construção de parques solares na província da Lunda Norte, Lunda Sul e Moxico são outras acções a desenvolver.

Restrições orçamentais

Quanto ao sector de abastecimento de água, João Baptista Borges disse que, embora os números não tranquilizem o sector dado o "relevante impacto das restrições orçamentais e da suspensão de linhas de crédito para a execução dos projectos", regista-se "uma tendência de evolução positiva no abastecimento de água e no aumento de ligações domiciliares" nas capitais de província.
No caso particular de Luanda, o foco deverá incidir sobre o reforço do abastecimento a partir de Kifangondo, a optimização da capacidade da Estação de Tratamento Luanda Sudeste e a construção do novo sistema de captação de água do Casseque.

Governador de Malanje pede mais electricidade

O governador de Malanje, Norberto dos Santos "Kwata Kanawa", defendeu ontem, em Cacuso, a necessidade de imprimir maior celeridade no acesso à rede eléctrica com vista à materialização do Pólo de Desenvolvimento Industrial de Malanje.
No discurso de boas-vindas aos delegados do décimo Conselho Consultivo do Ministério da Energia e Águas, que encer-ra hoje, o governador lembrou que apenas são exploradas 10 por cento das terras aráveis da região e que pretende fo-mentar o sector turístico, o que passa por uma rede eficiente de distribuição de energia e água.
Para Norberto dos Santos, o Pólo de Desenvolvimento Industrial de Malanje representa "um activo económico" que deve ser operacionalizado e que, a menos de 5 quilómetros do centro da cidade de Malanje, os bairros continuam a não estar "ligados à rede de energia".

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