Sociedade

Hospital Josina Machel faz primeira cirurgia para corrigir o Genu Varum

Alexa Sonhi

Jornalista

Antero Viera, um menino de nove anos, é o primeiro cidadão angolano a beneficiar, no país, desde a Independência Nacional, em 1975, de uma cirurgia, com sucesso, para corrigir uma deformação dos ossos das pernas, conhecida por Genu Varum.

24/07/2021  Última atualização 07H50
© Fotografia por: Contreiras Pipa | Edições Novembro
O rapaz entrou, quinta-feira, no bloco operatório do Hospital Josina Machel, onde, um grupo de sete médicos, executou a cirurgia ortopédica complexa de grande porte, que durou cerca de quatro horas.

Com esta operação de sucesso, que contou com quatro ortotraumatologistas, três anestesistas e pessoal de apoio, o Hospital Josina Machel passa a ser a primeira unidade clínica do país a realizar este tipo de intervenção.

Para o caso de Antero, a quem foi detectado a doença aos quatro anos, quando as pernas do menino foram ganhado um formato curvilíneo (arqueado), apenas endireitou-se o membro inferior direito, por ter a deficiência mais acentuada.

Em relação à outra perna, o cirurgião principal do grupo de médicos, António Costa, explicou que, tão logo o membro operado estiver curado, dentro de seis meses, será feita a intervenção para corrigir a outra perna.

Apesar desse tempo, para avaliar a evolução da criança, António Costa assegura que a operação para acabar, parcialmente, com a Genu Varum foi um sucesso. "Durante o período pós-independência, nunca antes se tinha feito uma cirurgia do género, mas, como o hospital já tem capacidade técnica, os médicos têm estado abraçar grandes desafios”.

O médico aproveitou a ocasião para esclarecer que a deficiência nada tem a ver com questões tradicionais. Disse que se trata de uma situação caracterizada por concavidade da coxa e saliência do joelho. "Mas, isso tem cura, pois, por meio de uma cirurgia, as pernas podem voltar a estar alinhadas”.

Carlos Diamantino Soares, cirurgião auxiliar, considerou que o quadro clínico de Antero Viera é estável, mas o menino precisa de ser acompanhado, em internamento, por duas semanas e, depois, ser acompanhado apenas em consulta ambulatórias.O médico explicou que, para se corrigir o defeito das pernas, foi utilizado um fixador externo de Linderhof, material especifico para se modular os ossos dando-lhe a forma pretendida. 

"Este material deverá ficar fixo na perna do pequeno Antero, até pouco mais de três meses, para evitar que ele pouse os pés”, esclareceu ao avançar que, no fim deste turno, o rapaz vai ser submetido a sessões de fisioterapia, para que a perna se adapte ao novo formato.
Desconhecimento ofusca casos

Questionado sobre o número de pacientes em consultas externas com Genu Varum, Carlos Diamantino disse que quase que não aparecem, por desinformação da parte da paopulação, mas alega existirem muitos casos em Angola.

Por causa dessa falta de informação de que já é possível tratar a doença no país, as famílias aceitam a deformação, porque nas várias unidades de saúde onde acorrem, inclusive, em clínicas renomadas, são informadas que "não se pode corrigir as pernas”.

No caso de Antero, o médico António Costa esclareceu que o menino precisava apenas de fazer alguns exames complementares, durante algumas semanas, de formas a se preparar o organismo para a operação.

Mas, os especialistas chamam a atenção que pé torto e Genum Varum são coisas completamente diferentes. O primeiro caso, pode ser corrigido com o uso de botas ortopédicas, previamente indicadas por um ortopedistas, enquanto os defeitos de Genu varum são corrigidas unicamente por meio de cirurgias.

Questionado sobre a possibilidade de se realizar a operação, logo à nascença, caso se detecte o problema, Carlos Diamantino desaconselhou essa prática. A explicação é simples: "em tenra idade é precoce saber-se, ao certo, o nível da deformação”.Por isso, recomendou que, neste caso, a criança deve se seguida por um ortopedista pediátrico. Este profissional decidirá sobre a altura certa, para a operação.

Já com as pessoas adultas, o profissional de saúde disse que, apesar da idade, é possível a realização deste procedimento. Mas, alertou que o período de recuperação é mais demorado.
As peripécias de Antero
Nasceu sem qualquer defeito físico aparente. Antes dele, os país já tinham outras três filhas. E, na Maternidade Lucrécia Paim, há nove anos, a família recebeu o primeiro rebento do sexo masculino, a quem baptizaram por Antero de Almeida Viera.

O menino, que nasceu forte e com pernas longas, aos quatros anos começou a ter um formato curvilíneo (arqueado) nos membros inferiores. Inicialmente, os familiares e outras pessoas próximas o alcunharam de "cambaio bonito”.

Aos sete anos, a situação piorou, ao ponto do membro inferior direito ter empenado, acentuadamente, até ser detectada a deficiência física.Nas clínicas, o caso de Antero não obteve resultados positivos. Os profissionais da Saúde aconselhavam os pais para procurar soluções no estrangeiro. Mas, o "milagre” estava no Hospital Josina Machel.

No dia 2 de Junho, o menino foi atendido nas consultas externas, onde, em poucos minutos, o médio António Costa deu o diagnostico: "o menino sofre de Genu Varum”.

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