Economia

Interrupção do tráfego eleva preços no Lubango

Entre as centenas de veículos imobilizados, desde sábado, no Cutembo, com o desabamento da ponte metálica sobre o rio dessa localidade do município do Chongorói, estão camiões carregados de farinha de trigo, com destino às províncias da Huíla e Cunene, o que faz temer o aumento do preço do pão nos próximos dias.

06/01/2020  Última atualização 09H07
Estanislau Costa| Edições Novembro © Fotografia por: Desabamento de ponte np Cutembo causa causa caos na EN 105

Há, também, receio de que se assista, proximamente, ao aumento dos preços de outros produtos que chegam ao Lubango por estrada, a partir de Benguela (bebidas e peixe) e Luanda. A caixa de peixe, de 20 quilos, já está a ser vendida no Lubango ao preço de vinte e sete mil kwanzas, contra vinte mil antes da interditação da passagem pela ponte sobre o rio Cutembo.
Na cidade do Lubango, onde o saco de farinha de trigo custa actualmente dezoito mil kwanzas, receia-se que dispare para cima dos vinte mil kwanzas, com o reflexo imediato para o preço do pão e outros produtos de pastelaria, segundo industriais de panificação contactados pelo Jornal de Angola.
“A situação pode piorar nos próximos dias, se começar a escassear a farinha de trigo e subir o preço do pão”, lamentou um industrial, prevendo dias difíceis com o atraso da chegada dos camiões ao Lubango.
O Jornal de Angola soube que pelo menos onze camiões, carregados de trigo, a partir do Porto Comercial do Lobito, encontram-se no Cutembo, a aguardar que o nível do caudal baixe nos próximos sete dias e permita a abertura de uma passagem alternativa, enquanto se aguarda pela construção de uma ponte definitiva. Mas esse é um cenário pouco provável, a avaliar pela intensidade com que cai a chuva em toda a região sul de Angola.

Prejuízos à vista

Camionistas contactados pela reportagem do Jornal de Angola lamentaram os prejuízos provocados pela interrupção da circulação nesse troço da Eestrada Nacional 105, que liga o litoral Norte ao Sul de Angola. “Os gastos são muito elevados e teremos dificuldades em entregar a carga ao dono no devido tempo. Isso terá peso no frete”, referiu Alberto Xavier, imobilizado com um camião de dez toneladas de farinha de trigo com destino à cidade do Lubango.
Outro camionista, Francisco Malenke, que transporta, numa Volvo, quinze toneladas de farinha de trigo para uma empresa privada na cidade de Ondjiva (Cunene), explicou que permanece na ponte do rio Cutembo há três dias e não sabe quando segue viagem.
Do lado de Quilengues, estão parados, próximo da ponte, centenas de veículos carregados, sobretudo de cereais, fruta, tomate, animais e pequenos negócios para Benguela e Luanda. Há, também, camiões da companhia sul-africana Shoprite com produtos para a rede de supermercados em Luanda e outras províncias do Norte de Angola.
O Jornal de Angola soube, também, que pelo menos noventa camiões da empresa LTI, com destino à localidade de Tchamutete (Jamba), para o transporte de minério, estão, igualmente, retidos nessa zona limítrofe entre as províncias de Benguela e da Huíla.
Na comuna do Hoque, cerca de setenta quilómetros a norte do Lubango, o transbordo de água de um riacho está a perigar a passagem de camiões com carga nesse troço, estando na iminência de ficar intransitável. “Aqui, as intervenções feitas foram sempre paliativas, para evitar a interrupção da circulação”, lamentou o administrador Inácio Saprinho em declarações ao Jornal de Angola.
A circulação rodoviária entre as sedes municipais de Chicomba e Quipungo ficou, também, interrompida, depois que o caudal de água transbordou sobre a ponte do Capemba, quando crescem receios do desabamento da vedação da barragem do Sendy, no município do Quipungo.

Procura de opções

Alguns camionistas idos da Huíla optaram por retornar, tomando a via Caluquembe, Caconda e Caála (Huambo) e, a partir daí, chegarem a Benguela ou Luanda. Há companhias de transportes que já enviaram autocarros ao local do incidente, para o transbordo de passageiros, priorizando mulheres grávidas, crianças, idosos e doentes para a Namíbia.
A medida permite descongestionar um grande número de passageiros retidos junto ao rio Cutembo.

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