Política

Interpol emite alerta para captura de Isabel dos Santos

A Interpol emitiu um alerta vermelho para deter a empresária Isabel dos Santos, acusada de vários crimes, confirmaram, ontem, fontes da organização internacional de Polícia e do Serviço de Investigação Criminal.

02/12/2022  Última atualização 09H01
Estados-membros da Interpol são chamados a colaborar entre si para o esclarecimento de processos-crime © Fotografia por: DR

De acordo com a RNA, que noticiou o facto, o alerta vermelho da Interpol vem na sequência de um pedido feito pelas autoridades angolanas, que viram fracassadas todas as tentativas para ouvir a empresária.

Com este alerta vermelho, a Interpol pede às forças de segurança locais e em todo mundo para localizarem e deterem, provisoriamente, a antiga presidente do Conselho de Administração da Sonangol.

A Interpol esclarece que este alerta vermelho não é propriamente um mandado de captura internacional, mas sim uma solicitação de um Estado aos outros, distribuído por seu intermédio, com o fim único de localizar e deter, provisoriamente, por 72 horas, a pessoa em causa enquanto se aguarda a extradição, entrega voluntária ou aplicação de uma acção legal semelhante.

A fonte do SIC garantiu que o alerta vermelho foi emitido há já alguns dias, na sede da Interpol, em Lyon, França, e que dentro em breve estará disponível para cumprimento. "Este é um pedido de Angola a todos os países que integram a Interpol, para que localizem e prendam provisoriamente a empresária Isabel dos Santos. Depois da Interpol enviar este alerta para todos os Estados-Membros, caberá a cada país decidir, de acordo com a sua legislação nacional, se irá detê-la ou não e entregá-la às autoridades angolanas”, disse a fonte do Serviço de Investigação Criminal.

Na segunda-feira, o Procurador-Geral da República, Hélder Pitta Groz, confirmou a emissão, no início do mês de Novembro, de um mandado de captura internacional contra a empresária Isabel dos Santos, e que as autoridades angolanas estão a trabalhar com a Interpol para a sua localização já que não se sabe onde a mesma se encontra.

"Aqui em Angola temos uma representação da Interpol e é lá onde fizemos a entrega desta documentação. Daí segue toda a tramitação até à sede da Interpol, que, por sua vez, a vai disseminar por todos os países que fazem parte da agência internacional de Polícia”, disse o Procurador-Geral, acrescentado que caso Isabel dos Santos esteja disponível, deve revelar o país onde se encontra, bem como o seu endereço concreto, para que dessa forma possamos mandar uma carta rogatória para este país. Temos tido contacto com os advogados, mas no processo-crime o interrogatório tem de ser feito as pessoas visadas e não aos advogados, ela deve estar presente e o advogado acompanhá-la”, vincou.

Isabel dos Santos está a ser procurada por crimes como peculato, fraude qualificada, lavagem de dinheiro, entre outros.

De acordo com a PGR, Isabel dos Santos é alvo de um processo-crime que está em curso e que em 2018 ouve uma primeira tentativa de notificá-la, incluindo várias outras no exterior, mas sem sucesso.

O Procurador-Geral da República afirmou que a PGR deu à empresária Isabel dos Santos várias oportunidades para que ela respondesse às notificações: "Mandamos várias notificações e nenhuma foi respondida. Depois de estarmos quatro anos com o processo parado, decidimos em última razão emitir o mandado”, sublinhou.

O mandado de captura internacional contra Isabel dos Santos foi emitido apenas agora, dois anos depois do arresto preventivo de muitos dos seus bens, contas bancárias e participações sociais em Angola e no exterior. Os advogados de defesa e a própria empresária têm negado, entretanto, a existência de um mandado de captura internacional, como tem sido alegado pela PGR.

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