Economia

Inicia construção da Central Fotovoltaica do Caraculo

A Solenova, uma joint-venture detida em partes iguais pela Sonangol e a italiana Eni para o desenvolvimento de energias renováveis, lançou, sexta-feira, a primeira pedra para a construção da Central Fotovoltaica de Caraculo, no Namibe.

22/05/2022  Última atualização 12H55
Presidente da Solenova (à direita) assina contrato de construção com o director-geral da Saipem © Fotografia por: DR

O projecto do Caraculo compreende a instalação faseada de uma central fotovoltaica de 50 megawatts (MW), a primeira das quais com 25 MW, de acordo com informações obtidas no lançamento  da empreitada.

A construção está entregue à Saipem, uma empresa italiana de engenharia e construção de projectos de energia, preveendo-se que a electricidade gerada pela central seja despachada para a rede de transmissão do Sul.

O projecto, localizado numa zona desértica não habitada, vai contribuir para a redução do consumo de gasóleo para a produção de electricidade, assim como apoiar a transição energética e a diversificação da matriz energética em Angola.

 A central traz o benefício ambiental específico de  reduzir de forma significativa as emissões de gases de efeito de estufa, num projecto que se enquadra nos objectivos do "Angola Energia 2025”, um plano a longo prazo do Governo que tem como principal objectivo proporcionar à população o acesso a serviços energéticos básicos, contribuindo, também, para a realização dos objectivos do "Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2018-2022”, do Governo.

A estratégia institucional angolana estabelece, a médio prazo, uma meta de 500 MW adicionais de energia renovável (solar, eólica, biomassa e mini-hidro) até 2022, com um enfoque específico em projectos solares à escala de utilidade pública.

A fonte considera que, à escala global, o projecto está em conformidade com o Objectivo de Desenvolvimento Sustentável número 7 das Nações Unidas, que preconiza o acesso à energia limpa e acessível.

O acto de lançamento da primeira pedra contou com a participação do ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, do governador do Namibe, Archer Mangueira, do presidente do Conselho de Administração da Solenova, Germano Sacavumbi, dos administradores da Sonangol Baltazar Miguel e Jorge Vinhas, e do director-Geral da Eni Angola, Adriano Mongini.

A Eni, com operações em Angola desde 1980, concordou recentemente com a BP,  formar uma nova empresa independente, participada em partes iguais de 50 por cento, a Azule Energy, através da combinação dos negócios angolanos das duas empresas.

A Sonangol está a aplicar a decisão de passar de uma  empresa nacional de petróleo (NEP) para empresa nacional de energia (NEC), no processo de adopção das noções da transição energética pela companhia.

Nessa acepção, além da Central do Caraculo, a companhia constituiu uma sociedade com a francesa TotalEren e a Greentech Angola, para concluir a Central Solar Fotovoltaica da Quilemba, no Lubango, com capacidade para gerar 35 MW.

Angola reage

O ministro Diamantino Azevedo considerou, na ocasião, que Angola demonstra, com este projecto, que não está distraída face às mudanças que ocorrem no mundo.

"Temos que usar os nossos combustíveis fósseis, mas não podemos ficar distraídos em relação a todo este processo de transição energética e, para provar isso, estamos hoje aqui a lançar este projecto, para além de outros que estão a ser executados e dos que se seguirão”, declarou o ministro dos Recursos Minerais Petróelo e Gás.

 Diamantino Azevedo realçou que o tema da transição energética é um assunto que começou a ser abordado entre o Executivo e vários parceiros desde o início do mandato prestes a terminar, em 2017, tendo referido que a resposta da empresa italiana Eni foi a mais prática.

Os maiores projectos de produção de energia solar estão a ser liderados pelo Ministério da Energia e Águas, em Benguela, onde tem em curso obras para a conclusão da Central Fotovoltaica do Biopio (onde vão ser produzidos 188,8 MW) e Baía Farta (96,7 MW), com a previsão de que ficam concluídos em Maio e Junho do próximo ano, respectivamente.

As obras na Central do Biopio, com um custo acima dos 256 milhões de euros, estavam,  em Março, concluídas em 53,81 por cento, e na da Baía Farta, em 75,42 por cento, decorrendo "com a celeridade que se impõe”, de acordo com declarações em Março divulgadas pelo Ministério da Energia e Águas.


Vladimir Prata | Caraculo

 

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