Entrevista

Inácio Alfredo : “Assumo uma candidatura de inclusão e não de exclusão”

Rentabilização dos principais activos do clube faz parte da estratégia de actuação do próximo homem forte do PAS. O candidato da lista única à presidência do Progresso Sambizanga, Inácio Alfredo, afirmou, em entrevista ao Jornal de Angola, que pretende uma gestão de inclusão no seu mandato para tirar o clube do marasmo em que se encontra. Mas admite que só será possível com a contribuição de todos

12/12/2020  Última atualização 11H29
© Fotografia por: Edições Novembro
Jornal de Angola- Que razões o levaram a candidatar-se à presidência de um clube, onde a massa associativa é bastante exigente?   

Inácio Alfredo – Amor pelo clube. Nasci no Sambizanga, nos arredores da Casa Branca, onde vivi até aos quatro anos e mais tarde para o Marçal e aos 14 anos fomos para o São Paulo.  Aliado a isso, um grupo de associados desse clube, preocupado,  contactou-me para gerir o clube e aceitei o desafio. Estou disposto a dar o meu contributo para tirá-lo do marasmo em que o mesmo se encontra.  

Quais as suas principais linhas de forças no seu mandato? 

Estabilidade desportiva e financeira do clube. Rentabilização dos seus activos principais, que são as infra-estruturas e jogadores. Pois, hoje no mundo moderno, as ideias valem muito dinheiro e nós temos essas ideias que bem materializadas, podem levar ao angariamento de fundos para manter o clube. 
 Quem herda o activo também herda o passivo. O senhor tem ideia do passivo do Clube? 

Sei que o clube tem uma dívida de mais de 400 milhões de kwanzas, que de acordo com as informações que tenho, 80 por cento é com os jogadores.  Sou gestor de uma empresa também com dificuldades. Conheço bem a coisa e quando assim acontece, nada mais do que encontrar alguma estratégia para sanar a situação. O que se passou com o Progresso foi má gestão das contas. Esta situação vai merecer uma conversa bastante profunda com os funcionários e com os atletas de forma a fazermos um plano de liquidação faseada, para que nos meus primeiros três anos de mandato a dívida seja paga.  

Quanto ao número de trabalhadores existentes, vai manter, ou nem por isso, atendendo as dificuldades financeiras do clube? 

De facto a lista é enorme. São 115 trabalhadores, um número bastante exagerado para um clube como este. Vamos fazer um saneamento, onde ninguém ficará a perder. Inicialmente, vamos fazer contratos com alguns e vão ser pagos até a dívida terminar. Mas acho que com 50 trabalhadores, o clube funciona. 

Acredita que vai conseguir resgatar a mística da popular agremiação sambila?

Acredito. Pois, a minha candidatura é de inclusão e não de exclusão. Vou trabalhar com a prata da casa, pois a pandemia que estamos a viver, também nos ensinou a "poupar” o pouco que temos. Ou seja, vamos trabalhar com jogadores e treinadores nacionais. E assim os recursos que entrarem não terão gastos supérfluos.  
Que estratégia pretende utilizar para lidar com os adeptos? 

Como disse antes, quero uma gestão de inclusão, estou a criar um departamento do meu Staff (Comunicação e Imagem) que vai fazer chegar até a mim as preocupações da massa associativa, as intenções e preocupações da direcção. Sei que é difícil, mas com boa conversa (comunicação) e sendo nosso objectivo incluir todos, a partir dos antigos dirigentes, que farei de meus conselheiros,  a massa associativa vai ser tida e achada.  

A crise económica e financeira é uma realidade no país e no mundo. Onde pensa que o clube vai buscar apoios, visto que os potenciais patrocinadores não escaparam dessa mesma crise?  

Nós os angolanos estamos habituados a pensar que só podemos fazer projectos ou negócios com milhões. Mas eu tenho a consciência que o Progresso vai recomeçar com "tostões” e é com estes tostões que vou gerir o clube e vamos ser bem sucedidos.  Estamos em contacto com várias instituições e empresas, algumas delas em fase bastante avançada, à espera de assinaturas de contratos. Mas por razoes de vária ordem não posso evocar os nomes das mesmas, sendo a principal patrocinadora, com responsabilidade de apoiar com 40 por cento das necessidades anuais do clube. As demais, vão apoiar com bens alimentares e materiais e outros a exemplo de uma que vai fornecer água mineral para o consumo. Sabemos que nesta fase de pandemia ninguém tem dinheiro, mas os que podem fornecer alimentos, também serão bem-vindos. Por isso, a estratégia passa por aí, mas de facto a equipa principal de futebol vai precisar de uma verba anual para fazer o seu campeonato sem grandes constrangimentos. Pensamos que estamos no bom caminho para aquilo que pretendemos fazer para o clube.  


