Política

Inteligência Artificial deve ser abordada com princípios

O embaixador de Angola na Etiópia e Representante Permanente junto da União Africana (UA) e da Comissão Económica das Nações Unidas para África (UNECA), Miguel Bembe, defendeu, ontem, em Adis Abeba, ser imperativo adoptar uma abordagem ética e cuidadosa ao lidar com as questões inerentes à Inteligência Artificial (IA).

14/06/2024  Última atualização 09H39
Diplomata Miguel Bembe na 1214ª Reunião do Conselho de Paz e Segurança da União Africana © Fotografia por: DR

Miguel Bembe, que falava na 1214ª Reunião do Conselho de Paz e Segurança da UA, realizada no formato virtual, realçou a necessidade de se garantir a operacionalização de uma ferramenta que beneficia a sociedade, como um todo, protegendo os valores e direitos fundamentais dos cidadãos.

No evento que decorreu sob o tema "O Impacto da IA na Paz e Segurança em África", o diplomata angolano disse que a IA, é amplamente reconhecida como uma ferramenta com um potencial transformador significativo, especialmente quando se trata de enfrentar os desafios de instabilidade, conflitos e subdesenvolvimento económico em África.

Neste contexto, referiu o embaixador, entre os desafios, a falta de infra-estrutura tecnológica, as limitações das habilidades técnicas, as preocupações com a privacidade e segurança dos dados, a disseminação de desinformação e o potencial constam no uso indevido da IA em contextos militares e de segurança.

Miguel Bembe considerou ser essencial garantir que esta ferramenta seja desenvolvida e utilizada em conformidade com as normas internacionais de direitos humanos e humanitários, visando impactar positivamente em áreas importantes para a paz e segurança em África.

O diplomata angolano, defendeu, ainda, a criação de regulamentos claros e a elaboração de políticas para supervisionar o uso da Inteligência Artificial, assegurando a protecção de dados e a privacidade dos cidadãos, bem como o trabalho em estreita colaboração com outros países africanos para harmonizar a legislação e ajustar as melhores práticas.

Incentivou o estabelecimento de parcerias entre governos, sector privado e organizações internacionais para desenvolver e financiar projectos de IA, bem como o apoio à inovação local e ao investimento em infra-estruturas digitais robustas, especialmente nas regiões rurais.

Miguel Bembe apelou à implementação de programas de formação no domínio da Inteligência Artificial, especialmente para mulheres e jovens, no sentido de garantir que as necessidades e preocupações, principalmente a de natureza ética, sejam atendidas.

Ao terminar, o diplomata angolano disse ser fundamental a colaboração entre os Estados-membros da UA, a sociedade civil e o sector privado para definir uma estratégia coerente e eficaz, visando apoiar o complexo processo de inserção de África no mundo da IA controlada, face a questões de soberania, de proliferação de conflitos armados e do terrorismo transnacional, entre outros desafios à paz e à segurança no continente.

A reunião foi orientada pela embaixadora Rebecca Amuge Otengo, Representante Permanente da República do Uganda junto da União Africana, que preside o evento no mês em curso e contou com a participação do comissário para os Assuntos Políticos, Paz e Segurança da organização continental, Bankole Adeoye.

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