Regiões

Interdita exploração de recursos florestais

Elautério Silipuleni | Ondjiva

Jornalista

O abate ilegal de árvores, como as do tipo Mussivi e Pau-Rosa, em vias de extinção, tende a aumentar na província do Cunene, apesar da proibição, em 2020, pelo Ministério da Agricultura e Florestas, da exploração florestal, nomeadamente corte, circulação e transporte de madeira, em consequência da seca.

27/09/2022  Última atualização 08H45
Produção de carvão entre as causas do abate de árvores © Fotografia por: DR

O chefe de Departamento Provincial do Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF), Dumbo Mupei, denunciou o envolvimento de fazendeiros em operações de autêntica devastação florestal, com a conivência da população, à qual, também, culpabilizou pelo aumento do corte de árvores, para produção de madeira, carvão e lenha.

Dumbo Mupei defende a atribuição de licenças aos exploradores locais, para se travar a exploração ilegal. "Muitos madeireiros e pessoas individuais no Cunene optam pelo abate ilegal e negociam com proprietários de marcenarias e carpintarias, onde comercializam os produtos de forma ilícita".

Acrescentou que o IDF confirmou a existência de marcenarias e carpintarias que realizam trabalhos de pequenas dimensões de confecção de mobiliário e outros meios, cuja matéria-prima é a madeira. "Isso pressupõe a existência de exploração ou garimpo, apesar da suspensão temporária. Não existe nenhuma empresa ou cidadão licenciado para a produção de madeira ou comercialização de carvão".

Dumbo Mupei disse que o IDF precisa de mais técnicos e meios para reforçar o trabalho de fiscalização nas áreas de exploração, como, por exemplo, nas localidades de Oshimolo, Namacunde, Cuvelai e Cahama, bem como  nas vias que ligam  Ondjiva e Xangongo, Ondjiva e Cuvelai, Xangongo e Cahama, Cahama e Gambos, as mais atingidas pelo abate ilegal de árvores para a produção de madeira e fabrico de carvão e lenha.

"Estamos apenas a fazer uma fiscalização peri-urbana e muitas vezes tomamos algumas medidas punitivas, aplicação de multas, apreensão do material e a responsabilização do prevaricador”, sublinhou. 

Deu a conhecer que a exploração florestal foi suspensa divido à desertificação crescente e a necessidade da protecção da biodiversidade na província do Cunene, por causa da seca cíclica que se verifica nos últimos anos.

Defendeu a necessidade de um maior envolvimento dos líderes comunitários, autoridades tradicionais, religiosas e administrações municipais, na sensibilização da população sobre os perigos da exploração desregrada das florestas e da fauna. "Em 2021 foram aplicadas cinco multas, que resultaram na arrecadação de três milhões de kwanzas".

IDF precisa de mais fiscais

O Instituto de Desenvolvimento Florestal precisa de mais 36 fiscais para conter o corte indiscriminado de árvores para a produção de madeira, carvão e lenha na província do Cunene.

O chefe do Departamento Provincial do IDF disse, ao Jornal de Angola, que a instituição tem sérias dificuldades para fiscalizar as florestais, por possuir apenas cinco técnicos e tendo em conta o número de florestais que a região possui.

Dumbo Mupei informou que os cinco fiscais estão distribuídos pelos municípios do Cuvelai, Cahama e Namacunde, mas funcionam apenas nas sedes, onde tentam travar a venda de carne de caça e a entrada ou saída de camiões carregados com toros de madeira e carvão, com auxílio da Polícia. 

"Na província do Cunene existem vários cidadãos nacionais e estrangeiros que exploram a floresta desregradamente, desrespeitando as normas estipuladas por lei e não realizam projectos de desenvolvimento para as comunidades onde estes recursos são retirados”, lamentou Dumbo Mupei.   

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Regiões