Sociedade

Inventores angolanos apresentam inovações

Kátia Ramos

Jornalista

O secretário de Estado para as Telecomunicações e Tecnologias de Informação, Mário Augusto Oliveira, enalteceu, esta segunda-feira, em Luanda, o interesse do empresariado em continuar a buscar os melhores alunos inovadores.

17/05/2022  Última atualização 09H15
Estudantes do ITEL em grande na Feira de Telecomunicações © Fotografia por: Rafael Tati | Edições Novembro

Ao discursar na abertura da 13ª edição da Feira de Tecnologias e Inovação do Instituto de Telecomunicações (ITEL), o secretário de Estado referiu que a exposição demonstra a potencialidade académica, com produtos que vão melhorar os serviços sociais. "Vimos projectos bastante inovadores, idealizados por uma classe de jovens que demonstra orgulho nacional”, sublinhou.

Acrescentou que a feira já faz parte dos projectos das telecomunicações, que apresentam uma juventude talentosa e permitem a aproximação com o empresariado nacional, que busca produtos e serviços de qualidade. Informou que o Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social (MTTICS) está a trabalhar com o da Educação no sentido de motivar os jovens a investirem mais em iniciativas inovadoras e competentes.    

Para o secretário de Estado para o Ensino Secundário, Gildo Matias, que também interveio na cerimónia, o Ministério da Educação tem o ITEL como referência a nível da tecnologia e inovação, não só pelo nível de exigência mas pela disponibilidade que o mundo empresarial tem em enquadrar os melhores alunos.

Realçou que o instituto tem sido uma escola que responde a nível nacional às expectativas dos técnicos quanto à mão-de-obra qualificada, com um domínio das tecnologias com referências. "Vimos aqui boas iniciativas que vão ajudar a encontrar soluções tecnológicas para problemas ligados à agricultura, software para gestão de produção agrícola ou do tráfego rodoviário, assim como o melhoramento do contexto nas aulas”.

Acrescentou que o Ministério da Educação está a trabalhar na criação de condições que mostram as iniciativas dos estudantes, de forma a passar os seus projectos do processo de formulação de propostas para uma média ou grande produção industrial, bem como o seu financiamento. 

Gildo Matias lembrou que o ITEL inaugurou recentemente um túnel de desinfestação, numa demonstração que a mesma é parte da resposta dos problemas que afectam a sociedade. "O ITEL foi uma das escolas que em tempo útil deu resposta à falta de materiais de biossegurança, aquando no início da pandemia da Covid-19”, sublinhou.

O secretário de Estado informou que o Ministério da Educação está a trabalhar com os alunos do ITEL e com a direcção no sentido de garantir o lançamento da escola virtual angolana, um produto que está a ser construído com técnicos da referida escola, que tem ocupado um lugar muito importante na oferta formativa. 

O director do ITEL, Cláudio Gonçalves, esclareceu que a feira visa aproximar a comunidade estudantil ao sector empresarial. Informou que, a cada ano, os estudantes apresentam, no final dos cursos, projectos inovadores que trazem soluções sustentáveis diante da sociedade.

Um dos projectos que muito chamou a atenção foi a criação de um "detector de malária não invasivo”, que permite fazer os testes a pacientes sem necessidade de colecta de sangue nas veias. O mesmo já foi testado numa unidade hospitalar de Luanda, com mais de 100 amostras, com resultados satisfatórios.

Segundo o director, os projectos apenas precisam de  passar para uma fase de maturação, analisando a viabilidade comercial. 

Até o ano passado, salientou, não havia nenhum suporte que garantisse o acompanhamento dos projectos, mas tudo mudou com a inauguração da Incubadora Digital.ao, que serve de suporte e acompanhamento dos projectos com viabilidade para serem lançados no mercado.

A Feira de Tecnologia e Inovação alberga, até amanhã, 80 expositores, a maioria dos quais estudantes do ITEL.

O ITEL lecciona os cursos de Electrónica e Telecomunicações, Informática e Sistemas Multimédia, com 1.060 alunos.            

Mauro Manuel, de 14 anos, um dos expositores, trocou as brincadeiras apropriadas à sua idade pela invenção. Mauro criou uma  "Rádio de Bidon”, com apenas uma placa capaz de sintonizar todas as estações e toca via Bluetooth.

Contou ao Jornal de Angola que, com apenas cinco anos, andava pelas ruas de Luanda à procura de material electrónico para adaptar. Foi nesta senda que, ao deparar-se com o seu potencial, o pai do menino pediu ajuda a um amigo electrotécnico, com a finalidade de aperfeiçoar o filho, que trabalhou como ajudante durante três anos na sua oficina. Hoje Mauro monta antenas parabólicas e adapta vários aparelhos com novas dinâmicas.  

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