Sociedade

Internet estimula a investigação científica na província do Bengo

Alfredo Ferreira | Caxito

Jornalista

A professora Isabel Paquete, de 30 anos, já não consegue viver sem Internet, o principal recurso que utiliza para melhorar, organizar, planificar e ministrar aulas de Língua Portuguesa aos alunos do Instituto Politécnico de Gestão e Administração do Bengo (IPGAB).

20/05/2022  Última atualização 06H45
Jovens dizem que têm utilizado as redes sociais para trabalhos de pesquisas estudantis © Fotografia por: DR

"No meu dia-a-dia, a Internet ajuda-me muito nas acções de investigação para a preparação das aulas. Normalmente, faço as minhas investigações a partir do telemóvel, e também no computador, quando estou em casa”, explicou.

Quanto aos alunos, Isabel Paquete reconhece que a maioria faz mau uso dos conteúdos que encontram na Internet. "Copiam tudo. Entregam os trabalhos sem revisar ou analisar e apresentam como tarefas escolares de investigação”, acusou.

Falando ao Jornal de Angola, em Caxito, por ocasião do Dia Mundial da Internet e das Telecomunicações, comemorado terça-feira, a professora apelou à utilização racional da Internet para a construção de uma sociedade sã.

Osvaldo Cruz, estudante do 4º ano de Psicologia, na Escola Superior Pedagógica do Bengo, disse que a Internet facilita a investigação científica. O jovem de 25 anos, morador do bairro Kijoão Mendes, arredores de Caxito, não larga o telemóvel. É o único equipamento que possui para aceder ao tão avançado sistema de comunicação.

"É com muita pena que observo várias pessoas a utilizar a Internet com o objectivo de espalhar boatos ou difamar outras pessoas”, lamentou.

Na opinião de Isaías Castro, 19 anos, estudante do curso médio de Gestão no IPGAB, a Internet deve ser utilizada para fins que contribuam para o crescimento da sociedade e não para destruí-la.

O jornalista Valdemiro Afonso, da Rádio Nacional de Angola, no Bengo, utiliza a Internet para fins laborais, motivo que o leva a carregar constantemente o seu telemóvel com saldo de dados, para manter-se ligado ao país e ao mundo.

"Um jornalista não pode ficar desligado do mundo das tecnologias de informação, sobretudo devido à dinâmica que existe hoje no processamento da informação disponível, de minuto a minuto, nas redes sociais. E tenho de acompanhar sempre essa evolução, para não ficar atrás de outros profissionais da imprensa”, disse.

Referiu que, em relação à Rádio, para manter o ouvinte bem informado, é importante que o jornalista esteja em cima dos acontecimentos, sempre actualizado sobre os mais variados assuntos, para informar com verdade. "E a Internet é uma ferramenta indispensável para a realização do trabalho jornalístico”, comentou.

Acrescentou que, por meio da Internet, o sinal da rádio é transmitido em directo, através da plataforma Facebook, onde os ouvintes procuram actualizar-se sobre os vários factos noticiosos que acontecem no país e no mundo.

"A Internet nos leva à evolução tecnológica. Mas, abrem-se algumas janelas para a realização de actos maléficos. Muita gente aproveita-se dessa ferramenta e comete acções ilícitas, como ataques cibernéticos, burlas, calúnias e difamação”, frisou.

 

  Uso racional

Para o morador do Panguila, António Bandeira, a Internet é uma ferramenta muito útil para a sociedade, quando é bem utilizada. De acordo com o jovem, de 25 anos, se o sistema de tecnologia de informação e comunicação não for convenientemente utilizado, torna-se num meio extremamente perigoso.

"O seu uso deve ser racional, para que não se destruam os valores passados pelos pais. Deve ser utilizada para facilitar a comunicação e investigação de conteúdos úteis ao desenvolvimento da sociedade”, opinou.

Conhecendo bem a importância que os meios tecnológicos representam para a formação das filhas, uma de 20 e outra de 18 anos, Maria Gomes, comprou um computador portátil e um kit de Internet, para facilitar na investigação e execução dos trabalhos solicitados pelos professores.

De 50 anos, a mãe, que vive no bairro Kingungo, município do Dande, carrega todos os meses a Internet, para agradar as filhas. "Às vezes, elas ficam muito tempo no Facebook e quando vejo nas suas páginas publicações que não vão ao encontro daquilo que lhes transmito, chamo-lhes à atenção e ordeno a retirada imediata dos conteúdos”, contou.

Tal como noutros pontos do país e do mundo, na província do Bengo, a Internet contribui para o sucesso na realização de várias tarefas, melhora as relações interpessoais e estimula a investigação científica, segundo os nossos interlocutores.

Desde 1969, o Dia Mundial da Internet e das Telecomunicações tem sido comemorado anualmente, a 17 de Maio.

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