Economia

Huíla: Matala alarga produção industrial

Mil 110 toneladas de farinha de milho são produzidas, mensalmente, pela fábrica de transformação de cereais, Nova Cimor, localizada no município da Matala, 200 quilómetros a Este da cidade do Lubango, para abastecer, numa primeira fase, os mercados das províncias da Huíla, Namibe, Cunene e Cuando Cubango.

08/05/2020  Última atualização 11H21
Estanislau Costa | Edições Novembro| Huila © Fotografia por: Reactivação da Nova Cimor está a permitir que os produtores de milho alarguem os respectivos campos de lavoura


O director da unidade fabril, Ramiro Maia, que avançou os dados ao Jornal de Angola, explicou que a actividade produtiva, retomada em Abril de 2018 após mais de seis anos de paralisação, funciona 24 horas por dia com vários turnos, sustentados por 87 trabalhadores.
Ramiro Maia fez saber que a reactivação do imóvel custou 400 milhões de kwanzas e é resultado de financiamento bancário. “Com o valor, foi possível recuperar infra-estruturas, diversas máquinas, mobiliário, formação de pessoal, entre outras acções necessárias à produção”, informou.
O responsável, que se mostra agora mais aliviado face aos progressos registados, anunciou a realização de um novo investimento, orçado em 600 milhões de kwanzas, para compra de matéria-prima propícia a uma produção mais cómoda, segura e capaz de testar todas as linhas de produção. A performance alcançada até aqui se deve ao recrutamento de 26 antigos trabalhadores, após refrescamento que, pela experiência acumulada, passaram a ser formadores dos 61 novos funcionários recrutados.
“Juntamos aos esforços que visam mostrar além fronteiras o país e o potencial económico do município da Matala, pondo a funcionar todas as suas valências, com realce o cultivo no perímetro irrigado, transformação de produtos do campo, escoamento com recurso imediato ao Caminho-de-Ferro de Moçamedes”, esclareceu.
Ramiro Maia disse que três silos foram projectados para armazenar 10 mil toneladas de produtos, ainda que não foi possível atingir a capacidade instalada, por se ter registado uma fraca produção de milho nos últimos dois anos, em consequência da seca prolongada e de outros factores.
“Estamos mais animados e empenhados em atingir o pico da produção, devido a reacção positiva dos produtores de vários pontos e que deve permitir armazenar acima de seis mil toneladas de milho”, sublinhou.

Incentivo aos agricultores

A reactivação da Nova Cimor está a permitir que os produtores de milho alarguem os respectivos campos de lavoura, não só no perímetro irrigado da Matala, que possui um canal com 43 quilómetros de extensão, capaz de irrigar mais de 10 mil hectares, como nos demais municípios que formam o triângulo do cereal da Huíla, nomeadamente Chicomba, Caluquembe e Caconda.
Desde 2018, a produção era pequena, desincentivada pelas dificuldades de escoamento. Já na presente campanha, a lavoura e as colheitas são satisfatórias, facto que vai se repercutir no preço do quilograma da matéria-prima, descendo de 85 para 50 kwanzas.
O produtor de milho António Alberto, filiado numa das cooperativas, perspectiva colher a volta de 300 toneladas este ano, para comercializar directamente à fábrica, por considerar o negócio vantajoso, tendo em conta a proximidade, o desvio do risco de roubo e experimentar, com esse passo, uma nova forma de comercialização.
Além da actual safra, António Alberto já começou a preparação de mais de 500 hectares de terras aráveis para a cultura de milho, de modo a corresponder com a procura nos mercados local e das províncias de Benguela, Namibe, Cuanza Sul, Huambo e Luanda.

Direcção Rural

O director municipal da Agricultura e Desenvolvimento Rural da Matala, Pedro Conde, avançou que cinco mil hectares de terras estão já a ser preparados por filiados de 26 cooperativas e de 73 associações de camponeses para cultivar cereais e hortícolas. Os homens do campo, garantiu, são auxiliados por uma brigada de mecanização agrícola, que possui oito tractores com respectivas alfaias, charruas, assim como um número considerável de enxadas, catanas, moto-bombas, sementes e fertilizantes, entre outros meios.

Acessos difíceis

Dezenas de agricultores dos municípios de Chicomba, Matala, Quipungo e Cuvango apelaram as autoridades a encontrar mecanismos para a construção de novas estradas secundárias e terciárias, visando ligar melhor o campo com a cidade, assim como operacionalizar a cadeia de escoamento de produtos.
António Joaquim, agricultor do município de Chicomba, que na presente safra já escoou para os diversos mercados informais da região Sul 290 toneladas de milho e feijão, referiu que a dificuldade de circular nas vias secundárias persiste, tornando oneroso o custo de transportação das culturas.
Se António Joaquim depende totalmente de carrinhas para o transporte de produtos, já não é o caso de Feliciano Mucunda, que prefere levar algum tempo de viagem e transportar o milho, massango, massambala e feijão em carroças que possui.
Segundo explicou, os cereais não estragam com facilidade, mas há riscos de humidade, pragas e roubos que preocupam os produtores. “O melhor é que, enquanto não há condições para construir ou reabilitar as vias secundárias e terciárias, a solução é utilizar as carroças e os bois que temos”, concluiu.

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