Economia

Inflação faz aumentar dívida com cartões de crédito

A dívida do cartão de crédito aumentou nos Estados Unidos de Abril a Junho, com os americanos tomando biliões de dólares emprestados para continuar a gastar diante da inflação crescente, de acordo com um relatório de terça-feira do Federal Reserve Bank de Nova Iorque.

03/08/2022  Última atualização 07H45
© Fotografia por: Dr

Os saldos de cartões de crédito aumentaram 46 biliões de dólares no segundo trimestre, um aumento de 5,5 por cento em relação ao primeiro trimestre, e também houve um aumento nas novas contas de cartão de crédito.  O aumento de 13 por cento do segundo trimestre de 2021 para o segundo trimestre de 2022 foi o maior salto em mais de 20 anos.

"Os americanos estão tomando mais empréstimos, mas grande parte do aumento dos empréstimos é atribuível a preços mais altos”, disseram pesquisadores do FED de Nova Iorque num comunicado à imprensa.

Os números fornecem um novo contexto para um relatório de gastos do consumidor do "Bureau of Economic Analysis” divulgado na semana passada, que mostrou que os gastos em Junho subiram 1,1 por cento. Semelhante às descobertas do FED de Nova Iorque, os preços do gás, que ultrapassaram 5,0 dólares o galão em muitas partes do país no segundo trimestre, e a inflação, que saltou 9,1 por cento, ano a ano, em Junho, provavelmente foram os impulsionadores do aumento da dívida.

Inflação

A inflação nos Estados Unidos medida pelo Índice de Preços para Despesas com Consumo Pessoal (PCE) subiu novamente, acumulando uma alta de 6,8 por cento nos 12 meses encerrados em Junho, segundo dados do Departamento de Comércio. O valor é o maior desde 1982.

Na comparação com o mês anterior, a alta foi de 1,0 por cento, a maior desde 2005. Em Maio, o PCE teve alta de 0,6 por cento na comparação mensal, com um acumulado de 6,3 por cento.

O valor supera o maior em 40 anos registado em Março de 2022, de 6,6 por cento, e fica levemente abaixo da taxa de 6,9 por cento registada em Janeiro de 1982, quando a inflação estava desacelerando de um dos níveis mais altos da história dos Estados Unidos.

O núcleo do indicador, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, veio levemente acima do esperado pelo mercado, com alta de 0,6 por cento na comparação mensal ante as projecções de 0,5 por cento. Com isso, o acumulado em 12 meses foi de 4,8 por cento, ante 4,7 por cento em Maio.

O núcleo do PCE é usado como referência pelo Federal Reserve para monitorar a inflação e determinar elevações de juros.

Além do PCE, outro indicador importante de inflação é o Índice de Preços ao Consumidor (CPI). Os dois são medidos por agências governamentais diferentes e possuem cestas de produtos, o que leva a números diferentes entre eles.

Em Junho, o CPI atingiu um acumulado em 12 meses de 9,1 por cento, o maior valor desde 1981. Na comparação com Maio de 2022, o avanço foi de 1,3 por cento, também maior que o esperado pelo mercado.

O PCE manteve-se estável em Maio e Abril. No entanto, em Junho, os preços da gasolina atingiram níveis recordes. Desde então, os preços ligados à energia diminuíram.

Os Estados Unidos enfrentam níveis recordes de inflação, alimentadas por uma combinação de descompassos entre oferta e demanda geradas pela pandemia e pela guerra na Ucrânia, disparada de preços de commodities e uma demanda elevada com uma economia aquecida e um mercado de trabalho em níveis de pleno emprego.

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