Cultura

Indira faz as “pazes” com a arte contemporânea num caixão vazio

Indira Mateta traz nesta edição do Fuckin´ Globo a instalação “Caixão Vazio”, bebendo da imaginação popular para recriar este mito urbano. Para além do vídeo onde encena o pânico numa das escolas de Luanda em (Njinga Mbande), há igualmente a esquadria de um caixão vazio no meio do quarto, como símbolo de desmistificação do mito, cuja sombra se reflecte no vídeo.

22/08/2021  Última atualização 16H07
© Fotografia por: Vigas da Purificação| Edições Novembro
A trajectória profissional dessa artista foi incluída na agenda de debates organizados pela produção do Fuckin´ Globo durante o período de residência artística no hotel. Inicialmente, Indira se envolve no foto-jornalismo por influência do pai, Paulo Mateta, um jornalista de reconhecida tarimba. O seu nome vem à tona ao vencer o concurso BESAFOTO, edição 2008, onde desinteressadamente se inscrevera mais por insistência do pai.  

Desde esse período que a fotografia se tornou uma prioridade na sua vida, sendo requisitada para cobertura de eventos sociais, desviando-se assim do circuito da arte contemporânea. Indira não é obessiva com o tempo. Detalhadamente, o tempo que leva para desenvolver um trabalho fotográfico de conceito varia. Por exemplo, levou a cabo um trabalho sobre a crença Kianda, que levou perto de cinco meses. Igualmente realizou um trabalho sobre o estado emocional das crianças na pandemia, que por sua vez  levou duas semanas a realizar. Entretanto, assume haver momentos de maior pressão no seu trabalho quando se encontra num contexto de residência artística, como é agora na sétima edição do Fuckin’ Globo.

Quanto a temáticas, prefere desenvolver trabalhos ligados à ancestralidade, na área espiritual, mental e emocional. Porém, o activismo social e um pouco de tudo que tenha a ver com África também lhe interessam. Indira diz não desenvolver uma relação de apego com a máquina, nem um pouco mais ou menos. De forma geral, descreve-se como uma pessoa desapegada, algo que construiu conscientemente. 

"Então sou cada vez menos apegada às coisas materiais e até mesmo às pessoas”, diz. Dentre as características, a rebeldia é uma das que a identifica. "Rebelde sim. Sempre. Não consigo evitar, é mais forte do que eu”, confessa. 

Destrinça que não se trata de procurar expressar essa rebeldia com a fotografia, tratando-se antes de ser uma caracteristaca sua, no gozo, naturalmente, de viver em quase permanente rebeldia, mas, alerta, "sempre no bom sentido”. "No sentido de não aceitar o que eu considere como injusto ou agressivo, tanto que é essa liberdade que me atrai no Fuckin´ Goblo”, destaca.  

Para si, fazer parte desta edição do Fuckin´ Globo marca uma fase de reencontro com a arte contemporânea, cuja relação inicia numa visita inusitada à Trienal de Luanda, onde começa a tomar contacto com a arte contemporânea e assim ambiciona fotografar mais do que registos de família. Antes, é convidada a participar na exposição "Portas Abertas”, realizada pelo colectivo "Os Nacionalistas” no salão da UNAP, em 2006, que assinala o seu baptismo oficial nessas lides. 

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Cultura