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Instituto Religioso reage a informações sobre “falso pastor Kimbanguista”

O Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos (INAR) esclarece, numa nota a que o Jornal de Angola teve acesso, ontem, que o Estado sempre procurou uma plataforma de aproximação, através do diálogo e entendimento entre as partes, no persistente conflito em torno da Igreja Kimbanguista.

12/01/2022  Última atualização 09H04
© Fotografia por: DR
A reacção surge na sequência da publicação de uma matéria, recentemente, no portal "Repórter Angola”, com o título "Falso pastor Paul Kisolokele lidera Igreja Kimbanguista em Angola com ajuda do Ministério da Cultura”.

Para o INAR, a Igreja de Jesus Cristo Sobre a Terra (Kimbanguista), fundada a 6 de Abril de 1921, pelo profeta Simon Kimbangu, na República Democrática do Congo (RDC), "é uma instituição religiosa reconhecida pelo Estado angolano, à luz do Decreto Executivo n.º 9/87, de 24 de Janeiro”.

De acordo com o INAR, é nesse quadro que "o Estado angolano, através do Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos e outras instituições, procurou sempre uma plataforma de aproximação, através do diálogo e entendimento entre as partes, intermediando o conflito, com o objectivo de se alcançar a reconciliação e a unificação da Igreja Kimbanguista em Angola, facto que até aos dias de hoje não foi atingido”.

O INAR acrescenta que, dentro da legalidade, o Estado reconhece como líder espiritual e representante legal da Igreja de Jesus Cristo Sobre a Terra em Angola (Kimbanguista), sua Grandeza Kisolokele Kiangani Paul e não o Reverendo Daniel Sebastião da Silva.

Na visão do INAR, o Reverendo Daniel Sebastião da Silva, ao apresentar-se como presidente delegado do Colégio Executivo Nacional da Igreja de Jesus Cristo sobre a Terra em Angola (Kimbanguista), liderada por Kisolokele Kiangani Paul, "viola o disposto na Lei sobre a Liberdade de Religião e de Culto”, uma vez que Daniel da Silva "é considerado dissidente e a constituição do seu grupo resultou de cisão ou desmembramento e, como tal, não tem legitimidade de representação dessa denominação religiosa, nos termos da Lei”.

Note-se que as normas internas (Estatuto Orgânico da Igreja de Jesus Cristo Sobre a Terra - Kimbanguista) estipulam uma estrutura orgânica em dois níveis hierárquicos fundamentais, sendo uma de carácter internacional e outra de carácter nacional.

A nível internacional, a igreja é legalmente representada pelo chefe espiritual e pelos chefes espirituais adjuntos (26 netos do Profeta Simon Kimbangu) e a nível de cada país, onde a Igreja está implantada, o Estatuto Orgânico determina que o representante legal é um dos chefes espirituais adjuntos com residência naquele país.

Em face disso, o INAR esclarece que Kisolokele Kiangani Paul é um dos 26 netos de descendência consanguínea directa do Profeta Simon Kimbangu e, nessa qualidade, conforme o artigo 19.º, do Estatuto da Igreja, ele foi enviado para Angola em 1997, pelo seu pai, Dialungana Kiangani Salomon, para dirigir a comunidade, a pedido da direcção da Igreja Kimbanguista em Angola, liderada, na altura, pelo Reverendo Miguel Nunes Diafuka.


Angola & RDC 

Desde a sua implantação na República de Angola, a Igreja Kimbanguista foi sempre a "coroa da jóia” da sede mundial, em Nkamba-Nova Jerusalém, República Democrática do Congo (RDC), já que foi com os recursos financeiros, provenientes das contribuições e doações dos fiéis angolanos e que eram enviados para a sede mundial durante décadas, que Nkamba-Nova Jerusalém constituiu-se num património de referência religioso no mundo.

Enquanto isso, a Igreja Kimbanguista em Angola continuou, cada vez mais, pobre e sem infra-estruturas adequadas, nem projectos sociais que beneficiassem a própria comunidade de fiéis. Há precisamente 20 anos, começou a crise da Igreja Kimbanguista em Angola, a partir do momento em que a liderança de Kisolokele Kiangani Paul começou a apostar na melhoria das condições internas da comunidade, com programas nas áreas da Educação, Saúde e Agricultura, tornando a Igreja numa organização religiosa moderna e de referência da sociedade angolana.

Nos termos da Lei, o Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos apela "ao diálogo, à reconciliação, ao perdão, à unidade e à compreensão mútua no seio da Igreja de Jesus Cristo sobre a Terra (Kimbanguista) em Angola, e não só, a fim de continuarem a contribuir para a consolidação da Paz, da Unidade Nacional e do Desenvolvimento Sustentável”.

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