Economia

Huíla: Mulheres asseguram fornecimento de produtos agrícolas no Mutundo

Domingos Mucuta | Lubango

Jornalista

O sol ardente das 12h00 bate forte. O ardor dos raios solares dá a sensação de queimar a pele, mas é debaixo deste sol abrasador que várias vendedoras, como a Verónica Chihaki, estão para ganhar o dia, através de compra e revenda de produtos agrícolas.

24/12/2020  Última atualização 18H24
© Fotografia por: Domingos Mucuta| Edições Novembro
Com um monte de rama na mão direita, Verónica Chihaki, natural de Vila Flor, na província do Huambo, usa a sua experiência de vendedora acumulada desde mercado de São Pedro, para chamar a atenção dos clientes.

"Tá aqui a rama verdinha. Estou a despachar. Olha a rama aqui. É só 50 kwanzas o monte. Vem já comprar”, apela a quem passa por perto do monte exposto no chão, algures na zona da Mulembeira no mercado do Mutundo, na cidade do Lubango, província da Huíla.

Mãe de nove filhos, a senhora de 50 anos de idade, explica que a zona da Mulembeira no mercado do Mutundo é referência de venda de hortaliças e outros produtos agrícolas, por ser a área de descarga de carrinhas e motorizadas "Kaleluya”, proveniente de diferentes pontos de produção da província da Huíla e do Namíbe. 
O local é bastante concorrido, sobretudo, por donas de casa e vendedoras ambulantes e das pracinhas espalhadas pela cidade do Lubango. Enquanto alguns recorrem ao local para abastecer as despensas, as vendedoras ambulantes e de pracinhas dos bairros compram para revender noutros pontos do Lubango. 

O movimento no local é intenso nos dias de abertura do mercado informal ao público. Compradores, vendedores, agricultores, roboteiros e zungueiros de sacos plásticos cruzam-se nos corredores daquela zona do maior mercado informal da Huíla, sem ponderar o distanciamento social recomendado nas medidas do Estado de calamidade.

O envolvimento de senhoras do mercado do Mutundo no processo de compra e revenda de hortofrutícolas contribui significativamente para o escoamento de produtos agrícolas na província da Huíla. 
Semelhanças de Katinton

A zona da Mulembeira no Mutundo é como o mercado de Katinton em miniatura. A produção exposta no chão ou numa bancada mostra o empenho de mulheres dispostas a dar fim útil a quantidades de mercadorias provenientes do campo. É possível encontrar de tudo um pouco nos dias indicados neste período de calamidade. 

Diariamente, camiões e motorizadas de três rodas carregados de cebola, batata rena e doce, tomate, cenoura, couve, repolho, alhos, limão, laranja, melancia, ananás e outros produtos escalam cedo no local. As negociantes deste seguimento chegam cedo para comprar a granel e depois revender a retalho aos consumidores finais ou a grosso aos vendedores ambulantes. 

Legume do Namibe na Huíla

O legume da senhora Verónica Chihaki, encontrado à venda no chão, é proveniente da província do Namíbe. A vendedora explica que nesta época a província dispõe somente de rama produzida pelos agricultores do Namíbe, já que na Huíla não se produz este tipo de legume. 

A amiga Cristina Mánua, vendedora há mais de 10 anos, também expõe monte de rama comprada a um agricultor do Namíbe. Ela também mobiliza clientes para tentar despachar a mercadoria de um investimento de cerca de 10 mil kwanzas.Mãe de quatro filhos, Cristina Mánua considera a venda de hortaliça um negócio que garante o sustento das famílias, sobretudo quando aproveita os dias de maior demanda.

Os produtos considerados excedentes entram em estado de deterioração por falta de condições de conservação na cadeia de distribuição usada pelos agricultores que afluem ao mercado do Mutundo para escoar a produção. 
Ponto de atracção
Milhares de toneladas de produtos agrícolas são movimentadas no mercado do Mutundo, segundo afirmou o seu administrador, Nelito Manuel, sem precisar o volume de negócios gerado pela rotação deste tipo de mercadorias. Nelito Manuel afirmou  que a administração controla 160 vendedores, na sua maioria mulheres, dedicadas ao comércio da produção agrícola, ajudando no escoamento de hortícolas, cereais, frutícolas, tubérculos e outras culturas.

O administrador do mercado informal do Mutundo disse que é possível encontrar na secção bens alimentares variados de origem agrícola. Aberto em 2011 por conta da transferência da antiga  praça do Tchioco, o mercado de Mutundo conta com um total de 6.845 lugares, 5.942 dos quais ocupados por negociantes dos ramos de bens industriais, armazéns, bens alimentares, talhos, electrodomésticos, frutarias,  serviços de barbearia, banca e outros.

"A diversidade de produtos disponível faz com que o Mutundo registe muita adesão de cidadãos dos diferentes municípios da província da Huíla e das províncias vizinhas. Notamos que recebe muitos produtos do campo e importados para abastecer as famílias”, disse.

Explicou que o mercado está organizado e abre nos dias definidos pelo decreto sobre as medidas do Estado de Calamidade. O uso de máscaras faciais é obrigatório, embora muitas pessoas negligenciem. A lavagem de mãos, à entrada, é também uma das exigências imposta pela administração do mercado.  "Temos trabalhado na sensibilização das pessoas porque estou num momento difícil. Neste período deve cumprir com as orientações das autoridades”, concluiu.

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