  "Cavalo de batalha passa pelo Mário Santiago

Que projectos concretos tem em carteira? 

Um dos grandes projectos que tenho em carteira passa pela gestão do campo Mário Santiago, que até então está sob égide da Administração do Sambizanga. É um campo que está inacabado e já fiz uma solicitação à quem de direito, administração no caso. Quero um dossier para me dizer de quem é de concreto aquele campo para depois gizar estratégias para o seu aproveitamento. Já temos uma equipa a trabalhar para isso. Vamos chegar até a FESA, que parece ter alguma coisa ligada a este campo. 

Mas é um campo inacabado… 

Já estou a trabalhar nisso e também já contactei algumas empresas de construção civil para o seu acabamento, nomeadamente a relva, pintura entre outros e no futuro arrendar as lojas e assim dar outra vida aquele espaço, assim como dar outra qualidade aos trabalhos dos jogadores.Um outro projecto passa pela consciencialização dos sócios que têm que pagar as suas cotas mensalmente. Caso aconteça é sempre uma receita, que dará para pagar algumas despesas, ainda que mínimas. São estratégias que estão a ser afinadas no sentido de o clube ter sempre alguns tostões e manter a estabilidade desportiva. 

Quais são as políticas quanto a outras modalidades? 

Para este ano vamos estar focados apenas no futebol, para a manutenção da equipa. A próxima época começamos a subir um pouco a fasquia, enquanto na terceira, já com alguns jogadores mais experientes, trabalharemos para ganhar a Taça de Angola, mas sem descurar os escalões de formação e depois o futuro dirá o que fazer. 

Uma boa parte das infra-estruturas apresenta um índice de degradação com destaque para a relva e a vedação do campo de treino. Como pensa contornar essa situação?

Já mandamos uma equipa de construção especializada, para fazer um levantamento do novo tapete, assim como a reparação da vedação do campo, tudo em forma de patrocínio para que a equipa comece a trabalhar atendendo o Girabola que se avizinha.   

O estádio dos Coqueiros vai continuará a ser o "reduto” do Progresso? 

Vai sim ser o nosso "quartel-general”. É mais acessível com relação ao 11 de Novembro, e está localizado próximo da nossa comunidade, o que permite que a massa associativa do Progresso consiga ir aos jogos.   

Gostaria de ver o seu clube como uma instituição de Utilidade de Pública como acontece, por exemplo, com alguns (poucos) clubes aqui da nossa praça?  

A minha equipa económica está a trabalhar para que o clube se torne numa empresa com a ideia de rentabilizá-lo e vamos ver o resultado que vamos atingir.   

 Tem a ideia do nível de futebol praticado pelo Progresso? 

IA- Tenho sim, quando mais o meu director de futebol, o Janguelito é um quadro da casa já há bastante tempo. É um treinador de mão cheia no futebol nacional. Participou em várias formações com treinadores de renome no nosso mercado. Vai encontrar um treinador nacional que até pode ser da casa com um salário normal. Vamos ter uma equipa jovem com jogadores angolanos que alegram os adeptos com bons resultados.   

Com a pandemia Covid-19 a privar quase toda actividade desportiva mundial, em que moldes gostava de ver o Girabola a ser disputado?  

O nosso país é bastante extenso e uma das estratégias que as entidades de direito deviam fazer, era dividir o Girabola por regiões e depois os campeões regionais encontravam-se para o nacional. Isso evitaria custos.  

Há condições para que a equipa do Progresso Sambizanga, compita nessa época sem grandes transtornos?
 Primeiro, estamos em conversações com uma empresa de aviação civil para patrocinar as viagens e por outro, chegou-me uma informação que dá conta que o Chefe de Executivo, S. Excª o presidente da Republica tomou algumas medidas para que se garanta o Girabola. Parece que há três empresas que vão apoiar a situação das viagens e alojamento na condição de visitantes. E se assim for, vai aliviar os custos para os clubes, casão não, vamos nos cingir aos patrocínios.   

Perfil
Nome  :Inácio António Alfredo  

Estado Civil: Divorciado

Idade:  49 anos 

Nacionalidade: Angolana

Naturalidade: Luanda

Filhos:  9

Sonhos: Ver a indústria angolana a crescer   

Sente-se realizado : Ainda não 
 Formação profissional: Engenheiro mecânico 

Prato preferido:  Massa com carne

Bebida: Cerveja

Nº de Calçado:  42  

Cidade angolana:  Lobito

Cidade estrangeira:  Cape Town

Vícios : Trabalho  

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