Política

Incubadora digital facilita inserção dos jovens no mercado de trabalho

César Esteves

Jornalista

O Presidente da República, João Lourenço, considerou terça-feira (18), em Luanda, o Digital.ao, projecto público concebido para acolher ideias tecnológicas inovadoras e transformá-las em negócios, uma oportunidade para os jovens se tornarem independentes e não ficarem à espera de um empregador.

19/01/2022  Última atualização 08H24
© Fotografia por: Santos Pedro| Edições Novembro
Falando à imprensa, minutos depois de inaugurar a instituição, localizada no Distrito Urbano do Rangel, disse que este é o aspecto mais importante alcançado com o surgimento da incubadora. "Não só lançar os jovens para o mercado de trabalho, em termos de tecnologias de informação e comunicação, e não só, mas dar a possibilidade deles desenvolverem o seu próprio negócio", frisou.
O Presidente disse que o Digital.ao, que custou ao Estado 1.3 mil milhões de Kwanzas, representa, também, uma oportunidade de formação para a juventude angolana, na medida em que vai permitir um acesso mais facilitado ao mercado de trabalho. "Este investimento serve para os jovens angolanos, de uma forma geral", realçou.
João Lourenço referiu que vão ser localizados projectos idênticos em outros pontos do país, para facilitar a deslocação dos jovens, em distâncias mais curtas, e, com isso, beneficiarem, por igual, das mesmas oportunidades. "É evidente que não podemos pôr um por província, mas, talvez, localizá-los por regiões", realçou o Presidente, para quem, na província do Uíge, já existe um projecto do género, mas de menor dimensão.
Na ocasião, apelou para um uso mais responsável das tecnologias de informação e comunicação. "Há quem as use bem e há quem as use mal. Para os que ainda não utilizam para o bem, o nosso apelo é que se abstenham das práticas que têm vindo a realizar, até aqui, e que utilizem esses instrumentos, este conhecimento que acabam por adquirir ao serviço deles próprios, das suas famílias e da sociedade", reforçou o Chefe de Estado, que visitou, demoradamente, os compartimentos da instituição.

Localização do Digital.ao
Localizado entre o Instituto de Telecomunicações (ITEL) e o Instituto Superior para as Tecnologias de Informação e Comunicação (ISUTIC), o Digital.ao, uma iniciativa do Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, é um projecto virado para a massificação e inclusão digital dos angolanos, sobretudo, para apoiar a sociedade de informação.
É uma combinação de serviços, sendo o maior foco, além da componente formativa, a incubação de startups, ou seja, projectos tecnológicos inovadores para serem transformados, num período de dois anos, em empresas digitais, e, assim, fomentar o emprego no país.
Está capacitada para incubar, em simultâneo, cerca de 25 startups. "Significa que todo o angolano que tenha a ideia de desenvolver algum negócio digital pode encontrar aqui o conforto de um espaço equipado com computador, Internet e energia, para melhor desenvolver essa ideia", afirmou André Pedro, director-geral do Instituto Nacional de Fomento da Sociedade de Informação (INFOSI), instituição que agrega o Digital.ao.
Neste  momento, já estão incubadas cinco startups, faltando ainda 20, todas viradas para o sector das TIC. Aqui, é fornecido o acompanhamento desde a parte tecnológica até ao desenvolvimento do negócio. Os serviços da instituição já estão disponíveis à população, na Internet, a partir do endereço www.digital.ao. Assim, ficou mais fácil comprar um domínio .ao, fazer a hospedagem da página e criar um e-mail corporativo.
Os custos inerentes aos serviços disponíveis pela instituição são considerados dos mais baixos da África Austral. "Um domínio .ao, que no passado custava cerca de 500 dólares, hoje está oito mil Kwanzas", indicou o director do INFOSI.
A construção das infra-estruturas iniciou em 2016, mas, por razões objectivas, foi paralisada, tendo retomado no ano passado. Foi financiado com recursos ordinários do tesouro, bem como do sector. Contou, ainda, com o apoio de vários parceiros, como a Huawei, Afrione, Banco Africano de Desenvolvimento e o Banco Mundial.

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