Opinião

Iniciativa de paz na RDC

Todas as diligências, que estão a ser feitas pelas lideranças africanas ao nível da sub-região da África Central e dos Grandes Lagos, para o esperado desanuviamento entre a RDC e o Rwanda, são bem-vindas. O clima de tensão é ainda reversível, sobretudo a julgar pela demonstrada disposição dos dois países de ouvirem e de se sujeitarem às iniciativas de concertação até agora manifestadas.

22/06/2022  Última atualização 09H55

A começar pelo passo dado pelo Presidente João Lourenço, cujas responsabilidades acrescidas enquanto líder da Conferência Internacional para a Região dos Grandes Lagos (CIRGL) falam por si e levaram-no já a interagir com as  duas partes ao ponto de ocorrer a troca de soldados rwandeses e de um cidadão da RDC, todos os outros "players" podem igualmente intervir.

Angola acompanha com todo o interesse que a RDC e o Rwanda se enten-dam, resgatem os momentos de reaproximação que os Presidentes Félix Tshisekedi e Paul Kagamé, os respectivos Governos e povos, demonstraram até muito recentemente.

Não foi há um ano, nem há mais de seis meses que ambos os países rubricaram importantes acordos, entre eles o da exploração conjunta de ouro, um passo importante inclusive na desmistificação  das narrativas de suposto roubo  de minerais da RDC por grupos alegadamente identificados com o Rwanda. Infelizmente, e de maneira unilateral por parte da RDC, os referidos acordos foram recentemente suspensos e os dois países encaminham-se rapidamente para a previsível ruptura das relações bilaterais, se nada for feito.

Esperemos que haja muita ponderação de ambos os lados, que o actual clima de tensão que envolve, à partida os políticos, não acabe por "contagiar" os militares ao ponto de a confrontação se tornar  inevitável, tal como ocorreu há dias com o incidente da troca de tiros em que morreu um soldado das Forças Armadas da RDC.

A iniciativa do Presidente do Quénia, Uhuru Kenyatta, para a criação de uma força regional para ser desdobrada na RDC, por força da actual realidade na fronteira entre a RDC e o Rwanda, é, como se disse, bem-vinda em nome da paz e estabilidade africanas.

Diz-se que a RDC já tornou pública a decisão de não aceitar a participação do país vizinho de uma eventual força regional, uma postura compreensível à luz dos últimos desenvolvimentos, mas que em nome da paz e da estabilidade, deveria  ser reavaliada. Compreendemos a posição da RDC em descartar a possibilidade de participação do Rwanda, mas insistimos que vale a pena dar-se a possibilidade, inclusive, de o Rwanda provar a sua inocência. É bom que ao Rwanda, caso venha a efectivar-se a criação da referida força regional, seja a oportunidade de participar, ainda que a título de mero observador, partindo do princípio de que sendo parte do problema deve ser parte da solução que se busca com a iniciativa do Presidente Kenyatta.

Auguramos que as lideranças regionais sejam capazes, acima de tudo, de prevenir  que a RDC  e o Rwanda cheguem longe no actual clima de tensão. 

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