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Huambo celebra hoje 110 anos como cidade

Estácio Camassete | Huambo

Jornalista

A cidade do Huambo completou 110 anos desde a sua fundação e elevação a esta categoria, no dia 8 de Agosto de 1912 através da portaria 10.40, assinada pelo então general e político português José Maria Mendes Ribeiro Norton de Matos.

08/08/2022  Última atualização 09H00
Panorâmica da cidade do Huambo onde estão em execução diversos projectos de impacto social para melhorara a qualidade de vida da população da região © Fotografia por: Edições Novembro

Esta cidade tem dois momentos importantes, que a história não pode deixar de registar, o da sua fundação, no dia 8 de Agosto de 1912 e o outro marcado pela data da sua inauguração no dia 21 de Setembro do mesmo ano, isto é, 43 dias depois da sua fundação.

O historiador Venceslau Casese, disse que a urbe que até a independência se chamou Nova Lisboa, a sua inauguração coincidiu com a realização da primeira viagem do comboio dos Caminhos-de-Ferro de Benguela (CFB), que trouxe o general Norton de Matos, facto que marcou abertura e inauguração da linha férrea que liga a cidade portuária do Lobito até o leste do país.

O acto político e cultural da fundação foi realizado no largo junto ao prédio do Pica-Pau, onde foram traçadas as metas do desenvolvimento da cidade em termos demográfico, urbanístico da futura capital do Planalto Central.

Em 1909 Norton de Matos substitui Cabral de Moncada no cargo de governador-geral da província ultramarina de Angola, tão logo conheceu a região do Planalto Central, o alto-comissário aboliu a continuação da construção de casas de madeira cobertas de capim e impôs a construção de casas definitivas e alvenaria, com intuito de projectar uma nova cidade grande, potencial capital do país. 

Segundo fontes históricas, o desenvolvimento da cidade surge antes de 1902, com o fim das invasões militares na região do Forte da Quissala, onde se localizava a única unidade militar portuguesa na época.

Venceslau Casese esclareceu que o berço da cidade do Huambo é o Forte da Quissala, na zona onde funciona o mercado da Quissala, que recebeu os primeiros comerciantes portugueses, vindos de Benguela e mais tarde foram encaminhados para a outra zona comercial hoje conhecida como bairro da Rua do Comércio onde apareceram os principais centros comerciais da época, por influência da linha férrea que passa nas proximidades.

De Wambu para Nova Lisboa

A actual cidade do Huambo era denominada de Wambu em homenagem a um dos seus primeiro habitante, o lendário caçador Wambu Kalunga, vindo da região de Seles, Cuanza Sul, que perseguia um elefante e que acabou de o abater nas imediações do rio Cunhoñgamua, próximo das pedras Ganda La Kawe, no município da Caála, onde acabou de montar o seu acampamento para a secagem da carne e por fim, de tanto gostar a região, foi buscar a família na terra de origem, para morar na nova terra ora descoberta.

Segundo fez saber o historiador, em 1928 que o projectista da cidade, o engenheiro Vicente Ferreira e então governador-geral da província de Angola, atribuiu à cidade o nome de Nova Lisboa, com o propósito de que esta passasse a ser a capital de Angola, bem como de todas províncias ultramarinas, tendo em conta a sua arquitectura e o clima da região que se assemelha à capital da metrópole Lisboa.

Com este título, as casas de adobe e pau-a-pique  cobertas de capim da nova vila, deram lugar a novas casas de construção definitiva e edifícios dos órgãos administrativos e religiosos e a vida da nova urbe estava a progredir.

Segundo nos conta o historiador, o Wambu é uma das poucas localidades do país, que nasceu para ser cidade, logo a sua criação foi projectada para ser a capital da região do Planalto Central.

Mas o seu crescimento surgiu rapidamente nos últimos anos da década de sessenta com o aparecimento de um parque industrial forte e a intensificação da actividade económica diversificada.

O engenheiro Vicente Ferreira terminou o esboço da cidade em 1911, segundo as orientações de Norton de Matos, e preparou parcelas de terrenos e indicou os espaços para arquitecturas civil, militar, religiosas, funerárias e tantas outras e definiu todas as ruas.

Na parte alta da cidade, os primeiros edifícios definitivos construídos, destacam-se a actual biblioteca Constantino Kamoli, que funcionou como a câmara municipal, o actual centro médico da polícia nacional, como primeira residência dos padres, junto ao prédio do registo civil está a primeira escola e o actual museu era casa de passagem dos serviços de telecomunicações. 

A fundação do Huambo é antecedida com o surgimento das primeiras missões católicas destacando a missão do Cuando fundada em 1910, pelo Monsenhor Luís Alfredo Keilling, que antes de ser construída no actual espaço, funcionava no centro da cidade junto a biblioteca municipal Constantino Kamoli.

Antes o missionário tinha intenções de erguer a missão junto a zona onde Norton de Matos tinha projectado a passagem dos Caminhos de Ferro de Benguela e por isso, Monsenhor Keilling, em 1911 escolheu outro local perto do rio Cuando, a 18 quilómetros onde funciona até hoje.

A paróquia da Sé Catedral do Huambo, só aparece 20 anos depois da fundação da cidade do Huambo, isto é, em 1932, local escolhido por Monsenhor Luís Alfredo Keilling, talhão número 284, espaço fornecido pelo governador-geral Lopes Mateus, construída pelo engenheiro Marques Trindade, que contou com patrocínio do Banco de Angola e por outros benfeitores.

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