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Igreja Católica receia “segundas intenções”

Sucedem-se as recções negativas ao anúncio do adiamento das eleições em três distritos da RDC, com a Igreja Católica local a emitir uma posição onde expressa o receio de que por detrás dessa decisão possam estar "segundas intenções" com o objectivo de protelar no tempo uma transferência democrática do poder

27/12/2018  Última atualização 15H48
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A Igreja Católica do Congo receia que a decisão anunciada para o adiamento das eleições de domingo nalgumas localidades do país tenham "segundas intenções" no contexto do processo eleitoral.
Segundo o porta-voz da Igreja Católica e secretário-geral da Conferência Episcopal do Congo (CENCO), o padre Donatien Nshole, trata-se de uma decisão "muito grave", que deixa antever a possibilidade de esconder "segundas intenções".
De facto, o anúncio feito quarta-feira pelo presidente da Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI), em relação ao adiamento das eleições gerais nas localidades de Beni e Butembo, província do Kivu do Norte e na de Yumbi, província de Mai-Ndombe, fez subir a tensão política na República Democrática do Congo (RDC).
Em resposta a este anúncio, a CENCO e a Igreja de Cristo do Congo (ECC) - Protestante mais importante no país - vão apresentar uma comunicação conjunta a exigir "eleições transparentes, credíveis e pacíficas".
A imprensa de Kinshasa, anunciava hoje que o actual governo não quer organizar eleições credíveis, inclusivas e transparentes para uma alternância democrática do poder.
De acordo com o "Le Potentiel", o diário de maior circulação na capital congolesa, o país caminha para um caos eleitoral onde tudo indica que no termo do processo organizado pela CENI não surjam resultados que permitam uma "verdadeira alternância na direcção do Estado, não se excluindo a possibilidade das eleições presidenciais e legislativas virem ainda a ser adiadas".
Alguns candidatos da oposição ouvidos por esse períodico revelam que a CENI está a operar de forma "cirúrgica", criando problemas nos distritos eleitorais onde o candidato do governo tem menos possibilidades de triunfar.

As vilas de Beni e Butembu, na província do Kivu do Norte, apoiam declaradamente o candidato Martin Fayulu, muito por força da influência de um dos seus principais aliados, o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros de Joseph Kabila, Antipas Mbuza Nyamwis.

Com o afastamento de ambas as regiões das eleições de domingo, o candidato presidencial da coligação LAMUKA perde 675 mil eleitores, em Beni, 182 mil em Beni-ville e 330 mil em Butembo, perfazendo um total de mais de um milhão de votos.

Desse modo, a perda destes votos poderia ser fatal para Martin Fayulu, na verdade o grande rival do candidato presidencial, Emmanuel Sharady, por beneficiar do apoio expresso por Jean-Pierre Bemba e Moise Katumbi, dois dos mais influentes líderes da oposição impedidos de concorrer por terem acertos de contas a fazer com a justiça.

Em Kinshasa, por seu lado, na falta de máquinas de voto causada pelo incêndio de um entreposto, a CENI prevê anular até um quinto das assembleias previstas, o que ameaça aumentar as filas de espera e alterar as previsões inicialmente feitas.

Embora a CENI e o governo congolês tenham repetidamente garantido a realização das eleições sem o apoio internacional, a verdade é que a CENI não tem sido capaz de ultrapassar os graves problemas logísticos e de transporte do material eleitoral para todo o território nacional.

O incêndio no entreposto de Kinshasa, o ébola e a insegurança no Butembo, Beni e Yumbi, entre outros, foram os argumentos usados para adiar as eleições gerais naquelas regiões. Já anteriormente, a mesma CENI tinha interrompido por seis meses o processo de registo eleitoral no Kasai Central.

Por causa deste impasse político, quatro chefes de Estado dos países membros da SADC e da CIRGL reuniram-se terça-feira, em Brazzaville, República do Congo.

As Nações Unidas, a União Europeia e os Estados Unidos da América dizem seguir atentamente a situação política na RDC e consideram que as eleições naquele país são "históricas, podendo facilitar a transferência pacífica do poder".

EM DESENVOLVIMENTO...

 

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