Economia

Indústria têxtil prevê empregar 200 mil pessoas

O sector têxtil, vestuário e calçado, em Angola, tem uma meta de gerar, até 2025, receitas de 1,5 bilião de dólares, o equivalente a 87,9 biliões de Kwanzas, de acordo com um estudo constante da primeira edição da brochura do Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição de Importações (PRODESI), a que o Jornal de Angola teve acesso.

27/08/2020  Última atualização 18H39
DR © Fotografia por: Indústria têxtil poderá produzir 200 mil toneladas de fibra de algodão por ano, sendo 50 por cento para exportação e outra meta para o consumo interno

Nas páginas sobre as principais conclusões, o denominado Estudo da Cadeia de Valores do Sector do Têxtil, Vestuário e Calçado de Angola indica que 200 mil empregos directos e indirectos podem ser criados em toda a cadeia de valores. Prevê ainda que a indústria têxtil poderá produzir 200 mil toneladas de fibra de algodão por ano, sendo 50 por cento para exportação e outra meta para o consumo interno.

O desafio, lê-se, é de tornar o país num player significativo no mercado internacional na produção de t-shirts (produzido principalmente com algodão orgânico). Segundo estudo da “AITEX - Colômbia – Hoja de Ruta” sobre o mercado internacional de t-shirts, 37% são feitas na Ásia, 32% são compradas por países europeus (Angola não exporta nada, apesar de fazer parte do tratado dos Estados da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

Há algum optimismo na materialização destes objectivos dado o potencial existente internamente pois, conforme este levantamento solicitado pela Comissão Intersectorial do PRODESI, “Angola tem um potencial muito significativo para revitalizar o sector têxtil, vestuário e calçado, de forma a satisfazer a procura interna e internacional”.

Para tal, concluiu o diagnóstico, ser “necessário ter uma visão holística do sector para a sua compreensão e para o seu desenvolvimento” logo, reforçou, este segmento “deverá ser visto como grande multiplicador socioeconómico, justificando que “a mudança no sector têxtil global fornece novas oportunidades para Angola se tornar num player internacional.  Entretanto, adverte-se que os apoios de política governamental e um ambiente favorável “são um pré-requisito para o desenvolvimento desta variante do mercado industrial de confecção têxtil.

Acções em curso

O relatório adianta ainda sobre as acções em curso para a mudança de paradigma de não dependência do sector privado em relação ao público. Neste domínio, refere que está em andamento um diagnóstico do curso superior de design de moda do Instituto Superior de Artes (ISART), para a adequação do conteúdo académico às reais necessidades de mercado com a participação de especialistas do Brasil e com apoio da Associação das Indústrias Têxteis de Confecção e Calçados (AITECA).

Destas acções, constam também empresas à procura de negócios no mercado interno (estimado em 400 milhões de peças), outras com projectos de mini-fábricas têxteis modulares para a produção das suas próprias matérias-primas e eventual excedente para o mercado interno e empresas com programas de exploração de produtos confeccionados com algodão orgânico para o mercado europeu, com foco na inserção social e sustentabilidade.

A colaboração com investidores brasileiros para implementar negócios com parceiros angolanos nas áreas de aviamentos (linhas de costura, botões, zipers, etc), climatização industrial e fábrica de linhas de costura, perfazem igualmente as acções em curso, bem como a chegada ao mercado nacional de um dos maiores produtores mundiais de sistemas inteligentes de produção e gestão para a indústria de confecção.

Acresce, por outro lado, que, para atrair indústrias químicas fornecedoras de insumos para tintura, foi feito estudo pelo sector de recursos geológicos sobre a incidência de matérias-primas básicas (carbonatos, silicatos e sulfatos).

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