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Huíla: Produtores de Chicomba pedem reabilitação da via

Os produtores e comerciantes do município de Chicomba clamam pela reabilitação urgente dos 110 quilómetros do troço que liga essa região ao Quipungo, dado os efeitos negativos que o mau estado da via causa na circulação de pessoas e bens.

25/08/2020  Última atualização 06H30
Estanislau Costa| Edições Novembro | Huila © Fotografia por: Mau estado da estrada que liga o município de Chicomba ao Quipungo tem criado grandes embaraços aos produtores agrícolas

O Jornal de Angola fez uma deslocação ao troço, desde o desvio do município do Quipungo à comuna do Quê, com mais de 50 quilómetros, e a viagem durou mais de duas horas, fruto da existência de buracos, poeira, pedras e pontes degradadas.

Durante o trajecto, seis carrinhas de marca Toyota Dina, carregadas com milho, interromperam a viagem de re-gresso em consequência de avarias causadas pela acentuada degradação do troço. O motorista Calambo Cardoso explicou que aguarda pelo amortecedor danificado, há três dias.

Reconhecendo a vantagem da rede de telefonia móvel, disse que espera por um familiar no Lubango que tem a peça de reposição, no sentido de continuar a marcha de regresso a Benguela, com 20 toneladas de milho.

Já Artur Meliciano, um mecânico chamado para recuperar três viaturas de marca Hino, descreveu que está a emendar as peças para atingir o Lubango, onde espera dar solução definitiva aos problemas. “Depois de cinco dias, já há condições que viabilizem a continuidade da viagem”, disse.

Francisco Tchowema, soba de uma povoação da comuna do Quê, avançou que o mau estado da estrada figura entre os principais motivos que está a desencorajar a atracção de pequenos e grandes produtores e de comerciantes a estenderem as suas acções naquela circunscrição.

O soba Tchowema explicou que “há 45 anos que o troço não recebe obras capazes de solucionar definitivamente a situação do município que piora nas épocas chuvosas. Por isso, temos dito que os poucos comerciantes e proprietários de empresas que de construção civil que executam obras do PIIM, em Chicomba, são heróis”.

O soba explicou que a população do município aguarda, há mais de 15 anos, pela requalificação do troço. “Muitos dirigentes que visitaram o município prometeram resolver o problema da estrada e já houve uma empresa local que efectuou obras de terraplanagem da via, faltando a colocação do asfalto”.

O agricultor Joaquim Kassela lamentou o facto de as boas intenções das obras não passarem de terraplanagem da via e conserto das valas de drenagem da água das chuvas. “Tudo o que se tinha feito acabou danificado, piorando o estado da estrada, o que desencoraja visitas de turistas nacionais e estrangeiros interessados em conhecer o potencial agrário do município”.

Com 70 toneladas de milho e massambala da safra transacta por escoar, o agricultor considera que faz décadas que o estado do troço “atrapalha o escoamento dos produtos do campo, com realce para o milho e feijão, facto que encarece ainda mais a venda no mercado”.

Enalteceu a coragem dos camionistas das províncias de Benguela e Huambo, por não medirem esforços para atingir os mercados e zonas com milho armazenado de Chicomba. “Apesar de não ser com a frequência desejável, há camiões que chegam às áreas de comercialização, principalmente, nas épocas das safras”.

Triângulo produtor

Os municípios de Chicomba, Caluquembe e Caconda são, há muito, considerados por alguns empresários agro-pecuários e comerciantes da região sul e não só como o “triângulo produtor” de milho, massambala, feijão, ervilha e tubérculos.

Os produtores salientam que as colheitas de Chicomba, particularmente, estiveram sempre acima das 50 mil toneladas de vários produtos. O envolvimento de vários camponeses, grandes agricultores e dos apoios permanentes em sementes diversas, instrumentos de trabalho e fertilizantes têm contribuído para o aumento da produção.

Os dados da direcção provincial da Agricultura e Desenvolvimento Rural da Huíla atesta que a organização dos produtores em cooperativas, com o número actual a ascender as 1.300 pessoas, permite maior organização e controlo dos apoios entregues e quantidades colhidas.

Salientam que os resultados positivos alcançados pelo município de Chicomba têm, também, a ver com o regresso massivo de um número considerável de famílias nativas e outras pessoas, às respectivas zonas de origem, assim como a desminagem de dezenas de terras aráveis, sendo, por isso, a reabilitação da via a maior prioridade.

As autoridades do município de Chicomba aguardam pela alocação de verbas para a reconstrução dos mais de 110 quilómetros do referido troço, no quadro do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios, numa altura em que já foi apresentado às autoridades centrais um projecto que visa a reconstrução da estrada.

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