Reportagem

Início tardio das chuvas condiciona colheita de produtos do campo

Chuvas apenas começaram a cair em Novembro, o que vai fazer com que produtos como o milho, massambala, massango e outros cereais sejam colhidos apenas em finais de Fevereiro ou Março

07/02/2022  Última atualização 07H45
© Fotografia por: DR
O presidente da UNACA – Federação das Associações dos Camponeses e Cooperativas - na província de Benguela, João Simão Januário, justificou o lento desenvolvimento das plantações no ano agrícola em curso, particularmente nos sete municípios do interior da província (Bocoio, Balombo, Caimbambo, Cubal, Chongorói e Ganda), com a tardia preparação de terras e ao início tardio das chuvas.

As chuvas apenas começaram a cair em Novembro do ano passado, um mês após a abertura do ano agrícola 2021/2022.
O responsável da UNACA explicou, ao Jornal de Angola, que "devido ao início tardio das chuvas, produtos como o milho, massambala, massango e outros cereais que são culturas de ciclo mais curto (de três a quatro meses para a sua colheita), estarão prontos somente em finais de Fevereiro ou Março.

João Januário acredita que, caso chova um pouco mais nos próximos dias, haverá muita produção de milho, massambala, massango, feijão (incluindo o frade) e amendoim, entre outros cereais de curta duração. Mas, sublinhou, a mandioca, batata-doce e rena e as frutas como abacaxi, laranja e limão, precisarão de mais tempo para a sua maturação.

Nos três municípios do litoral (o município-sede da província, Lobito e Baía Farta), a situação da estiagem vem sendo mitigada com o suporte do sistema de rega, porque o nível freático dos rios subiu consideravelmente. Neste caso, referiu, o desenvolvimento das culturas cumpre as etapas de acordo com a planificação efectuada.

Segundo João Januário, na campanha agrícola em curso, a UNACA conta com 410.812 hectares trabalhados por 273. 875 camponeses afectos a 54.775 famílias. A Federação das Associações dos Camponeses e Cooperativas da província de Benguela prevê colher cerca de 308,1 milhões de toneladas de produtos diversos.


Impacto da estiagem no ano passado

João Januário lembrou que, na época agrícola 2020/2021, a estiagem provocou a perda de 77.431 toneladas de produtos diversos em 103.166 hectares. Isso correspondeu a 97,5 por cento de toda a produção prevista.

As perdas monetárias ficaram estimadas em 7,6 milhões de kwanzas. Este montante tinha sido aplicado na preparação de terras, compra de sementes, fertilizantes e no pagamento da mão-de-obra.

A estiagem cíclica é um factor negativo que tem afectado, sobremaneira, a segurança alimentar do ponto de vista social, económico e estabilidade física das pessoas, pois tem limitado o direito das famílias ao acesso a alimentos saudáveis de forma regular e sustentável.
Adão Faustino│Benguela

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