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Insegurança alimentar na Guiné-Bissau piorou nos últimos seis meses

A insegurança alimentar na Guiné-Bissau piorou nos últimos seis meses devido ao aumento dos preços dos produtos alimentares na sequência da guerra da Ucrânia e às consequências da covid-19, referiu quarta-feira (18) o Programa Alimentar Mundial (PAM).

18/05/2022  Última atualização 18H03
insegurança alimentar na Guiné-Bissau © Fotografia por: DR

Os dados constam de um inquérito à situação da segurança alimentar nutricional no país realizado pelo PAM, Ministério da Agricultura e Instituto Nacional de Estatística, no âmbito do Programa Ianda Guiné ‘Kume dritu’ (come bem), financiado pela União Europeia.

"O quadro da insegurança alimentar”, afirmou Pita Correia, oficial de nutrição do programa das Nações Unidas em Bissau, salientando que, em Março deste ano, 21% da população estava exposta à insegurança alimentar contra os 14% registados em Março de 2021.

Segundo Pita Correia, as regiões de Gabu, Quinara, Bafatá e Tombali são as mais afectadas com "taxas de prevalência que variam entre 38 e 23%”.

"A deterioração da segurança alimentar está ligada, em certa medida, ao aumento dos preços dos principais alimentos na sequência da crise russo-ucraniana. Lamentavelmente, estamos perante uma crise global com consequências em todos os países, sem excepção. Nenhum país conseguirá escapar ao efeito dominó do conflito no preço dos alimentos e dos combustíveis”, salientou Pita Correia.

O oficial de nutrição do PAM destacou também que as "consequências da covid-19 ainda são percetíveis” em economias mais frágeis, mas que uma "boa época de caju poderia aliviar as dificuldades alimentares das famílias”.

Os resultados do inquérito mostram também que "metade das famílias guineenses não têm capacidade económica para cobrir o cabaz de despesas mínimas, cujo valor ‘per capita’ e por mês foi estimado em 26.225 francos cfa (cerca de 40 euros)”.

Os dados indicam também que apenas 4% das crianças são capazes de ter uma alimentação "mínima aceitável”.

Das mulheres em idade fértil (entre os 15 e 49 anos), apenas 31,4% tem uma alimentação diversificada.

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